OMS avalia como baixo o risco global do vírus Nipah após novos casos na Índia e em Bangladesh
Entidade alerta que não há vacina e que a letalidade pode variar de 40% a 75%; transmissão entre humanos é rara e costuma ocorrer em situações específicas, como ambientes hospitalares
12/02/2026 às 11:36por Redação Plox
12/02/2026 às 11:36
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o risco de propagação global do vírus Nipah é considerado baixo, mesmo após o registro recente de novos casos de infecção na Índia e em Bangladesh. A avaliação foi divulgada em meio a preocupações sobre a possibilidade de disseminação internacional do patógeno, reconhecido por sua alta taxa de mortalidade.
vírus Nipah
Foto: reprodução/Freepik
De acordo com a OMS, não há vacina disponível contra o vírus, cuja letalidade pode variar entre 40% e 75%. A infecção ocorre principalmente por contato com animais infectados ou com alimentos contaminados. A transmissão entre humanos é descrita como rara e, em geral, restrita a situações específicas, como ambientes hospitalares.
Sintomas, evolução e gravidade da doença
Nem todas as pessoas infectadas pelo Nipah desenvolvem sintomas. Quando presentes, os sinais iniciais podem se assemelhar aos de uma gripe, com febre, dor de cabeça, dores musculares, cansaço, tontura e dificuldade para respirar.
Em casos mais graves, o vírus pode provocar encefalite, inflamação no cérebro que leva a confusão mental, desorientação, sonolência e complicações neurológicas, como convulsões e coma. Devido à possibilidade de evolução rápida, a doença é tratada com atenção redobrada pelas autoridades sanitárias.
Casos recentes na Índia e em Bangladesh
No último mês, dois casos de Nipah foram confirmados no estado de Bengala Ocidental, na Índia, região que já havia registrado ocorrências anteriores do vírus. Em Bangladesh, uma mulher morreu após contrair a infecção, o que elevou o nível de alerta entre as autoridades locais.
Segundo a OMS, os focos identificados não estão relacionados entre si, embora tenham surgido em áreas próximas à fronteira entre os dois países. A região abriga morcegos frugívoros, apontados como reservatórios naturais do vírus. Mais de 230 contatos de pessoas infectadas foram monitorados e, até o momento, nenhum novo caso foi identificado.
Origem e histórico do vírus Nipah
O primeiro surto documentado do Nipah ocorreu em 1998, na Malásia, entre criadores de porcos. O vírus recebeu o nome da localidade onde foi inicialmente identificado. Desde então, episódios pontuais foram registrados em países asiáticos.
Em 2018, um surto no estado indiano de Kerala resultou em 17 mortes. Apesar do potencial de gravidade, especialistas apontam que os surtos costumam ser localizados e rapidamente monitorados por autoridades de saúde.
Situação no Brasil e posição do Ministério da Saúde
Após rumores que circularam nas redes sociais sobre um possível caso de Nipah no Brasil, o Ministério da Saúde divulgou nota oficial negando qualquer registro da doença no país.
O órgão reforçou que mantém protocolos de vigilância para agentes infecciosos de alto risco e destacou não haver evidências de disseminação internacional nem ameaça imediata à população brasileira. Segundo o comunicado, o vírus está associado a espécies específicas de morcegos que não existem no Brasil, o que reduz ainda mais o risco local.
A orientação é que a população busque informações apenas em canais oficiais, evitando a circulação de boatos que possam gerar alarme desnecessário sobre o vírus Nipah.