IPCA de março sobe 0,88% e supera previsões, aumentando pressão sobre governo e BC

Índice divulgado pelo IBGE veio acima do esperado pelo mercado; alta de alimentos no domicílio e combustíveis puxou surpresa e pode levar a revisões nas projeções para 2026

10/04/2026 às 10:41 por Redação Plox

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de março registrou alta de 0,88%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 10, pelo IBGE. O resultado amplia a pressão sobre o governo, diante da escalada dos preços dos combustíveis em decorrência da guerra no Oriente Médio, e também sobre o Banco Central, que pode ser levado a reduzir o tamanho do ciclo de queda de juros ou até mesmo a interromper o processo de redução de forma abrupta.

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Foto: Divulgação



Surpresa acima do esperado pelo mercado

O mercado esperava uma alta de até 0,76% no IPCA. A surpresa, de acordo com Leonardo Costa, economista do ASA, veio principalmente do aumento no preço da alimentação no domicílio e dos combustíveis, sinalizando uma inflação mais pressionada na ponta.

O dado de março reforça que temos sido surpreendidos pela inflação no curto prazo. Parte desse movimento já reflete efeitos do cenário externo, mais evidentes em combustíveis e começando a aparecer, ainda que de forma incipiente, em alimentos, via aumento do frete, efeito secundário da alta do diesel.Leonardo Costa, economista do ASA

Projeções sobem e meta fica mais distante

Com o resultado de março, a avaliação é de que as projeções para 2026 tendem a ser revistas. Leonardo Costa afirmou que sua estimativa para o IPCA do ano, atualmente em 4,6%, deve subir. O movimento ocorre em um contexto em que economistas já projetam o índice acima de 4,5%, o teto da meta.

Combustíveis no centro da pressão e risco de efeito em cascata

A disparada da inflação também tem potencial de afetar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o texto, as medidas anunciadas para conter o aumento no preço do diesel ainda não produziam efeito no valor cobrado nas bombas, mantendo a pressão sobre o custo do transporte e abrindo espaço para um efeito em cadeia sobre outros produtos no curto prazo.

BC pode reduzir ritmo dos cortes de juros

O avanço do IPCA reforça a pressão sobre o Banco Central. Com isso, diminui a chance de a equipe de Gabriel Galípolo acelerar o ritmo de cortes para 0,5 ponto percentual, enquanto o mercado passa a discutir se a próxima redução poderá ser uma das últimas do ano.

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