Deputadas conservadoras criticam Erika Hilton após eleição para presidir Comissão da Mulher

Eleita em votação considerada polêmica, a deputada do PSOL-SP enfrenta contestação sobre legitimidade e representatividade no colegiado; aliados defendem foco no combate à violência e na garantia de direitos.

11/03/2026 às 22:44 por Redação Plox

A eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, realizada em 11/03/2026, desencadeou uma onda de críticas entre deputadas e lideranças conservadoras. O principal ponto de contestação é a representatividade de Hilton à frente de um colegiado voltado às políticas para mulheres, enquanto aliados defendem que o foco da comissão deve permanecer no enfrentamento à violência e na garantia de direitos.

Erika Hilton

Erika Hilton

Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados


Disputa política e simbólica na eleição

A comissão foi instalada e, no mesmo dia, realizou a eleição da mesa. Segundo registro oficial da Câmara, uma chapa única foi submetida à votação e recebeu 21 votos, sendo 11 favoráveis e 10 em branco. Com esse resultado, Erika Hilton assumiu a presidência do colegiado.

Também foram eleitas para a mesa a deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), como 1ª vice-presidente; Delegada Adriana Accorsi (PT-GO), como 2ª vice; e Socorro Neri (PP-AC), como 3ª vice.

A escolha de Hilton ganhou repercussão imediata por envolver um embate político e simbólico. Parlamentar trans, ela passou a ser alvo de críticas de setores conservadores, que consideram inadequado que uma comissão dedicada aos direitos das mulheres seja comandada por seu nome. De outro lado, apoiadores destacam o caráter histórico da eleição e defendem que a agenda central do colegiado seja a formulação de políticas públicas, especialmente voltadas à proteção contra a violência.

Posicionamento interno na Comissão da Mulher

Na cobertura institucional da Câmara, a eleição é descrita como parte do rito de instalação da comissão, com referência a uma “votação polêmica”. O registro destaca que houve divergências, mas confirma o resultado que levou Erika Hilton à presidência.

Eleita 1ª vice-presidente, Laura Carneiro defendeu que o trabalho do colegiado esteja voltado às necessidades concretas da população feminina, com atuação acima de disputas ideológicas.

O foco do trabalho deve ser a vida das mulheres brasileiras, “independentemente de ideologias”.

Laura Carneiro

O documento de ordem do dia da comissão detalha o placar da votação e formaliza a composição da mesa, registrando os 10 votos em branco. Parte da oposição utilizou esse recurso como forma de protesto à escolha de Hilton para o comando do colegiado.

Críticas conservadoras à presidência de Erika Hilton

A reação de parlamentares e lideranças conservadoras se concentrou na contestação à legitimidade de Erika Hilton para representar a pauta das mulheres na Câmara. O volume de votos em branco e as manifestações públicas após a sessão indicam a intenção de marcar posição política contra sua eleição.

Esse movimento reforça a tendência de que a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher se torne um espaço permanente de disputa entre grupos conservadores e parlamentares aliados à nova presidente. A crítica ao comando de Hilton aparece vinculada à sua identidade de gênero, enquanto seus defensores insistem que a agenda do colegiado deve priorizar violência de gênero, políticas de proteção e direitos das mulheres.

Consequências para a agenda legislativa

Na prática, a presidência da comissão tem peso na definição de prioridades, na escolha de temas para audiências públicas, na articulação de votações internas e na construção do calendário de trabalho. Com Erika Hilton na liderança, a expectativa é de atenção ampliada a violência de gênero, políticas de proteção e debates sobre direitos e identidade de gênero, o que tende a intensificar choques com bancadas conservadoras ao longo de 2026.

No campo político mais amplo, as críticas e os votos em branco funcionam como sinal de que o colegiado pode se transformar em palco frequente de embates discursivos, com sessões tensionadas e disputas sobre quais projetos avançam ou travam.

Para o público, as decisões e encaminhamentos da comissão podem repercutir em propostas e políticas de combate à violência doméstica, fortalecimento da rede de proteção, ações na área de saúde e outras medidas ligadas aos direitos das mulheres. A extensão concreta desses impactos dependerá dos projetos que forem pautados e do grau de conflito interno ao longo do ano legislativo.

Próximos passos e cenário em disputa

Com a mesa definida e a presidência de Erika Hilton formalizada, a atenção agora se volta à pauta inicial da comissão. A expectativa é acompanhar os primeiros requerimentos sob a nova direção — como convites a autoridades, audiências públicas, pedidos de informação e definição do calendário de trabalho.

Ao mesmo tempo, a reação de deputadas e lideranças conservadoras à escolha da nova presidente pode gerar representações, questionamentos regimentais e mobilizações políticas dentro e fora da Câmara. Esse ambiente tende a se refletir também no plenário e nas redes sociais, onde críticas à presença de Hilton no comando da Comissão da Mulher devem continuar a ser exploradas por opositores e respondidas por aliados.

Nesse contexto, a disputa em torno da presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher se torna um dos eixos simbólicos da atuação da Câmara em 2026, com o comando de Erika Hilton alvo direto de contestação e monitoramento por parte de grupos conservadores e movimentos ligados à pauta de gênero.

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