PF entrega ao STF relatório sobre celular de Daniel Vorcaro; arquivos citam Toffoli
Dados extraídos do aparelho do controlador do Banco Master foram enviados à Presidência do Supremo, sob o gabinete de Edson Fachin; inquérito é relatado por Dias Toffoli e há pedido ligado à suspeição do ministro, enquanto o conteúdo segue sob sigilo
11/02/2026 às 23:05por Redação Plox
11/02/2026 às 23:05
— por Redação Plox
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A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um relatório com dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O material, enviado à Presidência da Corte, reúne arquivos e mensagens obtidos na perícia do aparelho e inclui menções ao ministro Dias Toffoli, relator do inquérito que investiga suspeitas ligadas ao Banco Master.
Vorcaro e Dias Toffoli
Foto: Redes Sociais / STF
Os documentos foram remetidos ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, e desencadearam uma nova frente de tensão institucional. Além do relatório pericial, a PF levou ao Supremo um pedido relacionado à suspeição de Toffoli no caso, o que colocou sob escrutínio a permanência do ministro à frente das investigações.
Relatório da PF cita Toffoli e chega à Presidência do STF
De acordo com apuração mencionada na reportagem original, a perícia no celular de Vorcaro identificou menções ao nome de Dias Toffoli em conteúdos armazenados no aparelho. Após a análise, esse material foi encaminhado à Presidência do STF, passando a ser tratado no âmbito do gabinete do ministro Edson Fachin.
Paralelamente, foi divulgado que a PF apresentou ao Supremo um pedido para declarar a suspeição de Toffoli no inquérito do Banco Master, justamente com base na existência dessas menções identificadas no celular periciado. Em blogs e reportagens, também foi registrada a informação de que investigadores relataram a existência de mensagens que “teriam menções” a pagamentos envolvendo o ministro. Até o momento, porém, esses pontos não constam de forma detalhada em documentos públicos e seguem sob sigilo, segundo as mesmas reportagens.
O material periciado integra o inquérito que apura suspeitas de fraudes relacionadas ao Banco Master, no contexto da Operação Compliance Zero. Em janeiro, foi noticiado que Daniel Vorcaro se recusou a fornecer a senha do celular durante depoimento prestado à PF e à Procuradoria-Geral da República, em oitiva realizada no STF por determinação do próprio relator do caso, ministro Toffoli.
Reação do gabinete de Toffoli e disputa sobre suspeição
O avanço do caso ocorreu em meio à contestação formal do gabinete do ministro. Em nota divulgada na noite de 11 de fevereiro, a equipe de Toffoli afirmou que o pedido de suspeição apresentado pela PF se baseia em “ilações” e defendeu que a instituição “não tem legitimidade” para formular esse tipo de requerimento, por não ser parte no processo, com referência ao artigo 145 do Código de Processo Civil.
O gabinete também informou que, quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será encaminhada por Toffoli ao presidente do STF, Edson Fachin. Na prática, o ponto central do embate passa a ser a própria atuação da PF na provocação sobre a suspeição e o alcance da competência da Corte para definir se o relator permanece ou não no caso.
Conteúdo do celular segue sob sigilo e em apuração
Até agora, o teor exato das mensagens e arquivos mencionados nas reportagens não foi divulgado oficialmente. Há informações sob segredo de Justiça, o que impede a exposição pública de detalhes sobre o contexto e a autoria das conversas.
Assim, o significado preciso das menções a Toffoli, bem como sua eventual relação com pagamentos ou outros atos investigados, permanece como informação ainda em apuração. A confirmação ou não dessas suspeitas dependerá de decisões judiciais e de possíveis manifestações formais do STF, da PF ou da PGR.
Possíveis efeitos no inquérito do Banco Master
A entrega do relatório pericial e o pedido de suspeição podem produzir uma série de efeitos no andamento do inquérito sobre o Banco Master. Um desdobramento possível é a abertura formal de um incidente de suspeição ou impedimento, o que poderia levar à redistribuição do caso e alterar o ritmo e a estratégia processual no Supremo.
Do ponto de vista institucional, o episódio envolve diretamente a PF, a Presidência do STF e o gabinete do relator, elevando a sensibilidade do tema e exigindo decisões formais e fundamentadas. Já no campo investigativo, a perícia em celulares e a análise de comunicações podem ampliar as linhas de apuração, com potenciais novos pedidos de diligências, oitivas e medidas cautelares, a depender do que for validado nos autos.
Próximos passos e decisões esperadas
Caberá ao presidente do STF receber, analisar e decidir sobre o processamento do pedido que envolve a suspeição de Toffoli, dentro das regras internas da Corte. Paralelamente, o ministro deverá apresentar sua manifestação formal à Presidência, como anunciado pelo próprio gabinete.
Enquanto parte do material permanecer protegida por sigilo, a confirmação pública de conteúdo, contexto e impacto das menções a Toffoli dependerá de eventuais decisões sobre levantamento de sigilo ou de novas comunicações oficiais dos órgãos envolvidos. Até lá, o relatório da PF sobre o celular de Vorcaro e suas referências ao ministro seguirá como eixo central de tensão e expectativa no STF.