Correios reduzem previsão de prejuízo em 2025 para R$ 5,8 bilhões, mas projetam rombo maior em 2026

Relatório da DIEFI atribui revisão a postergação de pagamentos para ajustar o caixa e aponta déficit de R$ 9,1 bilhões no ano seguinte.

12/02/2026 às 11:44 por Redação Plox

A Diretoria Econômico-Financeira (DIEFI) da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios) revisou para baixo a estimativa de prejuízo da estatal em 2025. O novo cálculo aponta resultado negativo de R$ 5,8 bilhões, valor menor que o projetado anteriormente pela empresa ao longo do ano.


Tesouro aprova empréstimo para Correios de R$ 12 bilhões com garantias da União

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Foto: Jornal Nacional/ Reprodução


Até o 3º trimestre do ano passado, a previsão era de um déficit contábil-financeiro de R$ 6 bilhões em 2025. No documento mais recente da DIEFI, contudo, a expectativa é de que o balanço feche o ano com um rombo um pouco menor.

Projeções para 2025 e 2026

Apesar do recuo na estimativa de prejuízo para 2025, a diretoria econômico-financeira prevê um cenário ainda mais crítico em 2026. A expectativa é de que o déficit aumente e chegue a R$ 9,1 bilhões no ano seguinte.

No relatório, a DIEFI descreve o movimento de revisão das projeções para os próximos exercícios e detalha o impacto das medidas adotadas para tentar aliviar o caixa da estatal.

Executando o pagamento de todas as obrigações (despesas correntes) incluídas no Programa vigente de Dispêndios Globais, havia a projeção de déficit na ordem de R$ 7,9 bilhões em dezembro de 2025, posteriormente reajustada para R$ 5,8 bilhões; e déficit de R$ 9,1 bilhões em dezembro de 2026. Documento da Diretoria Econômico-Financeira (DIEFI) dos Correios

Postergação de pagamentos e ajuste de fluxo de caixa

De acordo com a diretoria financeira, a redução da estimativa de déficit para 2025 decorre, principalmente, da decisão de postergar parte dos pagamentos previstos, como forma de adequar o fluxo de caixa da empresa. A medida integra o conjunto de ações adotadas para enfrentar os problemas financeiros da estatal.

O documento relata que, como parte dessas ações de governança, foi criado um comitê específico para coordenar os desembolsos e priorizar recursos para manter a operação.

Segundo o relatório, a readequação financeira envolveu cerca de R$ 3,7 bilhões em pagamentos que seriam destinados a fornecedores, benefícios, despesas assistenciais, além de obrigações trabalhistas e tributárias.

O texto aponta que o aumento de gastos, somado à frustração de receitas em 2024 e 2025, aprofundou o quadro de dificuldade de liquidez da empresa, pressionando a rotina operacional e os negócios dos Correios.

Empréstimos bilionários para reforçar o caixa

Além de alongar pagamentos, os Correios recorreram à tomada de crédito para tentar recompor sua situação econômico-financeira. No ano passado, a estatal contratou R$ 13,8 bilhões em empréstimos.

A maior parte desses recursos, porém, só entrou efetivamente no caixa da empresa no penúltimo dia do ano, o que limitou o impacto imediato sobre o quadro de liquidez e sobre o resultado do exercício.

O documento foi obtido com exclusividade pelo portal de notícias G1.

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