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A carta afirma que evangélicos brasileiros não formam um bloco político único e diz que o encontro não pretende falar em nome de todas as denominações. O texto sustenta que a fé deve ser respeitada em sua dimensão espiritual, comunitária e ética, ao mesmo tempo em que associa valores cristãos a temas como justiça social, combate à fome, proteção dos vulneráveis, democracia e soberania nacional.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Ao longo do documento, são citados trechos de livros como Isaías, Tiago, Mateus, Efésios e Pedro. A partir dessas referências, o grupo defende a ampliação de programas sociais e políticas públicas, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Farmácia Popular, SUS, Pé de Meia e ações de enfrentamento ao feminicídio. A carta também menciona a reforma do Imposto de Renda com isenção para quem ganha até R$ 5 mil e o fim da escala 6×1.
Entre os pontos apresentados para o debate do plano de governo estão políticas de saúde integral da mulher, fortalecimento da agricultura familiar e da reforma agrária, ações para primeiro emprego da juventude, cuidado integral para pessoas com deficiência e garantia de acesso da população negra ao sistema de justiça. O texto também trata de proteção ambiental e usa a expressão “Casa Comum” ao falar de florestas, águas e biodiversidade.
A movimentação ocorre em um cenário em que o eleitorado evangélico segue como desafio para o campo petista. Dados do Censo 2022 do IBGE mostram que os evangélicos chegaram a 26,9% da população brasileira com 10 anos ou mais, somando 47,4 milhões de pessoas. O grupo cresceu em relação a 2010, quando representava 21,6% da população.
Pesquisas eleitorais recentes também indicam dificuldade de Lula nesse segmento. Levantamento Datafolha divulgado em março apontou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com vantagem expressiva sobre o presidente entre eleitores evangélicos. Na semana passada, Flávio participou da Marcha para Jesus, em São Paulo, enquanto Lula foi representado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias.
Durante o encontro petista, o presidente nacional do partido, Edinho Silva, afirmou que a legenda não pretende “manipular a fé” nem fazer disputa eleitoral usando a religião. A fala resume a estratégia adotada no documento: tentar reconstruir pontes com igrejas e lideranças evangélicas sem apresentar o grupo religioso como homogêneo. A carta deve servir como base para novas ações do partido junto a esse público ao longo da campanha de 2026.