Câmara aprova projeto que endurece punições por adulteração e irregularidades na venda de combustíveis

Texto amplia multas, cria sanção por descumprimento de metas de descarbonização do Renova e segue para análise do Senado

09/04/2026 às 07:33 por Redação Plox

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (8) um projeto de lei que amplia as penalidades para infrações na comercialização de combustíveis, como a adulteração, e estabelece medidas voltadas ao cumprimento de metas compulsórias de descarbonização. O texto segue agora para análise do Senado Federal.

Entre as mudanças, a proposta eleva o valor das multas para quem importar, exportar ou comercializar petróleo, gás natural, seus derivados e biocombustíveis em quantidade ou especificação diferentes da autorizada. A punição, que antes variava de R$ 20 mil a R$ 5 milhões, passa a ficar entre R$ 94 mil e R$ 23,5 milhões.

Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional para votação da LDO.

Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional para votação da LDO.

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado


Multas sobem para irregularidades na venda de combustíveis

O projeto também aumenta a punição para quem não cumprir os preços fixados na legislação para a venda de petróleo e outros combustíveis. Nesses casos, as multas passam de uma faixa de R$ 5 mil a R$ 1 milhão para valores entre R$ 23,5 mil e R$ 4,7 milhões.

A proposta atualiza a legislação de fiscalização de combustíveis, em vigor desde 1997 e já alterada outras vezes. De acordo com o texto aprovado, todas as multas já previstas foram reajustadas.

Projeto cria punição por descumprimento de metas de descarbonização

Além de atualizar valores, o texto cria novas multas, incluindo punição para o descumprimento das metas compulsórias anuais de redução de emissões de gases de efeito estufa na comercialização de combustíveis, abrangendo as metas do Renova (Política Nacional de Biocombustíveis). A penalidade prevista varia de R$ 100 mil a R$ 500 milhões.

Os valores, segundo o projeto, serão atualizados anualmente por ato normativo da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), com base na variação de um índice oficial de inflação.

Taxas de fiscalização entram no texto e geram crítica no plenário

O projeto também coloca em lei taxas de fiscalização, ponto criticado por parlamentares. A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) apresentou um destaque para retirar o trecho.

A proposta trata da TFS-ANP (Taxa de Fiscalização e Serviços das Atividades das Indústrias do Petróleo, Gás Natural, dos Biocombustíveis, do Hidrogênio e da Captura e Estocagem Geológica de Dióxido de Carbono), destinada a financiar as ações de fiscalização da agência.

O relator Alceu Moreira (MDB-RS) afirmou, porém, que não há criação de novas taxas e que o texto apenas atualiza cobranças já existentes.

A única taxa nova é dos biocombustíveis, que não tinha naquela época. Não tinha como ter taxa do biodiesel e etanol naquela época, essas foram criadas, as outras já existiam e só foram atualizadas pelo IPCAAlceu Moreira (MDB-RS)

Definição de biocombustíveis e detalhamento da cobrança

O texto aprovado define biocombustíveis como substâncias derivadas de biomassas renováveis, como biodiesel e etanol, que podem substituir parcial ou totalmente os combustíveis de origem fóssil.

O projeto ainda descreve o valor da taxa, que se desdobra em 195 outras, a serem pagas pelos agentes regulados conforme o tipo de atuação. Caberá à ANP definir os detalhes sobre o recolhimento.

Entre as cobranças previstas, há taxas anuais que variam de R$ 16 mil a R$ 220 mil, além de outras a serem cobradas em casos de necessidade de aprovação de obras, vistorias, entre outros procedimentos.

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