CPI do Crime Organizado mira caso Master e pede quebra de sigilo telefônico de Dias Toffoli
Segundo Alessandro Vieira, requerimentos serão votados na semana após o Carnaval, após pedido da PF para afastar o ministro da relatoria com base em mensagens de Daniel Vorcaro
12/02/2026 às 11:17por Redação Plox
12/02/2026 às 11:17
— por Redação Plox
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O senador Alessandro Vieira (MSB) afirmou que a CPI do Crime Organizado deverá votar, na semana seguinte ao Carnaval, requerimentos de convocação de envolvidos no caso Master e de quebra de sigilo telefônico do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. A movimentação ocorre após a Polícia Federal (PF) pedir a suspeição do ministro como relator do caso, com base em mensagens localizadas no celular do empresário Daniel Vorcaro que mencionam o integrante da Corte.
Instalada em novembro de 2025, a Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado foi criada para investigar a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no país, com foco em facções e milícias, buscando apontar falhas e propor ajustes na legislação.
Alessandro Vieira chamou denúncia envolvendo o ministro do STF Dias Toffoli de "Toffolão"
Foto: crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado e Gustavo Moreno/STF
Pedido de suspeição e pressão sobre Toffoli
A PF encaminhou, na noite de quarta-feira (11/2), um pedido de afastamento de Toffoli da relatoria ao presidente do STF, Edson Fachin. O conteúdo do pedido está sob sigilo e foi entregue pessoalmente pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. A existência do documento foi revelada pelo UOL e confirmada pelo Correio Braziliense.
As mensagens encontradas no celular de Vorcaro alimentam suspeitas sobre uma possível relação próxima entre o empresário e o ministro, em meio às investigações envolvendo o Banco Master. A atuação de Toffoli na relatoria já vinha sendo alvo de críticas e questionamentos em diferentes Poderes, em razão de supostas ligações dele e de familiares com o dono da instituição financeira, além de uma sequência de recuos em decisões e acusações de interferência na autonomia da PF durante a apuração.
‘Toffolão’ e CPI do Crime Organizado
Nas redes sociais, Alessandro Vieira apelidou o caso de “Toffolão” e classificou a denúncia como um escândalo de grande dimensão. O senador defendeu que os envolvidos sejam chamados a depor na CPI e que sejam aprovadas quebras de sigilo, sustentando que o país só alcançará uma República plena quando todos estiverem submetidos às mesmas regras.
Relações sob escrutínio
De acordo com informações publicadas pelo jornal Estado de S. Paulo, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, teria feito aportes financeiros, por meio de um fundo de investimentos, em um resort pertencente aos irmãos de Toffoli. Outro ponto citado é que, em novembro de 2025, o advogado Augusto de Arruda Botelho, defensor de um dos diretores do Banco Master, viajou em um jatinho particular do empresário Luiz Oswaldo Pastore ao lado de Dias Toffoli para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em Lima, no Peru. À época, Botelho e o ministro afirmaram que eram apenas torcedores e que não trataram de assuntos profissionais durante o deslocamento.
Nota da equipe de Dias Toffoli
Em nota, a equipe de Dias Toffoli afirmou que o pedido protocolado pela PF se baseia em deduções e que a corporação não tem legitimidade jurídica para suscitar suspeição, por não ser parte no processo, à luz do artigo 145 do Código de Processo Civil. Segundo o comunicado, as citações feitas pela PF serão esclarecidas pelo ministro diretamente ao presidente do STF.
O gabinete reiterou que a resposta formal ao pedido será apresentada ao comando da Corte, mantendo sob sigilo os detalhes da manifestação.