Dólar recua e mercado abre sob tensão entre Casa Branca e Fed, com avanço de acordo UE-Mercosul
Moeda americana inicia a semana em leve queda enquanto investidores monitoram ameaça de Trump a Jerome Powell, ajustes no Boletim Focus, reunião entre TCU e Banco Central sobre o Banco Master e a aprovação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.
12/01/2026 às 10:25por Redação Plox
12/01/2026 às 10:25
— por Redação Plox
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O dólar iniciou a sessão desta segunda-feira (12) em leve queda, recuando 0,13% por volta das 9h05, negociado a R$ 5,3565. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começa a ser negociado às 10h.
Os mercados abrem a semana sob forte tensão, diante dos ruídos entre a Casa Branca e o banco central dos Estados Unidos, o que aumenta a cautela dos investidores. A agenda desta segunda concentra falas de dirigentes do Fed e novos indicadores no Brasil.
Dólar, moeda norte-americana
Foto: Free Pik
Tensões entre Casa Branca e Fed aumentam cautela
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump ameaça indiciar Jerome Powell, dirigente do banco central americano, por declarações ao Congresso sobre um projeto de reforma de um edifício. Powell classificou a iniciativa como parte de uma pressão contínua do governo para interferir na política monetária.
Na véspera, ele afirmou que a investigação representa mais uma tentativa do presidente de influenciar as decisões do Fed e reiterou que não pretende ceder às pressões.
Com o quadro de confronto explícito, os discursos de membros do Fed ganham ainda mais peso nesta segunda-feira, em um momento de atenção redobrada sobre os próximos passos da política de juros nos Estados Unidos.
A partir das 14h30, Raphael Bostic, presidente do Fed de Atlanta, abre a série de pronunciamentos. Às 14h45 é a vez de Thomas Barkin, do Fed de Richmond, e, na sequência, John Williams, do Fed de Nova York, também se manifesta.
Agenda doméstica: Focus, Banco Central e TCU
No Brasil, a semana começa com a divulgação do Boletim Focus. A projeção para o IPCA de 2026 foi ajustada de 4,06% para 4,05%. Já as estimativas para 2027, 2028 e 2029 permanecem em 3,80%, 3,50% e 3,50%, respectivamente.
Na agenda interna, também está prevista para as 14h uma reunião entre o presidente do TCU, Vital do Rêgo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e diretores da autoridade monetária para tratar do impasse envolvendo o Banco Master.
Desempenho recente do dólar e do Ibovespa
Dólar
Acumulado da semana: -1,08%
Acumulado do mês: -2,25%
Acumulado do ano: -2,25%
Ibovespa
Acumulado da semana: +1,76%
Acumulado do mês: +1,39%
Acumulado do ano: +1,39%
Acordo UE-Mercosul avança após sinal verde europeu
Os países da União Europeia (UE) confirmaram na sexta-feira (9) a aprovação do acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para a criação daquela que pode ser a maior zona de livre comércio do mundo. A informação foi divulgada pelo Chipre, que atualmente ocupa a presidência rotativa do bloco.
Segundo a presidência cipriota, uma ampla maioria dos Estados-membro apoiou o tratado. Os países tinham até as 17h, no horário de Bruxelas (13h em Brasília), para registrar seus votos por escrito.
O acordo reduz ou elimina tarifas de importação e exportação entre os dois blocos. Para o Brasil, significa maior acesso ao mercado europeu, com cerca de 450 milhões de consumidores, beneficiando não apenas o agronegócio, mas também a indústria.
O tratado ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor. A decisão, porém, abre espaço para a assinatura formal do texto entre os blocos. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, a expectativa é que o Mercosul assine o acordo com a UE em 17 de janeiro.
Mesmo com o avanço, o tratado enfrenta resistência em países como França e Irlanda. Agricultores europeus temem que a entrada de produtos mais baratos do Mercosul aumente a concorrência e prejudique o setor agrícola local.
De forma geral, o acordo comercial prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas, além de estabelecer regras comuns em áreas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. As negociações se arrastam há mais de 25 anos.
Inflação fecha 2025 dentro da meta
A inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33% em dezembro e encerrou 2025 com alta de 4,26%, dentro do teto da meta definida pelo Banco Central.
O resultado ficou ligeiramente abaixo das projeções do mercado. No mês, os maiores aumentos partiram dos grupos transportes, saúde e artigos de residência, enquanto o segmento de habitação registrou queda.
No acumulado do ano, a alta de preços foi puxada principalmente por habitação, educação e saúde, com destaque para o reajuste da energia elétrica.
Mercado de trabalho dos EUA perde fôlego
O mercado de trabalho norte-americano mostrou sinais de desaceleração em dezembro. Foram criadas 50 mil vagas no mês, abaixo da expectativa de 60 mil novos postos. O movimento reflete maior cautela das empresas diante das tarifas e do aumento dos investimentos em inteligência artificial.
Apesar disso, a taxa de desemprego recuou para 4,4%. A queda tende a aliviar parte das preocupações do Fed sobre uma eventual fragilidade mais aguda do mercado de trabalho, em um momento em que investidores avaliam que o atual presidente do banco central, Jerome Powell, já realizou seu último corte de juros antes do fim do mandato, em maio.
Com isso, qualquer nova redução da taxa básica prevista para 2026 deve ficar a cargo de seu sucessor, que deve ser escolhido pelo presidente Donald Trump ainda neste mês.
Para economistas, o relatório de emprego sinaliza risco de demissões mais à frente. Um deles afirma que a fraca notícia sobre o crescimento do emprego não pode ser ignorada, destacando que as contratações seguem estagnadas e que o desempenho dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico não é animador.
Os empregadores nos Estados Unidos criaram 548 mil vagas em 2025, bem abaixo das cerca de 2 milhões abertas em 2024, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira.
O número de desempregados em busca de colocação há mais de seis meses agora supera um quarto do total. Já o contingente de trabalhadores em empregos de meio período por não encontrarem vaga em tempo integral aumentou de forma considerável em relação a alguns meses atrás.
Os dados reforçam a perspectiva de pressão contínua por novos cortes de juros sobre o Fed, mesmo com Powell ainda à frente da instituição. Ainda assim, apenas 30% do mercado enxergam probabilidade de uma nova redução até março.
Em análise recente, um estrategista do mercado financeiro avaliou que o Fed continuará aberto à possibilidade de que uma desaceleração mais profunda possa elevar a taxa de desemprego e outras medidas de ociosidade, o suficiente para justificar um corte em março, mas ponderou que o cenário base ainda aponta para manutenção dos juros até meados do ano.
Bolsas globais reagem a dados e cenário geopolítico
Em Wall Street, o foco recai sobre os números de emprego dos Estados Unidos — que podem influenciar diretamente as próximas decisões de juros do Fed — e sobre o avanço do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. As tensões políticas na Venezuela também seguem no radar dos investidores.
Perto das 15h30, as bolsas americanas operavam em alta. O índice Dow Jones subia 0,41%, o S&P 500 avançava 0,59% e o Nasdaq ganhava 0,75%.
Na Europa, o movimento também era de alta generalizada entre os principais índices. O salto das ações da Glencore ajudou a levar o STOXX 600 a um ganho de 1%, em sua maior sequência de valorizações semanais desde maio do ano passado.
O índice Financial Times, de Londres, avançou 0,80%; o DAX, em Frankfurt, subiu 0,53%; e o CAC-40, em Paris, ganhou 1,44%.
Na Ásia, as bolsas da China e de Hong Kong fecharam em alta, apoiadas em sinais de melhora da economia chinesa. Os preços ao consumidor voltaram a subir, diminuindo o temor de deflação e aumentando a expectativa de novos estímulos do governo para impulsionar a atividade.
Com o ambiente mais favorável, o principal índice da Bolsa de Xangai superou os 4.100 pontos, o maior patamar em cerca de 10 anos. As ações dos setores de materiais, indústria e tecnologia lideraram as altas.
Outros mercados asiáticos tiveram desempenho misto: Tóquio, Seul e Hong Kong registraram ganhos, enquanto Taiwan e Sydney encerraram o pregão em leve queda.