Transparência Internacional acusa governo Lula de escalada de assédio após críticas a obras federais

ONG reage a nota da Casa Civil que a chama de 'investigada pela PF', contesta uso político de supostas informações sigilosas e cita arquivamento de apuração no STF por falta de indícios de crime

11/01/2026 às 09:08 por Redação Plox

A Transparência Internacional tornou pública uma carta em que critica o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirma enfrentar uma “escalada de assédio vinda de membros do governo brasileiro”. O texto é uma reação direta à nota divulgada pela Casa Civil, comandada pelo ministro Rui Costa (PT), que classificou a entidade como “ONG investigada pela Polícia Federal”.

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Luiz Inácio Lula da Silva


Conflito após levantamento sobre obras federais

A carta foi divulgada na sexta-feira (9), dias depois de o governo petista questionar um levantamento da organização sobre obras federais. Em nota à imprensa, a Casa Civil desqualificou o estudo e se referiu à Transparência Internacional como “ONG investigada pela Polícia Federal”.

Ao responder ao governo brasileiro, a entidade apontou tentativas do Planalto de deslegitimar o trabalho de apuração de dados do Executivo, relacionando os ataques às críticas que vem fazendo à gestão.

“Escalada de assédio” e preocupação da entidade

No documento, a Transparência Internacional afirma manifestar “extrema preocupação” com o cenário atual. Para a organização, há uma escalada de assédio contra seu capítulo brasileiro, alimentada por acusações sem comprovação e por declarações atribuídas a motivações políticas.

O texto também ressalta que esses ataques ocorrem apesar de o próprio governo federal, em diferentes ocasiões, ter sublinhado o papel essencial de organizações da sociedade civil na formulação de políticas públicas, na tomada de decisões e na prevenção da corrupção, sobretudo em programas de investimentos públicos de grande porte.

Gravidade da acusação de investigação policial

A ONG destaca como “de particular gravidade” a afirmação da Casa Civil de que a entidade estaria sob investigação pela Polícia Federal. Segundo a Transparência Internacional, não há registro público de inquérito nesse sentido, nem qualquer notificação formal sobre eventual investigação.

Na avaliação da organização, a inexistência de documentação que comprove a acusação levanta dúvidas sobre a origem da informação e sobre a forma como estaria sendo usada em um embate político. A carta questiona se um órgão federal poderia admitir conhecimento de suposta ação policial e se dados sigilosos estariam sendo evocadas de maneira imprópria com fins políticos.

Denúncias de assédio judicial e atuação do STF

Desde 2024, a Transparência Internacional afirma ser alvo de assédio judicial no Brasil. Em fevereiro daquele ano, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu investigação para apurar suposto recebimento de recursos públicos pela organização em acordos de leniência, mecanismo utilizado em colaborações de empresas com a Justiça.

A entidade negou a acusação e sustentou que as informações eram falsas. Em outubro de 2024, o procedimento foi arquivado após a Procuradoria-Geral da República (PGR) concluir que não havia elementos que indicassem a prática de crime por parte da organização.

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