Divergência entre Lula e Hugo Motta sobre fim da escala 6×1 pode travar debate no Congresso

Presidente quer enviar projeto de lei em urgência ainda nesta semana, enquanto chefe da Câmara defende tramitação por PEC com redução da jornada para 40 horas.

09/04/2026 às 10:30 por Redação Plox

Ministros do governo, parlamentares e executivos do setor privado ouvidos pelo PlatôBR avaliam que a divergência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a tramitação do fim da escala 6×1 pode travar o debate no Congresso. Nesta quarta-feira, 8, Lula afirmou que enviará ao Legislativo, ainda nesta semana, um projeto de lei com urgência sobre o tema. Se a proposta não for apreciada em 45 dias, o texto passa a trancar a pauta do plenário.

Divergência entre Lula e Motta é aposta do setor privado para frear fim da escala 6×1

Divergência entre Lula e Motta é aposta do setor privado para frear fim da escala 6×1

Foto: crédito: Foto: Gustavo Moreno/STF



Projeto de lei com urgência e caminho alternativo via PEC

Enquanto Lula defende o envio de um projeto de lei em regime de urgência, Motta sustenta que o assunto deve ser tratado por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição). Segundo ele, a admissibilidade da proposta será votada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na próxima semana e, se houver aprovação, será criada uma comissão especial para discutir a redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais.

Setor privado quer debate em novembro para evitar influência eleitoral

Executivos do setor privado acompanham de perto o andamento do tema e defendem que a discussão fique para novembro, com o argumento de que a tramitação não deve ser contaminada pelo calendário eleitoral. A avaliação majoritária entre representantes do empresariado é que, se o debate ocorrer nos próximos meses, a análise técnica tende a ser deixada em segundo plano.

Temor de votação acelerada e estratégia para adiar o andamento

Entre os representantes do PIB, o principal risco apontado é o de uma eventual aprovação acelerada, a “toque de caixa”, para que o tema se converta em dividendo eleitoral para Lula. Por isso, segundo os relatos reunidos pelo PlatôBR, parte do setor privado aposta na divergência entre os presidentes para adiar o andamento dos trabalhos no Congresso.

Governo mira aprovação até junho na Câmara

Como mostrou o PlatôBR, o governo pretende aprovar até junho, na Câmara, a redução da jornada laboral. Entre auxiliares de Lula, a avaliação é que, se o texto não obtiver aval dos deputados dentro desse prazo, a tendência é que a discussão fique para depois das eleições, em novembro, com o risco de o tema ser engavetado.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a