Anvisa decide na quarta se mantém suspensão de lote de limpeza da Ypê após recurso
Inspeção na unidade da Química Amparo apontou falhas e risco sanitário; agência recomenda parar de usar lotes final 1
11/05/2026 às 05:50por Redação Plox
11/05/2026 às 05:50
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve avaliar, nesta semana, se mantém a interrupção na fabricação e na venda de um lote de produtos de limpeza da marca Ypê. A análise ocorre após a empresa apresentar recurso administrativo, o que suspendeu automaticamente os efeitos da decisão até o caso ser apreciado.
A medida se baseia em uma inspeção sanitária feita no fim de abril na unidade da Química Amparo, fabricante da Ypê, localizada em Amparo, no interior de São Paulo. A fiscalização reuniu técnicos da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da Vigilância Sanitária do município e se estendeu por quatro dias, com verificação das condições de produção.
Imagens do relatório mostram a inspeção sanitária realizada no fim de abril na fábrica da Ypê
Foto: Reprodução
O que a inspeção apontou na fábrica
Imagens incluídas no relatório de inspeção registram equipamentos usados na fabricação de detergente e lava-roupas com sinais de corrosão. O documento também descreve o estado de conservação de um tanque utilizado na manipulação de produtos para lava-louças.
Na mesma unidade, segundo o relatório, fiscais identificaram restos de produtos armazenados e devolvidos sendo reconduzidos às linhas de envase.
Decisão publicada e riscos mencionados pela agência
A Anvisa publicou a decisão na última quinta-feira e informou que, durante a inspeção, foram identificados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.
A avaliação do órgão é de que os achados comprometem requisitos essenciais de boas práticas de fabricação de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de contaminação microbiológica e presença indesejada de micro-organismos patogênicos.
De acordo com a agência, o risco foi associado apenas aos lotes com numeração final 1 de lava-louças, lava-roupas líquido e desinfetante.
Orientação a consumidores e alerta ao comércio
Para consumidores, a Anvisa recomendou que quem tiver em casa produtos dos lotes indicados interrompa o uso imediatamente e procure o serviço de atendimento ao consumidor da empresa para orientações sobre o procedimento de recolhimento.
A recomendação se estende ao comércio: mercados, supermercados e estabelecimentos similares devem separar esses lotes e não colocá-los à venda.
Resultados microbiológicos e avaliação de risco
O relatório de inspeção afirma que, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, a empresa obteve resultados fora de especificação microbiológica, incluindo testes positivos para pseudomonas aeruginosa, bactéria indicada no documento como encontrada em 80 lotes de produtos acabados. Conforme o texto, esses lotes não teriam sido reprovados pelo controle de qualidade e estariam armazenados no almoxarifado de produtos acabados, aguardando uma definição financeira.
Ao final, a inspeção concluiu que o conjunto das irregularidades observadas configura um quadro crítico, classificado como de risco sanitário elevado, com necessidade de medidas corretivas e preventivas imediatas, sob pena de comprometimento da saúde dos consumidores e agravamento de sanções sanitárias.
A Anvisa também alertou que produtos de limpeza contaminados por bactérias podem provocar infecções na pele e nos olhos e problemas respiratórios, especialmente em pessoas vulneráveis, como idosos e imunossuprimidos.
Recurso da empresa e posição da vigilância paulista
Na sexta-feira, a Ypê entrou com recurso administrativo, suspendendo automaticamente a medida até a análise do caso. Em nota, o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo informou que a avaliação técnica sobre o risco sanitário segue mantida e que a apresentação do recurso cumpre o rito previsto na legislação, sem alterar, até o momento, a análise resultante da inspeção. O órgão reforçou que a recomendação aos consumidores é não utilizar os produtos alcançados pela medida sanitária.
Resposta da Ypê e paralisação da produção
Em nota enviada ao Fantástico, a Ypê declarou que a inspeção recente da Anvisa não encontrou contaminação em seus produtos. A empresa afirmou que possui controle de qualidade para identificar e descartar itens que não atendam ao padrão exigido internamente.
A fabricante também disse que as fotos divulgadas retratam áreas sem contato com os produtos da marca. Segundo a empresa, os locais fazem parte de um plano de melhorias na fábrica, alinhado com a Anvisa desde o ano passado, e mais da metade das ações já teria sido executada.
De acordo com a Ypê, a produção nessa unidade permanece paralisada desde quinta-feira, com o objetivo de acelerar as adequações exigidas pela agência. A empresa ainda reiterou seu compromisso de 75 anos como uma companhia 100% nacional, com foco em oferecer produtos de qualidade a preço justo.
Imagens do relatório mostram a inspeção sanitária realizada no fim de abril na fábrica da Ypê
Foto: Reprodução
Anvisa decide na quarta-feira
A diretoria da Anvisa deve analisar o caso na próxima quarta-feira, quando o colegiado discutirá de forma definitiva a manutenção ou não das medidas em avaliação.
“Foi feita toda essa investigação, toda essa análise. Então, tem os pareceres que foram feitos tecnicamente. Veja, a Anvisa segue a boa técnica, segue a ciência e segue a melhor metodologia. É assim que ela faz esse processo. (...) Quando a gente faz esse tipo de ação, a gente dá o direito da ampla defesa para a empresa. (...) Esse direito de ampla defesa foi exercido agora com o pedido que a empresa fez de suspensão desse efeito. Foi dada essa suspensão. É automático esse processo de concessão dessa suspensão. Só que nós vamos analisar essa questão de forma bem definitiva agora, na quarta-feira, na próxima reunião de colegiado da Anvisa” Leandro Pinheiro Safatle, diretor-presidente da Anvisa
Imagens do relatório mostram a inspeção sanitária realizada no fim de abril na fábrica da Ypê