IPCA sobe 0,88% em março e inflação em 12 meses vai a 4,14%, acima do esperado

Alta foi puxada por Transportes e Alimentação, com forte avanço dos combustíveis; governo anuncia pacote para conter pressão nos preços

10/04/2026 às 09:41 por Redação Plox

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, avançou 0,88% em março, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado de 12 meses, a alta chegou a 4,14%.

O resultado veio acima do esperado pelo mercado. A projeção dos economistas era de alta de 0,7% no mês e de inflação acumulada de 4% em 12 meses. Em março de 2025, a variação havia sido de 0,56%.


A expectativa dos economistas era de avanço de 0,7% no mês e de inflação acumulada de 4% em 12 meses.

A expectativa dos economistas era de avanço de 0,7% no mês e de inflação acumulada de 4% em 12 meses.

Foto: Freepik


Índice segue dentro do intervalo de tolerância da meta

Mesmo com a aceleração, o indicador permanece dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, o objetivo é manter o IPCA em 3%, com limite máximo de 4,5%.

Desde o ano passado, a meta passou a ser contínua, com acompanhamento mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.

Transportes e alimentação concentram 76% da alta do mês

Em março, os principais destaques do IPCA foram os grupos Transportes e Alimentação e bebidas. Transportes subiu 1,64% e respondeu por 0,34 ponto percentual (p.p.) do índice. Já Alimentação e bebidas avançou 1,56%, com impacto de 0,33 p.p.

Juntos, os dois grupos concentraram 76% da inflação registrada em março.

Veja o resultado dos grupos do IPCA:

  • Alimentação e bebida: 1,56%;
  • Habitação: 0,22%;
  • Artigos de residência: 0,51%;
  • Vestuário: 0,46%;
  • Transportes: 1,64%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,42%;
  • Despesas pessoais: 0,65%;
  • Educação: 0,02%;
  • Comunicação: 0,19%.

Combustíveis puxam aceleração em Transportes

Os preços do grupo Transportes aceleraram em março. A alta passou de 0,74% em fevereiro para 1,64%, impulsionada principalmente pelo aumento dos combustíveis, que subiram 4,47% no período.

A gasolina teve papel central no resultado: após cair 0,61% em fevereiro, o preço subiu 4,59% em março e foi o item que mais pressionou a inflação do mês, com impacto de 0,23 p.p. no IPCA.

O óleo diesel também registrou forte alta, passando de 0,23% em fevereiro para 13,90% em março, com impacto de 0,03 p.p. Já o etanol subiu 0,93%, enquanto o gás veicular caiu 0,98%.

Diante da pressão exercida pelos combustíveis sobre a inflação, o governo federal anunciou nesta semana um pacote de medidas para tentar conter a alta dos preços. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o custo total das ações será de R$ 30,5 bilhões.

Passagens aéreas sobem, mas em ritmo menor

Entre os serviços de transporte, as passagens aéreas continuaram em alta, porém com desaceleração: o aumento passou de 11,4% em fevereiro para 6,08% em março.

As tarifas de ônibus urbano tiveram alta de 1,17%, refletindo reajustes em algumas cidades e mudanças nas regras de gratuidade ou descontos em domingos e feriados.

Outros serviços de transporte apresentaram variações mais moderadas. A tarifa de táxi subiu 0,26%, o metrô teve alta de 0,67% e o ônibus intermunicipal avançou 0,22%.

Alimentos consumidos em casa avançam com força

O grupo Alimentação e bebidas registrou forte alta em março. A variação passou de 0,26% em fevereiro para 1,56% no mês seguinte.

Grande parte do avanço veio dos alimentos consumidos em casa, que subiram 1,94%, após alta de 0,23% no mês anterior.

Entre os itens que mais encareceram estão:

  • Tomate: 20,31%
  • Cebola: 17,25%
  • Batata-inglesa: 12,17%

Por outro lado, alguns produtos ficaram mais baratos:

  • Maçã: -5,79%
  • Café moído: -1,28%

Despesas pessoais e saúde também têm alta

Outro grupo com avanço relevante foi o de Despesas pessoais, que subiu 0,65%. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento de ingressos para cinema, teatro e concertos, que avançaram 3,95% após o fim da “Semana do Cinema”, realizada em fevereiro.

No grupo Saúde e cuidados pessoais, os preços subiram 0,42%, com destaque para os planos de saúde, que registraram alta de 0,49%.

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