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Projeções para a economia brasileira em 2027 começaram a ser revistas para baixo por analistas diante da perspectiva de que o ciclo de cortes da Selic esteja perto do fim. A avaliação é que juros ainda elevados por mais tempo devem esfriar o crédito, o consumo e os investimentos, reduzindo o ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano.
Fim do ciclo de corte de juros já leva mercado a prever PIB menor em 2027
Foto: crédito: Foto: Raphael Ribeiro/BCB
O movimento ocorre em meio a apostas de que o Banco Central terá pouco espaço para continuar reduzindo a taxa básica de juros. No Relatório Focus divulgado pelo BC com data de 5 de junho, a mediana das expectativas do mercado indicava Selic de 13,50% ao ano no fim de 2026 e de 11,50% ao ano ao fim de 2027. Para junho, a projeção estava em 14,25% ao ano.
Segundo reportagem de Antonio Temóteo, do PlatôBR/Estado de Minas, o BTG Pactual passou a trabalhar com cenário mais conservador. A economista Iana Ferrão avaliou, em relatório a clientes, que uma nova redução de 0,25 ponto percentual pode ser a última do ciclo, o que deixaria a taxa em 14,25% ao ano ao fim de 2026. Com esse quadro, o banco reduziu sua projeção de crescimento do PIB em 2027 de 1,6% para 1,1%.
A mediana do Focus, que reúne estimativas de instituições financeiras, ainda aponta crescimento de 1,70% para o PIB em 2027. Para 2026, a projeção central é de alta de 1,91%. O dado mostra que, embora o cenário mais pessimista ainda não seja consenso, parte do mercado já passou a considerar um impacto mais forte da política monetária sobre a atividade econômica.
Juros altos encarecem financiamentos, reduzem a disposição de empresas para investir e tornam o consumo das famílias mais cauteloso. Esse efeito costuma aparecer com atraso na economia, o que ajuda a explicar a preocupação com 2027, mesmo que parte das decisões do Banco Central ocorra ainda em 2026.
Além da Selic, analistas monitoram a margem fiscal do próximo ano. O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 prevê meta de superávit primário de R$ 73,22 bilhões para o governo central, mas admite deduções de R$ 65,66 bilhões para fins de cumprimento da meta. Documentos do Congresso apontam que, sem essas exclusões, o superávit projetado para o governo central seria de R$ 7,99 bilhões, equivalente a 0,05% do PIB.
O cenário combina inflação ainda acima da meta, cautela do Banco Central e menor espaço para impulso fiscal. A próxima reunião do Copom será decisiva para indicar se o ciclo de cortes continuará ou se a autoridade monetária fará uma pausa para avaliar a persistência das pressões inflacionárias.