São Paulo inicia campanha contra sarampo e febre amarela com foco em turistas e grandes centros

Primeira fase da vacinação vai de 12 a 16 de janeiro para público de 12 meses a 59 anos; ação integra doses contra sarampo e febre amarela após registro de 57 casos e 34 mortes no estado em 2025

12/01/2026 às 06:09 por Redação Plox

Tem início nesta segunda-feira (12) a campanha de vacinação contra o sarampo no estado de São Paulo. A estratégia prioriza áreas de grande circulação de pessoas, com foco inicial na capital paulista. Na segunda fase, a ação será direcionada a profissionais que trabalham com turismo.

De acordo com o Ministério da Saúde, a mobilização será articulada com a vacinação contra a febre amarela e deve alcançar outros estados do país. A capital paulista é considerada ponto estratégico por concentrar grande fluxo de turistas internacionais e maior risco de reintrodução do vírus.

A cidade de São Paulo recebe muitos turistas internacionais, é um dos polos de importação de sarampo, sobretudo por conta da explosão de casos que acontece na América do Norte desde o ano passado, afirmou o ministro em entrevista à TV Globo. ministro da Saúde, Alexandre Padilha

No ano passado, o estado de São Paulo registrou dois casos de sarampo em pessoas que adoeceram após viagens ao exterior. Um desses casos importados ocorreu em abril e o outro, em dezembro, em um paciente de 27 anos, não vacinado, que esteve nos Estados Unidos, país que contabilizou recorde de casos em 2025.


Vacina contra o sarampo

Vacina contra o sarampo

Foto: Divulgação/SES-TO

Cronograma e público-alvo da vacinação contra o sarampo

A campanha contra o sarampo será dividida em etapas para ampliar a cobertura e alcançar diferentes perfis de risco:

De 12 a 16 de janeiro – Primeira fase (público geral)

Pessoas de 12 meses a 59 anos que não têm comprovação de terem tomado uma dose recente da vacina contra o sarampo devem procurar os pontos de vacinação. A aplicação ocorrerá em locais de grande circulação, como terminais de ônibus, estações de metrô, shopping centers e escolas da capital.

De 19 a 23 de janeiro – Segunda fase (profissionais do turismo)

Nesta etapa, a campanha será voltada a grupos com maior contato com turistas e, portanto, maior risco de exposição, como taxistas e trabalhadores de hotéis.

24 de janeiro – Dia D de vacinação

Data reservada para mobilização intensa, com atendimento ao público-alvo em geral.


Profissionais de saúde preparam seringa para aplicação de vacina

Profissionais de saúde preparam seringa para aplicação de vacina

Foto: Ikamahã/Divulgação

Vacinação integrada contra a febre amarela

A mesma campanha também contempla a imunização contra a febre amarela. Em 2025, o estado de São Paulo confirmou 57 casos da doença, com taxa de letalidade de 59,6%, o que corresponde a 34 mortes, segundo o Painel de Monitoramento da Secretaria de Estado da Saúde.

A recomendação é para pessoas de 9 meses a 59 anos que não tenham tomado pelo menos uma dose da vacina contra a febre amarela. As doses serão aplicadas nos mesmos locais em que ocorrerá a vacinação contra o sarampo.


Profissionais de saúde preparam seringa para aplicação de vacina

Profissionais de saúde preparam seringa para aplicação de vacina

Foto: Ikamahã/Divulgação

Distribuição de doses e cobertura vacinal

Para a campanha no estado de São Paulo, o Ministério da Saúde prevê a distribuição de:

Vacina contra sarampo

4.820.000 doses serão enviadas ao estado.

Vacina contra febre amarela

5.700.000 doses serão destinadas à imunização contra a doença.

Dados preliminares do Ministério da Saúde apontam que, desde 2025, na capital paulista já foram aplicadas:

• 439.500 doses da vacina contra o sarampo
• 416.500 doses da vacina contra a febre amarela

No conjunto do estado de São Paulo, desde 2025 foram aplicadas:

• 1.500.000 doses da vacina contra o sarampo
• 1.700.000 doses da vacina contra a febre amarela

Brasil mantém certificado de eliminação do sarampo

O sarampo é considerado o vírus respiratório com maior capacidade de transmissão conhecida. Por isso, a detecção precoce e o bloqueio vacinal em torno de casos suspeitos ou confirmados são apontados como medidas fundamentais para evitar surtos.

É importante fazer os bloqueios vacinais de quem vive com essa pessoa, quem circulou junto, além de isolar essa pessoa e tratar de forma adequada, disse o ministro da Saúde Alexandre Padilha. ministro da Saúde, Alexandre Padilha

Apesar do risco de importação de novos casos, o Brasil segue reconhecido internacionalmente como país que eliminou o sarampo. O certificado de eliminação foi concedido em 2012, perdido em 2020 e recuperado em 2024, após ações de retomada do programa de vacinação a partir de 2023.

Em 2025, o país registrou 38 casos importados de sarampo.

Outras frentes de prevenção e estados envolvidos

Além da vacinação, o Ministério da Saúde lista três eixos considerados essenciais para conter a reintrodução do vírus no país:

Alertas em fronteiras e aeroportos: viajantes que chegam ao Brasil recebem orientações sobre sintomas do sarampo e a importância da vacinação;
Capacitação de profissionais de saúde: equipes da rede assistencial são treinadas para reconhecer rapidamente suspeitas de sarampo e confirmar diagnósticos nos primeiros sinais;
Vigilância do SUS: uso de sistema integrado de monitoramento para evitar a disseminação de casos importados.

A campanha de vacinação contra o sarampo não se restringe a São Paulo. Estão previstas ações também no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e no Paraná, em calendário integrado.

Serviço: quem deve se vacinar e onde ir

Quem deve se vacinar

• Pessoas de 12 meses a 59 anos (sarampo)
• Pessoas de 9 meses a 59 anos (febre amarela)
• Quem não tem comprovação de ter recebido dose anterior das vacinas indicadas

Onde se vacinar

• Terminais de ônibus
• Estações de metrô
• Shopping centers
• Escolas
• Unidades de saúde

Datas da campanha integrada

• 12 a 16 de janeiro: público geral
• 19 a 23 de janeiro: profissionais que trabalham com turismo
• 24 de janeiro: Dia D de vacinação (sábado)

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