Influenciadora Isabella Cêpa protocola queixa-crime contra Erika Hilton por calúnia e injúria
Ação foi apresentada após a deputada chamá-la de “criminosa” e “fracassada” e fazer associações a nazistas e à Ku Klux Klan; disputa judicial entre as duas se arrasta desde 2020
09/04/2026 às 17:30por Redação Plox
09/04/2026 às 17:30
— por Redação Plox
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As disputas judiciais entre a deputada federal Erika Hilton e a influenciadora feminista Isabella Alves Cêpa seguem em andamento. Desta vez, a militante protocolou uma queixa-crime contra a parlamentar, acusando-a de calúnia e injúria após ter sido chamada de “criminosa” e “fracassada”, além de ter sido associada a nazistas e à Ku Klux Klan.
Isabella Alves Cêpa e Erika Hilton
Foto: Reprodução/Rede social X; Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados
Entenda como o conflito começou
O embate entre Hilton e Cêpa teve início em 2020, quando a designer gráfica criticou o resultado das eleições municipais em São Paulo e afirmou que a mulher mais votada naquele ano era, na verdade, um homem.
Arquivamento e posição do STF
A deputada transexual acionou a Justiça Federal e o Supremo Tribunal Federal (STF), acusando Isabella de praticar transfobia. No entanto, o processo foi arquivado pela 7ª Vara Federal em São Paulo, em agosto de 2025. Já o STF considerou que não há conflito entre a decisão que criminaliza a transfobia e a sentença da Justiça Federal que arquivou a denúncia contra a influenciadora.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também se posicionou pelo arquivamento do caso. Segundo ele, as declarações da ativista não configuram crime, mas se enquadram no direito de opinião.
Declarações em entrevista reacendem a polêmica
A controvérsia voltou a ganhar força após Erika Hilton se manifestar sobre o tema em uma entrevista divulgada no último dia 2 de março pelo programa 20 minutos, do Opera Mundi. Na ocasião, a deputada afirmou que Isabella Cêpa seria criminosa por causa do entendimento do STF sobre transfobia.
– Se você comete transfobia, você é criminosa, você comete um crime que inclusive é equiparado ao crime de racismo. A sua crença, o que você acredita, não pode embasar os seus comportamentos na sociedade. A Ku Klux Klan acreditava que negros eram inferiores. Hitler tinha uma crença de que judeus eram inferiores. Isso não pode servir de instrumento para suas relações pessoais. O que você acredita tem que ficar no mínimo dentro da sua cabeça ou no máximo dentro da sua própria casa. Quando você sai da porta para a rua, você vai viver em sociedade. E viver em sociedade pressupõe que você tem regras para viver em sociedade – assinalou.
Erika Hilton
Na sequência, a parlamentar reforçou que considera crime o que atribui à influenciadora e disse que outras pessoas também seriam processadas caso, segundo ela, cometam condutas semelhantes.
Queixa-crime em São Paulo
Em resposta, Isabella Alves Cêpa acionou a Justiça de São Paulo. Na ação, ela afirma que a deputada “não estava exercendo sua função de deputada” ao rotulá-la como criminosa e ao compará-la ao nazismo, mas que estaria usando a própria visibilidade para retaliar uma pesquisadora cujo pensamento a desagrada.