Mercado de criptomoedas inicia 2026 em forte correção e apaga mais de US$ 1 trilhão
Bitcoin cai da máxima acima de US$ 120 mil para cerca de US$ 87 mil, puxa Ethereum e Solana e leva a uma das maiores correções desde 2022; analista vê trimestre de baixa liquidez e recuperação atrelada ao capital institucional e à estabilidade macroeconômica
10/01/2026 às 08:53por Redação Plox
10/01/2026 às 08:53
— por Redação Plox
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O mercado de criptomoedas inicia 2026 em um ambiente de correção intensa, após um fim de ano marcado por forte queda nos preços dos principais ativos digitais. Com o Bitcoin devolvendo parte relevante dos ganhos acumulados desde 2022 e arrastando consigo outras criptos de grande capitalização, o cenário projetado para o primeiro trimestre é de volatilidade elevada, menor apetite por risco e postura mais conservadora por parte dos investidores.
Foto: Divulgação
Dados de mercado indicam que o Bitcoin, que havia renovado máximas históricas acima de US$ 120 mil em outubro de 2025, recuou para a faixa de US$ 87 mil em novembro e encerrou o ano nesse mesmo patamar, apagando boa parte da valorização do período. A correção se estendeu a outras criptomoedas de peso, como Ethereum e Solana, contribuindo para uma redução superior a US$ 1 trilhão na capitalização total do setor, de acordo com estimativas amplamente divulgadas por plataformas internacionais de análise.
Pressão macroeconômica e fuga de risco derrubam preços
Entre os vetores que explicam o movimento atual estão a deterioração do apetite global por ativos de risco, a queda na liquidez internacional, o ajuste de posições alavancadas e o aumento das saídas de capital de fundos e ETFs de criptoativos. Paralelamente, incertezas em torno da condução da política monetária nos Estados Unidos e sinais de desaceleração da economia mundial pressionam ainda mais a confiança dos investidores.
Esse conjunto de fatores reforça a percepção de que o mercado de criptomoedas, apesar do discurso histórico de descorrelação com os ativos tradicionais, passou a se mover de forma mais alinhada aos ciclos de volatilidade globais. Em um ambiente de juros mais altos e liquidez reduzida, ativos considerados mais arriscados tendem a sofrer ajustes mais profundos, e os criptoativos não têm fugido a essa dinâmica.
Ajuste pós-rali e menor previsibilidade pós-halving
Para Fernando de Carvalho, analista e head de digital assets da OnilX, o momento atual exige reposicionamento estratégico por parte dos participantes do mercado. Ele avalia que o recente ciclo de valorização acelerada deu lugar a um processo de ajuste amplo, intensificado por juros elevados, menor liquidez e realização de lucros em larga escala, especialmente em segmentos sensíveis ao fluxo institucional, como o de criptoativos.
Na visão do especialista, esse ambiente também reduz a previsibilidade dos tradicionais ciclos de alta pós-halving, historicamente associados a fases de recuperação robusta do Bitcoin e de outros ativos do ecossistema. A combinação de fatores macroeconômicos adversos com saídas de capital tende a alongar períodos de consolidação e a exigir maior cautela na leitura de sinais de retomada.
Primeiro trimestre de 2026 deve ser de consolidação
De acordo com Fernando, o início de 2026 tem maior probabilidade de ser marcado por consolidação e lateralização dos preços, com possível manutenção de baixa liquidez nos principais mercados. Em um cenário assim, ele avalia que eventuais movimentos de forte recuperação dependem de sinais claros de retorno do capital institucional e de maior estabilidade no quadro macroeconômico.
O analista destaca que o momento atual é de adaptação e reavaliação de estratégias, em que investidores e empresas buscam compreender melhor as novas condições de mercado antes de planejar os próximos passos. A leitura mais cuidadosa de fluxo, fundamentos e riscos tende a ganhar espaço em relação a apostas puramente especulativas.
Regulamentação e infraestrutura podem sustentar retomada
Apesar do quadro desafiador no curto prazo, Fernando aponta fatores que podem favorecer uma recuperação ao longo de 2026, especialmente a partir da evolução regulatória e tecnológica. No Brasil, o avanço das regras específicas para o setor de criptoativos vem fortalecendo a percepção de segurança jurídica para investidores e instituições financeiras.
Ao mesmo tempo, o progresso na tokenização de ativos reais e o amadurecimento de soluções de interoperabilidade entre diferentes blockchains tendem a robustecer a infraestrutura do mercado. Esses vetores estruturais podem criar as bases para uma retomada gradual e mais consistente quando houver melhora na liquidez global e redução das incertezas macroeconômicas.
Indicadores para quem quer investir com cautela
Para investidores interessados em se posicionar de forma prudente nesse ambiente, Fernando sugere acompanhar com atenção alguns indicadores específicos. Entre eles estão o fluxo de entrada e saída de ETFs de criptoativos, as variações das taxas de juros internacionais, o volume de liquidações forçadas em corretoras e os movimentos de grandes carteiras, conhecidas como “whales”.
Em períodos de volatilidade acentuada, o especialista ressalta a importância de priorizar gestão de risco, diversificação de portfólio e análise de fundamentos, evitando decisões impulsivas guiadas apenas por ruídos de curto prazo. Entender a dinâmica do mercado e seus condicionantes se torna, nesse contexto, um diferencial essencial para a tomada de decisão.
Brasil ganha relevância no cenário cripto global
Em meio à correção global, o Brasil consolidou em 2025 uma posição de destaque na adoção de criptoativos. O país alcançou o 5º lugar no ranking mundial elaborado pelo relatório anual da Chainalysis, que avaliou 151 nações. O estudo leva em conta não apenas o volume transacionado, mas também o peso efetivo das criptomoedas no dia a dia da população.
Nesse levantamento, o Brasil aparece atrás apenas de Índia, Estados Unidos, Paquistão e Vietnã, superando mercados relevantes como Nigéria, Indonésia, Ucrânia e Reino Unido. O resultado reforça o papel do país como um dos principais polos de uso e desenvolvimento de soluções baseadas em criptoativos, em um momento em que a combinação entre regulamentação mais clara e amadurecimento tecnológico tende a influenciar os próximos passos do setor ao longo de 2026.