Joesley Batista atuou como emissário informal de Trump em negociação para saída de Maduro
Bilionário dono da JBS levou a Maduro, em Caracas, lista de interesses dos EUA que incluía acesso a terras raras, petróleo venezuelano, rompimento com Cuba e exigência de saída do líder do país
10/01/2026 às 19:23por Redação Plox
10/01/2026 às 19:23
— por Redação Plox
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O bilionário Joesley Batista atuou como espécie de emissário informal da administração de Donald Trump em uma viagem à Venezuela, em novembro, quando propôs um acordo de asilo diplomático na Turquia ao presidente Nicolás Maduro e à primeira-dama, Cília Flores. A atuação do empresário brasileiro foi revelada por fontes do alto escalão da Casa Branca ao jornal Washington Post, que detalharam o papel do magnata da JBS na tentativa de negociação para a saída de Maduro do poder.
Joesley Batista, um dos sócios da J"F.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / arquivo)
Plano internacional para retirada de Maduro
A reportagem expõe as articulações estrangeiras que buscavam criar uma rota de fuga para Maduro, permitindo que ele deixasse a presidência e evitasse a captura pelos Estados Unidos, como acabou ocorrendo em 3 de janeiro. Nesse contexto, o cardeal Pietro Parolin, segundo na hierarquia do Vaticano, teria oferecido ao então presidente venezuelano e à primeira-dama um asilo na Rússia com garantias do presidente Vladimir Putin. Segundo o Washington Post, Parolin procurou o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio para pedir mais tempo e tentar convencer Maduro a aceitar a proposta.
Missão de Joesley em Caracas
Joesley Batista atuou em outra frente de negociação. Com negócios nos Estados Unidos e na Venezuela, ele embarcou em novembro para Caracas com uma reunião marcada com Maduro e Cília Flores. A missão era clara: tentar convencer o líder venezuelano a deixar o poder e aceitar o plano de saída negociado com Washington.
O empresário levou uma lista de pontos de interesse dos Estados Unidos, que incluía o acesso a terras raras, ao petróleo venezuelano e o rompimento das relações de Caracas com Cuba. Entre as condições impostas pela administração Trump estava também a exigência de que Maduro deixasse o país.
Relato do encontro ao governo Trump
De acordo com as fontes ouvidas pelo Washington Post, Joesley relatou em detalhes o encontro com Maduro ao governo Trump, que passou a considerar suas avaliações nas discussões internas sobre a crise venezuelana.
Ele não estava trabalhando a mando dos Estados Unidos, mas suas conclusões foram levadas em conta. — Oficial do alto escalão ouvido pelo Washington Post
A publicação norte-americana descreve Joesley como um dos emissários não oficiais da Casa Branca envolvidos nas tentativas de negociação com o regime de Maduro.
Atuação de Joesley na agenda econômica
Nos últimos anos, o proprietário da JBS também ganhou espaço no noticiário internacional por seu envolvimento em temas econômicos sensíveis entre Brasil e Estados Unidos. Ele foi um dos empresários brasileiros que atuaram nos bastidores para tentar derrubar as sobretaxas impostas por Donald Trump às exportações do Brasil.
Nessa articulação, Joesley ajudou a intermediar a aproximação entre o então presidente norte-americano e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em meio às negociações comerciais e às discussões sobre o impacto das medidas protecionistas americanas nas vendas brasileiras ao mercado externo.