Ações da Azul desabam mais de 90% e disparam 200% em meio à recuperação judicial

Papéis da companhia aérea vivem extremos na B3, após megaoferta bilionária e reestruturação societária ligada ao processo de Chapter 11 nos EUA, elevando risco para minoritários

10/01/2026 às 07:29 por Redação Plox

As ações da Azul Linhas Aéreas (AZUL54) na B3 atravessam um período de forte instabilidade, refletindo o ambiente de alta especulação e de baixa liquidez em torno dos papéis da companhia.

“Sobe e desce” da Azul ocorre em um momento de alta especulação e baixa liquidez das ações

“Sobe e desce” da Azul ocorre em um momento de alta especulação e baixa liquidez das ações

Foto: Divulgação Azul


Na quinta-feira (8), os ativos da empresa chegaram a desabar mais de 90%, sendo negociados a cerca de R$ 25,00. No dia seguinte, porém, houve uma disparada: os papéis avançaram cerca de 200% na sessão de sexta-feira (9), encerrando a semana ao redor de R$ 75,00.

Volatilidade ligada à reestruturação e recuperação judicial

O comportamento extremo das ações ocorre em meio ao processo de recuperação judicial da Azul nos Estados Unidos, conduzido sob o Chapter 11, e à recente reestruturação societária que incluiu aumento de capital. Esse cenário torna os papéis particularmente arriscados para investidores minoritários.

O ajuste na estrutura de capital envolveu a emissão massiva de ações, o que ampliou a base acionária e alterou de forma significativa a participação relativa de cada investidor, especialmente os de menor porte.

Estrutura de negociação e megaoferta de ações

Na B3, as ações da Azul são negociadas em lotes de 10.000 papéis. Considerando o preço de fechamento de R$ 75,00 por lote, o valor unitário estimado das ações preferenciais — que têm prioridade no recebimento de dividendos — é de cerca de R$ 0,0075.

No fim de 2025, a companhia aprovou uma oferta pública de ações para levantar aproximadamente R$ 7,44 bilhões, por meio da emissão de 1,4 trilhão de papéis. Foram cerca de 723 bilhões de ações ordinárias, cada uma emitida a R$ 0,0001, e outros 723 bilhões de ações preferenciais, ao preço de R$ 0,01.

Troca de dívida por ações e impacto nos minoritários

A operação teve como objetivo viabilizar a capitalização obrigatória de senior notes, mecanismo que permite converter parte das dívidas com credores em ações. Com isso, credores da Azul passaram a ter participação acionária na empresa, contribuindo para reduzir o endividamento e aliviar o fluxo de caixa da companhia aérea.

Essa solução financeira, porém, trouxe efeitos colaterais: a participação dos acionistas minoritários foi diluída de maneira relevante, aumentando a percepção de risco e alimentando a volatilidade dos papéis.

Os valores atribuídos às ações refletem de forma clara e consistente a estrutura de capital atualmente existente, na medida em que o montante total da dívida da Companhia é substancialmente superior ao valor de seu patrimônio

Azul, em fato relevante

Em um ambiente de liquidez reduzida e incerteza sobre o ritmo de recuperação financeira da empresa, movimentos bruscos de preço tendem a se repetir, reforçando o caráter especulativo dos negócios com as ações da Azul na Bolsa.

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