Banco do Brasil registra calote de R$ 3,6 bilhões de uma única empresa e vê inadimplência subir
Banco atribui alta a uma empresa do atacado; lucro de 2025 soma R$ 20,7 bilhões, com queda de 45,4% ante 2024
12/02/2026 às 17:27por Redação Plox
12/02/2026 às 17:27
— por Redação Plox
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O Banco do Brasil informou que uma empresa do segmento atacadista deixou de honrar uma dívida de R$ 3,6 bilhões no quarto trimestre de 2025, impacto que pesou sobre os resultados divulgados na quarta-feira (11).
Dinheiro em espécie
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Com o calote, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,17%, acima dos 4,51% registrados no terceiro trimestre e bem acima dos 3,16% de um ano antes. Segundo o banco, sem esse caso específico, o indicador ficaria em 4,88%.
Esse índice mostra a fatia das operações de crédito em atraso por mais de 90 dias e funciona como um termômetro da saúde da carteira dos bancos, ao sinalizar o risco de perdas e a capacidade de recuperação dos empréstimos concedidos.
Inadimplência concentrada em caso isolado
No balanço, o Banco do Brasil aponta que o avanço da inadimplência está ligado a um episódio específico na carteira de Títulos e Valores Mobiliários, relacionado a uma empresa do atacado, cujo nome não foi revelado.
Os números foram apresentados após o fechamento dos mercados. Na quinta-feira seguinte, por volta das 16h, as ações do banco subiam 2,77%.
Lucro cai 45,4% em 2025
Em 2025, o Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, dentro da faixa revisada pela própria instituição, entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões. O resultado representa uma queda de 45,4% em relação a 2024.
Inicialmente, o banco havia projetado lucro entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões para 2025, mas suspendeu a previsão em maio. Em agosto, a estimativa foi atualizada para um intervalo de R$ 21 bilhões a R$ 25 bilhões e, em novembro, houve nova redução.
Ao longo de 2025, a presidente-executiva do BB, Tarciana Medeiros, frisou que o ano seria de ajustes, em meio ao aumento da inadimplência em parte da carteira do agronegócio e à adoção de novas regras contábeis.
No quarto trimestre, o banco registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, queda de 40,1% em relação ao mesmo período de 2024, mas alta de 51,7% frente ao terceiro trimestre, superando as projeções de mercado, que apontavam para R$ 4,5 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG.
Projeções do Banco do Brasil para 2026
Para 2026, o Banco do Brasil projeta lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A instituição espera expansão de 0,5% a 4,5% na carteira de crédito total.
Para a pessoa física, o banco estima crescimento entre 6% e 10%. Para empresas, a projeção varia de queda de 3% a alta de 1%. No agronegócio, a previsão vai de retração de 2% a avanço de 2%.
O custo do crédito foi estimado entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões em 2026. As receitas de prestação de serviços devem crescer de 2% a 6%, enquanto as despesas administrativas devem aumentar entre 5% e 9%. A margem financeira bruta, por sua vez, deve avançar entre 4% e 8%.
Nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexãoTarciana Medeiros
Em nota, a executiva acrescentou que o banco está otimista com 2026, atuando com cautela, estratégia clara e disciplina na execução, com foco em mitigação de riscos, rentabilidade, fortalecimento de garantias, matriz de resiliência e novos produtos para sustentar a parceria com o agronegócio.
Crédito cresce pouco e custo dispara
No fim de dezembro, a carteira de crédito expandida do Banco do Brasil somava quase R$ 1,3 trilhão, alta de 1,4% em relação ao trimestre anterior e de 2,5% na comparação anual. O custo do crédito ficou próximo de R$ 18 bilhões, praticamente estável frente aos três meses anteriores, mas 93,9% maior do que no mesmo período de 2024.
Na pessoa física, a carteira de crédito cresceu 1,8% no trimestre e 7,6% em um ano. A inadimplência nessa linha atingiu 6,56%, ante 6,01% no trimestre anterior e 4,66% um ano antes.
Entre pessoas jurídicas, a carteira ficou estável, com inadimplência de 3,75%, ante 3,40% três meses antes e 3,30% no quarto trimestre de 2024.
No agronegócio, segmento que vinha pressionando os resultados do banco, a carteira de crédito avançou 1,8% no trimestre e 2,1% em 12 meses. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 6,09%, contra 4,84% no trimestre anterior e 2,23% um ano antes.
Na divulgação dos resultados do terceiro trimestre, em novembro, executivos do Banco do Brasil já haviam sinalizado que a inadimplência no agronegócio continuaria pressionada, com expectativa de inflexão a partir do primeiro trimestre de 2026.
Retorno volta a dois dígitos, mas segue abaixo de rivais
O Banco do Brasil voltou a registrar retorno sobre patrimônio líquido em dois dígitos no quarto trimestre, com 12,4%, acima dos 8,4% do trimestre anterior, mas ainda distante dos 20,8% de 2024. No primeiro trimestre do ano passado, o retorno havia sido de 16,7% e, no segundo, de 8,4%.
O desempenho segue abaixo dos concorrentes privados no mesmo período: 24,4% no Itaú Unibanco, 17,6% no Santander Brasil e 15,2% no Bradesco.
A margem financeira bruta do Banco do Brasil chegou a R$ 27,8 bilhões, alta de 3,8% em relação ao quarto trimestre de 2024. As receitas de prestação de serviços recuaram 3,9%, enquanto as despesas cresceram 4,1% na comparação anual. O índice de eficiência subiu de 25,6% para 27,7%.
O índice de capital nível 1 avançou de 12,66% para 14,26%, e o capital principal aumentou de 10,89% para 12,23%. O índice de Basileia atingiu 15,13%.
O banco também anunciou a distribuição de R$ 1,2 bilhão aos acionistas, na forma de juros sobre capital próprio complementar.