CPMI do INSS articula missão oficial a Dubai para rastrear suspeita de desvio bilionário

Parlamentares querem acessar documentos nos Emirados e apurar o papel de uma empresa apontada como possível destino de recursos ligados ao caso INSS e à instituição Master

10/02/2026 às 13:05 por Redação Plox

Fora das sessões da CPMI do INSS, um grupo de parlamentares articula o envio de uma missão oficial a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para tentar destravar pontos considerados decisivos nas investigações sobre possíveis irregularidades financeiras envolvendo o caso INSS e a instituição financeira Master.

Dubai virou o novo paraíso de golpistas e corruptos brasileiros.

Dubai virou o novo paraíso de golpistas e corruptos brasileiros.

Foto: Reprodução


Banco em Dubai entra no foco da CPMI

O principal alvo da ofensiva é a BTA Finance Limited – Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda., sediada no Emirates Financial Tower, em Dubai. A empresa é apontada como possível depositária de recursos desviados ligados ao esquema investigado. Fundado em agosto de 2024, o banco de negócios tem apenas um ano e meio de operação e é presidido pelo português Humberto Coelho, já citado em controvérsias financeiras internacionais.

Coelho aparece em documentos anexados a processos judiciais nos Estados Unidos e, segundo autoridades daquele país, realizava pagamentos em Dubai relacionados ao esquema de corrupção do governo Hugo Chávez, na Venezuela, desde 2010. Ele também é alvo de investigações por supostamente intermediar pagamentos a funcionários venezuelanos para favorecer operações de instituições financeiras junto à petrolífera PDVSA.

Suspeita de repetição de esquema no Brasil

Na avaliação de parlamentares, há indícios de que um modelo semelhante ao atribuído a operações na Venezuela teria sido reproduzido no Brasil, envolvendo funcionários públicos, organizações criminosas e a própria Master. A suspeita é de que valores bilionários tenham sido enviados para Dubai por meio da BTA Finance, possivelmente superando a marca de US$ 2 bilhões.

As pressões agora se concentram sobre o presidente da CPMI, senador Carlos Viana, a quem colegas atribuem autonomia para autorizar a viagem de três parlamentares ao Oriente Médio. A intenção é formalizar, junto ao governo dos Emirados Árabes, pedidos de acesso a documentos financeiros que possam apontar o caminho de bilhões captados por títulos CDB emitidos pela Master, além de recursos supostamente descontados de aposentados e investidores brasileiros.

Viagens a Dubai alimentam desconfianças

Os deslocamentos de pessoas ligadas ao caso contribuíram para aumentar as suspeitas. A Polícia Federal prendeu recentemente um familiar de Daniel Vorcaro quando ele tentava embarcar para Dubai — o mesmo destino que Vorcaro tinha ao ser detido em novembro, no Aeroporto de Guarulhos. Para fontes da CPMI, a repetição desse roteiro internacional é vista como sinal de alerta.

Relatos colhidos pela comissão indicam que operações financeiras consideradas sensíveis nos Emirados exigem a presença física do titular, já que a legislação local impede procuradores de movimentar grandes somas. Como bens e contas vinculados ao grupo Master seguem bloqueados no Brasil, a apuração trabalha com a hipótese de que pessoas próximas à instituição estejam viajando ao país árabe para movimentar recursos que não podem ser acessados internamente.

Facilidade para abertura de contas em Dubai

Parlamentares também relatam que cidadãos estrangeiros conseguem abrir contas e operar valores em Dubai com relativa autonomia, a partir de um passaporte válido e de uma entrevista. Esse cenário é visto como um possível facilitador para eventuais estratégias de blindagem patrimonial e ocultação de capitais no exterior.

Em meio a resistências e negociações, a decisão sobre o envio da comitiva ainda não foi tomada. Nos bastidores, porém, ganha força a avaliação de que a CPMI dependerá de cooperação internacional para avançar na identificação do destino final dos recursos sob suspeita.

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