Ministério da Saúde suspende vacina contra a dengue do Butantan; duas mortes são investigadas
Medida temporária mira investigação de casos graves; pasta afirma que não há conclusão de que 42 reações adversas tenham sido causadas pelo imunizante
A morte de uma moradora de Paranapanema (SP), registrada em 1º de março de 2026, passou a ser investigada como óbito suspeito após a aplicação da vacina contra a dengue Butantan-DV. A filha da vítima, a auxiliar Daiane Diniz, afirma que a mãe não recebeu a assistência adequada no hospital municipal onde trabalhava e aponta possível negligência no atendimento inicial, antes da transferência para Avaré.
Imunizante contra a dengue produzido pelo Instituto Butantan
Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
De acordo com relato apresentado pela família, Ângela Diniz Marques, de 48 anos, recebeu a dose em 29 de janeiro por ser funcionária do Hospital Municipal Leonardo Van Melis. Por volta de 13 de fevereiro, ela teria começado a apresentar sintomas como manchas pelo corpo, dores, mal-estar e vômitos, e buscou atendimento na unidade local, onde recebeu medicação para náuseas e foi liberada. A filha sustenta que a situação se agravou nas horas seguintes e que houve falhas na condução do caso.
A família relata que Ângela precisou ser levada novamente ao hospital municipal e depois foi transferida para a Santa Casa de Misericórdia de Avaré. Segundo as informações mencionadas pela filha, a paciente teria dado entrada com hipóteses clínicas como meningite e AVC, e posteriormente o quadro foi analisado também sob a suspeita de complicações pós-vacinais. O laudo necroscópico ainda não havia sido divulgado; a previsão informada é de saída em julho de 2026.
Antes do falecimento, a família registrou boletim de ocorrência e o caso passou a ser apurado pela Polícia Civil, sob a linha de investigação de lesão corporal, segundo o relato da filha. Procurada pela emissora regional que repercutiu o caso, a Prefeitura de Paranapanema informou que abriu sindicância para apurar as alegações, em procedimento que tramita sob sigilo, e afirmou seguir as orientações do Ministério da Saúde e da Anvisa sobre a vacinação.
Aplicação da vacina contra a dengue é interrompida
Foto: Divulgação/Instituto Butantan
O caso ocorre no mesmo momento em que o Ministério da Saúde anunciou, em 8 de junho de 2026, a descontinuação temporária da estratégia atual de vacinação com a Butantan-DV, como medida de precaução após o registro de 42 casos com sinais de alerta que serão investigados. A pasta reforçou que, até o momento, não é possível afirmar relação causal entre os óbitos em apuração e a vacina.
A Anvisa informou que vai instituir um painel de especialistas para aprofundar a investigação epidemiológica sobre a vacina do Instituto Butantan. Já o Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas, especialmente nos 21 dias após a aplicação, procurem atendimento em caso de agravamento ou sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura e piora do estado geral.
Procurados, órgãos estaduais de segurança e as instituições envolvidas podem atualizar as informações conforme a apuração avance e laudos forem concluídos. Até lá, o caso segue sob investigação, sem conclusão oficial sobre causa e eventual nexo com a vacinação.