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O endividamento das famílias brasileiras voltou a subir em maio e alcançou o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, a Peic. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 81,6% das famílias relataram ter algum tipo de dívida no mês, ante 80,9% em abril.
Cartões de crédito (Imagem ilustrativa)
Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
O avanço representa o quinto mês seguido de alta no indicador. Em maio de 2025, a proporção era de 78,2%. A pesquisa considera dívidas a vencer em modalidades como cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.
A fatia de famílias com contas ou dívidas em atraso subiu de 29,7% em abril para 29,9% em maio. Na comparação com maio do ano passado, quando o índice era de 29,5%, também houve aumento. Já o percentual de famílias que dizem não ter condições de pagar os débitos vencidos ficou estável em 12,3%.
O cartão de crédito segue como a principal modalidade usada pelas famílias endividadas, citado por 84,6% delas. O dado preocupa porque essa é uma das linhas de crédito mais caras do mercado. No levantamento mais recente do Banco Central sobre abril, a taxa média de juros do crédito livre às pessoas físicas chegou a 63% ao ano, com destaque para a alta do cartão rotativo.
A inadimplência entre famílias com renda de até três salários mínimos chegou a 38,6% em maio, com alta de 1,7 ponto percentual em relação ao mês anterior, segundo a CNC. O grupo é mais vulnerável ao aperto no orçamento, especialmente quando depende de crédito de curto prazo para fechar as contas do mês.
O percentual de famílias que se consideram “muito endividadas” chegou a 17% em maio, o maior nível desde junho de 2024. Ao mesmo tempo, a CNC apontou aumento dos prazos de pagamento: 33,3% das famílias tinham dívidas por mais de um ano. O comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 29,3%.
Entre os inadimplentes, 49,3% disseram ter débitos vencidos há mais de 90 dias, a menor proporção registrada neste ano. O tempo médio de atraso caiu para 65 dias, mas a manutenção do endividamento em patamar recorde indica que o crédito segue pressionando o orçamento familiar e pode limitar a capacidade de consumo nos próximos meses.