Lucro do Banco do Brasil cai 45,4% em 2025, pressionado por novas regras e inadimplência

Banco lucrou R$ 20,685 bilhões no ano e viu a inadimplência acima de 90 dias subir para 5,17%, com impacto de mudanças contábeis e piora em agronegócio e cartões.

12/02/2026 às 10:48 por Redação Plox

O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões em 2025, resultado 45,4% menor que o de 2024. O desempenho, divulgado na noite de quarta-feira (11), foi pressionado pelas novas regras contábeis e pelo aumento da inadimplência.

Banco do Brasil

Banco do Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


Lucro trimestral tem forte queda na comparação anual

Entre outubro e dezembro, o banco lucrou R$ 5,742 bilhões, queda de 47,2% em relação ao último trimestre de 2024. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, porém, houve alta de 51,7%.

Em comunicado, a instituição informou que a geração de receitas tem crescido, mesmo sob o impacto da inadimplência. O banco destacou, em especial, o avanço das receitas financeiras com crédito para pessoas físicas e com o Programa Crédito do Trabalhador, que centraliza a oferta de crédito consignado para empregados da iniciativa privada.

Segundo o Banco do Brasil, foram desembolsados R$ 13 bilhões nessa linha, o que contribuiu para o resultado. A presidente do banco, Tarciana Medeiros, afirmou que o desempenho reforça a estratégia de crescer em operações com melhor retorno ajustado ao risco.

Novas regras contábeis reduzem receitas

Desde janeiro de 2025 está em vigor uma resolução do Conselho Monetário Nacional que alterou a forma de contabilização nas instituições financeiras. Aprovadas em 2021, as normas passaram a valer apenas no ano passado e modificaram o modelo de provisões para perda esperada, baseado em estimativas.

A mudança impactou o reconhecimento de algumas despesas e receitas, levando o banco a deixar de contabilizar R$ 1 bilhão em receitas de crédito.

Inadimplência sobe e é puxada por agronegócio e cartões

O índice de inadimplência com atraso superior a 90 dias passou de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% no fim de 2025. O avanço foi influenciado principalmente pela carteira do agronegócio, segmento em que o banco é líder, e pela linha de cartões de crédito.

No agronegócio, a inadimplência chegou a 6,09% no fim de 2025, alta de 1,25 ponto percentual apenas no último trimestre do ano. Na carteira de pessoas físicas, o índice encerrou o período em 6,56%, aumento de 0,55 ponto percentual.

Crédito cresce mesmo com juros mais altos

Apesar do cenário de juros elevados, o volume de empréstimos avançou em 2025, puxado sobretudo pela carteira de pessoas físicas. A carteira de crédito ampliada fechou o ano em R$ 1,296 trilhão, alta de 1,4% no trimestre e de 2,5% no acumulado de 12 meses.

Na segmentação por tipo de cliente, a carteira de pessoa física somou R$ 356,96 bilhões em dezembro, crescimento de 1,8% no trimestre e de 7,6% em um ano. O destaque ficou com a nova modalidade de crédito consignado para trabalhadores com carteira assinada do setor privado, que movimentou R$ 14,3 bilhões.

Na pessoa jurídica, o saldo atingiu R$ 455,15 bilhões, com alta de 0,5% no trimestre e de 0,6% em 12 meses. A carteira para grandes empresas totalizou R$ 260,4 bilhões, avanço de 4,3% no ano. Já a carteira de micro, pequenas e médias empresas recuou 7,9% em 2025, somando R$ 115,2 bilhões.

Nos agronegócios, o crédito chegou a R$ 406,13 bilhões, alta de 1,8% no trimestre e de 2,1% em um ano. Nos seis primeiros meses do Plano Safra 2025/2026, o banco liberou R$ 103,9 bilhões em crédito ao setor, além de R$ 12,3 bilhões para a cadeia de valor do agro.

A carteira de crédito sustentável atingiu R$ 415,1 bilhões, com crescimento de 7,3% em 12 meses, financiando atividades com impactos sociais e ambientais positivos. Essa carteira representa 32% do total de crédito do banco.

Serviços recuam e despesas sobem com salários e tecnologia

As receitas de prestação de serviços somaram R$ 34,813 bilhões em 2025, queda de 1,9% frente ao ano anterior. O Banco do Brasil informou que o recuo foi parcialmente compensado pelo aumento das receitas com administração de fundos, taxas de consórcios e operações de mercado de capitais.

As despesas administrativas também totalizaram R$ 34,813 bilhões em 2025, alta de 5,1% em relação a 2024. Segundo o banco, o crescimento decorre de reajustes salariais e de investimentos em tecnologia e cibersegurança.

Banco prevê retomada do lucro em 2026

Para 2026, o Banco do Brasil projeta uma recuperação do lucro após a forte queda registrada em 2025. A instituição estima lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.

O banco prevê crescimento da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%, com alta de 6% a 10% para pessoas físicas. Para o agronegócio, a projeção varia de queda de 2% a alta de 2%, enquanto para empresas o intervalo vai de retração de 3% a aumento de 1%.

As receitas de prestação de serviços devem crescer de 2% a 6%, e as despesas administrativas, de 5% a 9%. O custo do crédito, que inclui perdas esperadas com inadimplência e outros riscos, é estimado entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões.

Conseguimos nos adaptar ao cenário com transparência e muita dedicação de nossos funcionários para que tenhamos um 2026 com retomada de patamares de rentabilidade do tamanho do BB. Nosso guidance mostra isso e nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão, com lucro de R$ 5,7 bilhões, um crescimento de 51,7% na comparação com o trimestre anterior

Tarciana Medeiros

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a