CNM prevê perda de R$ 11,8 bi ao ano no FPM com nova isenção do IR até R$ 5 mil

Medida passou a valer em janeiro de 2026 e reacende debate sobre recomposição dos repasses aos municípios.

09/05/2026 às 08:58 por Redação Plox

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda de até R$ 5.000 mensais passou a valer em janeiro de 2026 e foi apresentada como um alívio no orçamento das famílias.

Para as prefeituras, porém, a mudança trouxe um efeito colateral: menos dinheiro chegando via repasses federais, com impacto mais sentido em municípios pequenos, onde o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) tem peso decisivo nas contas locais.

Congresso da AMM, realizado nesta semana em Belo Horizonte, discutiu os principais problemas dos municípios de Minas

Congresso da AMM, realizado nesta semana em Belo Horizonte, discutiu os principais problemas dos municípios de Minas

Foto: /AMM



CNM estima perda bilionária no FPM com mudança no IRPF

Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) indica que as alterações no IRPF podem reduzir em R$ 11,8 bilhões por ano o volume transferido às cidades por meio do FPM.

O fundo é uma transferência prevista na Constituição e é formado por 22,5% da arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além de um adicional de 1% repassado em julho, setembro e dezembro.

A distribuição do FPM ocorre em três parcelas mensais, conhecidas como “decêndios”. Como referência, em 2025 os municípios brasileiros repartiram cerca de R$ 196 bilhões do fundo.

Já em 2026, até o início de maio, o repasse acumulado somava aproximadamente R$ 90 bilhões, de acordo com a CNM, e o primeiro decêndio de maio foi de R$ 9,3 bilhõesvalor inferior à perda anual projetada com a ampliação da isenção.

AMM cobra compensação e retoma defesa de PEC para elevar repasse

No debate municipalista realizado nesta semana em Belo Horizonte, durante o congresso da Associação Mineira de Municípios (AMM), o presidente da entidade, Lucas Vieira, prefeito de Iguatama, defendeu uma recomposição das perdas por meio de maior participação das cidades no FPM.

Para ele, a saída passa pela retomada da tramitação de uma proposta de emenda à Constituição que eleva em 1,5% os repasses do fundo.

“Queremos que volte a tramitação da PEC que estabelece mais 1,5% de repasse do FPM, que é uma forma de recompor essa perda. A isenção do Imposto de Renda é algo positivo para a população, mas afeta diretamente os municípios, que deixam de arrecadar. O Imposto de Renda é a base de cálculo desses repasses”

Lucas Vieira

Governo federal reconhece impacto, mas prevê compensações indiretas

O governo do presidente Lula (PT) admite que a isenção afeta as receitas municipais, mas sustenta que os entes locais também podem se beneficiar por outra via: com mais renda disponível, haveria estímulo ao consumo e aumento da massa salarial recebida pelos trabalhadores, o que tenderia a ampliar a arrecadação de tributos como ICMS, ISS e IBS, conforme nota divulgada pelo governo federal.

Prefeitos apontam disputa por recursos e projeção do tema para o pós-eleição

Segundo Lucas Vieira, a busca por um rearranjo na forma como os recursos públicos são distribuídos segue como uma das principais pautas dos prefeitos junto às esferas federal e estadual.

Ele avalia que o assunto deve continuar no centro das discussões depois das eleições de outubro, sob a percepção de que há concentração de receitas em Brasília e nos governos estaduais, com espaço reduzido para os municípios.

Estradas, Samu e Copasa entram na lista de cobranças ao próximo governador

Além da preocupação com o FPM, prefeitos mineiros elencaram temas que consideram urgentes para o próximo governo estadual.

Entre eles estão a ampliação da cobertura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a manutenção dos investimentos da Copasa após a privatização e, principalmente, melhorias na malha rodoviária.

Em relação ao Samu, o prefeito de Diamantina, Jefferson Burgarelli, conhecido como Paquito (PSB), relatou que a cobertura no interior é insuficiente e que a distância compromete a eficiência do atendimento na região do Vale do Jequitinhonha e do Vale do Mucuri.

Ele mencionou que a sede regional fica em Teófilo Otoni, a cerca de 450 km de Diamantina, e defendeu uma reorganização com uma base em Diamantina para regular o Jequitinhonha e outra em Teófilo Otoni para o Mucuri.

O prefeito também afirmou que, em Diamantina, o Corpo de Bombeiros frequentemente assume ocorrências de urgência e que outras cidades do Jequitinhonha enfrentam ainda mais dificuldade para receber esse tipo de suporte.

Apesar disso, para muitos gestores locais, o estado das estradas permanece como o principal gargalo.

O prefeito de Carlos Chagas, no Vale do Mucuri, Nana (PSD), disse que a precariedade das rodovias interfere no transporte e em diferentes serviços, citando reflexos em áreas como educação, saúde, lazer e no escoamento da produção agrícola, considerada fundamental para o interior.

Privatização da Copasa muda orientação da AMM sobre renovação de contratos

Outro ponto sensível mencionado no encontro envolve a relação entre municípios e a Copasa no contexto da privatização.

A AMM, que inicialmente orientou as prefeituras a não assinarem renovações contratuais nos termos apresentados pela empresa, passou a defender que cada cidade faça uma análise própria antes de tomar a decisão, diante do avanço das negociações.

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