Brasil e EUA firmam acordo para reforçar combate ao tráfico internacional de armas e drogas

Cooperação entre Receita Federal e a U.S. Customs and Border Protection prevê troca constante de dados digitais sobre apreensões e ações conjuntas nas aduanas

10/04/2026 às 15:22 por Redação Plox

Brasil e Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação mútua para intensificar o combate ao tráfico internacional de armas e drogas. A parceria estabelece o compartilhamento constante de informações, por meios digitais, sobre apreensões realizadas nas aduanas dos dois países, com o objetivo de acelerar investigações e identificar padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.

O entendimento envolve a Receita Federal do Brasil e o U.S. Customs and Border Protection (CBP), agência de fronteiras dos EUA. O acordo foi detalhado nesta sexta-feira (10), após reunião de autoridades dos dois países no Ministério da Fazenda.


Brasil e Estados Unidos firmam acordo para o combate ao tráfico de armas e drogas.

Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil


Troca de dados para rastrear rotas e vínculos

Segundo o ministro Dario Durigan, ao facilitar o “compartilhamento qualificado de informações”, Brasil e EUA passam a ter melhores condições de executar ações articuladas não apenas no destino, mas também na origem das cargas ilícitas.

Trata-se de um passo relevante que estamos dando após a conversa entre Lula e Trump, visando o combate ao crime organizado nos dois países

Dario Durigan

De acordo com o ministro, o compartilhamento recíproco de informações será implementado nas aduanas dos dois países.

Raio-x e mudança de estratégia de quadrilhas

O acordo prevê que apreensões de drogas, armas ou peças de armas em contêineres de navios e em aeroportos possam alimentar as investigações, permitindo a identificação e a troca de informações sobre métodos de ocultação que vêm se tornando mais sofisticados.

O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que tecnologias recentes com uso de raio-x em contêineres têm contribuído para elevar a quantidade de apreensões de peças destinadas à montagem de armamentos. Segundo ele, do lado brasileiro, todos os contêineres que saem são escaneados.

Conforme explicou, a maior facilidade de identificação por raio-x tem levado organizações criminosas transnacionais a alterar a forma de envio, apostando no despacho de componentes em vez de armamentos completos, o que tem impulsionado a alta nas apreensões de peças.

Números de apreensões nas aduanas

A reunião com as autoridades dos EUA contou também com a participação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Segundo ele, mais de 1,1 mil armas e peças de armamentos foram apreendidos nos últimos 12 meses nas aduanas brasileiras.

Ele acrescentou que, no primeiro trimestre de 2026, foram apreendidas mais de 1,5 mil toneladas de drogas vindas dos EUA. De acordo com a PF, as drogas apreendidas eram basicamente sintéticas e haxixe.

Programa Desarma amplia rastreamento internacional

Entre as principais entregas do acordo está o lançamento do Programa Desarma, sistema informatizado da Receita Federal que amplia a capacidade de rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis.

Sempre que a aduana brasileira identifica produtos de origem americana relacionados a armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros itens sensíveis — e o mesmo ocorre no sentido inverso —, a ferramenta registra e organiza “dados estratégicos das apreensões”.

Entre as informações registradas estão material, origem declarada, dados logísticos da carga e possíveis identificadores ou números de série. Esses elementos permitem rastrear a origem dos produtos e contribuir para o mapeamento de redes ilícitas do comércio internacional de armas.

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