Apoiadores de Bolsonaro falam de perseguição aos donos da Ypê
Decisão cita irregularidades na garantia da qualidade e histórico de contaminação; apoiadores de Bolsonaro reagiram nas redes com hipótese de perseguição política.
09/05/2026 às 09:35por Redação Plox
09/05/2026 às 09:35
— por Redação Plox
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A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de determinar a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de produtos da marca Ypê provocou reação nas redes entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Parte desse público passou a sustentar a hipótese de perseguição política contra os proprietários da empresa.
A associação ganhou força porque, nas eleições de 2022, integrantes da família Beira — ligada à companhia — fizeram doações que somaram R$ 1 milhão para a campanha de reeleição de Bolsonaro, conforme registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Waldir Beira Júnior, presidente Executivo da Ypê
Foto: Reprodução/YouTube Instituto Ressoar
Doações registradas no TSE e repercussão entre bolsonaristas
O valor total, segundo os dados do TSE, foi repartido entre três familiares. Jorge Eduardo Beira, vice-presidente de operações, contribuiu com R$ 500 mil. Já Waldir Beira Júnior e Ana Maria Beira doaram R$ 250 mil cada.
Nos comentários em uma publicação do Pleno.News, internautas disseram que continuariam comprando os itens e sugeriram motivação política na medida adotada pela Anvisa. Houve menções a “época de eleição”, acusações de seletividade e insinuações de que outras empresas não seriam afetadas.
Condenação por live em 2022 e restrição a propaganda interna
O tema também remete a um episódio anterior envolvendo a fabricante e Bolsonaro. Em 2022, a Química Amparo — dona da marca Ypê — foi condenada por uma live realizada em apoio ao então presidente. A decisão partiu do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), que entendeu ter havido assédio eleitoral.
Pela sentença, a empresa ficou proibida de fazer propaganda eleitoral em favor de qualquer candidato a cargo político e pode ser multada em R$ 100 mil caso volte a promover ações desse tipo junto aos funcionários. Na ocasião, a companhia afirmou, em nota, que era “apartidária”. *
O que a Anvisa apontou e por que determinou suspensão e recolhimento
Na decisão desta quinta-feira (7), a Anvisa informou ter identificado falhas relevantes em etapas críticas do processo produtivo. Entre os pontos citados estão irregularidades nos sistemas de garantia da qualidade, além de problemas relacionados à produção e ao controle de qualidade.
De acordo com a agência, as inconformidades podem comprometer o atendimento às exigências de Boas Práticas de Fabricação (BPF) para saneantes e representar risco sanitário, inclusive com possibilidade de contaminação microbiológica por microrganismos patogênicos.
Segundo a Anvisa relatou ao G1, a inspeção que embasou a suspensão e o recolhimento foi motivada por um “histórico de contaminação microbiológica” na empresa em novembro de 2025. Na ocasião, uma análise interna detectou a bactéria Pseudomonas aeruginosa.
Orientações sobre risco e grupos mais vulneráveis
A empresa afirmou ter realizado recolhimento voluntário e ressaltou que o risco para a maioria dos consumidores é considerado baixo. Ainda assim, orientou que pessoas imunossuprimidas evitem contato direto e prolongado com o produto concentrado, especialmente quando houver feridas abertas.
A Pseudomonas aeruginosa é comum no solo e na água, mas pode causar infecções graves em pessoas com baixa imunidade. Entre os grupos de maior risco, estão pacientes com câncer, transplantados, usuários de medicamentos imunossupressores, pessoas com doenças crônicas graves e quem tem feridas, queimaduras ou utiliza dispositivos médicos.
O texto também destaca que a simples presença da bactéria no produto não significa, por si só, desenvolvimento de doença: o problema ocorre quando o microrganismo entra no organismo por feridas, mucosas ou equipamentos médicos, com potencial de provocar infecções na pele, nos pulmões, no trato urinário e até na corrente sanguínea.
Em nota, a Química Amparo declarou que possui fundamentação científica baseada em testes e laudos técnicos independentes que atestariam a segurança dos produtos e a inexistência de risco ao consumidor.