Dólar cai a R$ 5,10 com cessar-fogo no Oriente Médio e Bolsa renova recorde

Moeda recuou 1% após trégua de duas semanas entre EUA e Irã e expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz; Ibovespa subiu 2,09% apesar da queda do petróleo e do recuo de ações de petrolíferas

09/04/2026 às 07:48 por Redação Plox

O dólar fechou em queda de 1% e terminou esta quarta-feira (8/4) cotado a R$ 5,10, após Estados Unidos e Irã firmarem um cessar-fogo de duas semanas no conflito no Oriente Médio. A trégua também prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito consumidos no mundo.

O valor representa o menor fechamento desde 7 de maio de 2024, quando a moeda americana encerrou a R$ 5,07. Na mínima do pregão, o dólar chegou a R$ 5,065, com baixa de 1,73%.

Após bater R$ 5,15 na terça, dólar caiu para R$ 5,10 nesta quarta

Após bater R$ 5,15 na terça, dólar caiu para R$ 5,10 nesta quarta

Foto: Pexels


No exterior, o movimento foi semelhante. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuou 0,85%, aos 99 pontos.

Bolsa renova recorde com apetite por risco

Com maior busca por ativos de risco, a Bolsa terminou o dia em novo recorde de fechamento, com alta de 2,09%, aos 192.201 pontos. Durante a sessão, o índice também marcou um recorde histórico intradiário, aos 193.759 pontos.

A valorização ocorreu apesar da queda do petróleo, que pressionou ações da Petrobras e de outras petrolíferas brasileiras ao longo do pregão.

Às 17h, os contratos do Brent, referência global, caíam 11,72%, a US$ 96,53. Já o WTI (West Texas Intermediate), padrão dos EUA, recuava 14,77%, a US$ 96,30.

No Brasil, o setor petrolífero caiu em bloco. As ações da Petrobras fecharam em baixa de 4,31% (preferencial) e 3,91% (ordinária). Prio, PetroRecôncavo e Brava Energia recuaram 5,48%, 2,90% e 2,86%, respectivamente.

Cessar-fogo muda o humor do mercado

O principal fator do pregão foi a trégua no Oriente Médio. Após dizer que “uma civilização inteira morrerá nesta noite” e ameaçar obliterar a infraestrutura civil do Irã, Donald Trump recuou e aceitou, na terça-feira (7), uma proposta feita pelo Paquistão para um cessar-fogo de duas semanas na guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel.

Em postagem na rede Truth Social, o americano afirmou que a decisão se baseou no compromisso de reabertura de Ormuz durante a trégua. Teerã disse que fará isso por duas semanas “em coordenação com as Forças Armadas” iranianas.

Esse será um cessar-fogo duplo

Donald Trump

Trump também declarou que a medida busca conter a escalada de tensões envolvendo países árabes sob ataque de Teerã no golfo Pérsico. Segundo ele, a decisão foi tomada porque os objetivos militares já teriam sido atingidos e excedidos, e porque haveria intenção de buscar um “acordo definitivo de paz de longo prazo com o Irã e paz no Oriente Médio” nesses 15 dias.

Queda do dólar e alívio após semanas de proteção

Desde o início do conflito, o dólar e os prêmios de ativos de renda fixa vinham se valorizando com a maior busca por proteção. Lucca Bezzon, especialista de inteligência de mercado da StoneX, afirmou que a dinâmica refletia mais aversão a risco do que apetite, diante de incertezas ligadas à inflação, à disrupção das cadeias globais de valor e à alta do petróleo e de outras commodities energéticas, com a moeda americana voltando a atuar como ativo de proteção.

Com o cessar-fogo, esse comportamento foi revertido, elevando o interesse por investimentos de risco. Entre países emergentes, 12 moedas se valorizaram frente ao dólar, incluindo o real, a rúpia indiana e o peso mexicano.

As Bolsas também avançaram. Na Europa, o Euro STOXX 600 fechou em alta de 4,97%, com ganhos similares em Frankfurt (5,06%), Londres (2,51%) e Paris (4,49%). Em Wall Street, Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones subiram 2,80%, 2,51% e 2,85%, respectivamente.

No Brasil, câmbio segue dinâmica anterior ao conflito

No mercado doméstico, Bezzon avaliou que a movimentação do câmbio reflete, em grande medida, um cenário observado antes do início da guerra. Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o cessar-fogo estimulou a tomada de risco após semanas de volatilidade intensa, ao aliviar a taxa de câmbio com a desmontagem de parte das posições de proteção.

Ela também apontou que a queda do petróleo reduz parte do temor de inflação persistente e alivia os juros futuros, mas destacou que o cessar-fogo não elimina as incertezas e que o tom de líderes políticos envolvidos ainda sinaliza tensões.

Ormuz segue no centro das incertezas

As dúvidas do mercado continuam concentradas no fluxo de navegação no Estreito de Ormuz e na possibilidade de continuidade de ataques na região. O Irã concordou em permitir a passagem de navios, mas o tráfego permaneceu baixo. Empresas de navegação disseram nesta quarta-feira (8) que precisam de mais clareza sobre os termos do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã antes de retomar o trânsito pelo estreito.

Teerã também condicionou a reabertura à interrupção de ataques por parte de Israel e dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, Israel realizou o maior ataque a instalações do Hezbollah no Líbano, levando o Irã a ameaçar abandonar o cessar-fogo.

O bloqueio de Ormuz lançou a economia global em turbulência: o choque de oferta, considerado sem precedentes, se transformou em crise energética e fez disparar os preços do petróleo e de derivados. A interrupção também pressiona a inflação global, gerando dúvidas sobre projeções de crescimento e sobre os próximos passos de alguns dos principais bancos centrais.

Tanto o Federal Reserve quanto o Banco Central (BC) brasileiro mencionaram a guerra nas decisões do mês passado, diante do risco de pressão inflacionária global.

Na última segunda-feira (6), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, defendeu o que chamou de cautela da instituição na condução da política de juros no Brasil e afirmou que a sociedade não aceita mais inflação.

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