Opas emite alerta após avanço da chikungunya nas Américas

Entidade recomenda reforço da vigilância, ampliação do controle do mosquito e preparação de governos e serviços de saúde para possíveis surtos

12/02/2026 às 13:30 por Redação Plox

O avanço recente da chikungunya em países das Américas levou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a emitir um novo alerta epidemiológico nesta quarta-feira (11/2). A entidade recomenda que governos e serviços de saúde reforcem a vigilância, ampliem o controle do mosquito transmissor e se preparem para possíveis surtos da doença.


Casos voltam a crescer em países das Américas e Opas recomenda reforçar vigilância, controlar o mosquito e preparar os serviços de saúde

Casos voltam a crescer em países das Américas e Opas recomenda reforçar vigilância, controlar o mosquito e preparar os serviços de saúde

Foto: Freepik

De acordo com a Opas, o aumento das notificações vem sendo registrado desde o fim de 2025 e início de 2026, incluindo o retorno da transmissão local em áreas que há anos não registravam circulação do vírus.

A presença do mosquito Aedes aegypti nessas regiões favorece a disseminação da chikungunya, sobretudo em cenários de altas temperaturas e condições ambientais que facilitam a reprodução do inseto.

Expansão do mosquito e sintomas da chikungunya

A chikungunya é transmitida principalmente pelas fêmeas dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, este último conhecido como mosquito-tigre. Esses vetores também são responsáveis pela transmissão de outras doenças, como dengue e zika.

Com o aquecimento global e as mudanças climáticas, o mosquito-tigre vem se espalhando para regiões mais ao norte, ampliando a área de circulação do vírus. Os sintomas da chikungunya se assemelham aos da dengue e do zika, o que pode dificultar o diagnóstico clínico.

A doença costuma causar febre, dores intensas nas articulações, fadiga e, em alguns casos, sequelas prolongadas. Em quadros mais graves, as dores articulares podem persistir por semanas ou até meses.

Ressurgimento em áreas antes livres do vírus

Detectada nas Américas em 2013, a chikungunya passou por períodos de menor transmissão nos anos seguintes. Agora, o reaparecimento de casos em locais antes considerados livres do vírus volta a preocupar autoridades sanitárias.

Países como Guiana, Guiana Francesa e Suriname registraram novamente transmissão local após cerca de uma década sem notificações, indicando a reintrodução do vírus em territórios que já haviam interrompido a circulação.

Dados globais apontam que, ao longo de 2025, mais de 500 mil casos de chikungunya foram relatados em 41 países, com parte expressiva concentrada nas Américas. Na região, foram registrados mais de 300 mil casos e cerca de 170 mortes.

A persistência da chikungunya em áreas endêmicas e o retorno da transmissão em novos territórios reforçam a necessidade de monitoramento contínuo e respostas rápidas a eventuais surtos.

Como identificar e prevenir a chikungunya

Transmitida principalmente pelo Aedes aegypti e também pelo Aedes albopictus, a chikungunya provoca febre alta e dores articulares intensas, que podem se estender por um longo período. Outros sintomas comuns são dores musculares, cansaço, náuseas, dor de cabeça e manchas na pele.

Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas têm maior risco de complicações e exigem acompanhamento mais próximo dos serviços de saúde.

Não há tratamento antiviral específico contra a chikungunya. O manejo clínico é focado no alívio dos sintomas e no monitoramento de possíveis agravamentos, especialmente em grupos vulneráveis.

Para a população, a forma mais eficaz de prevenção continua sendo evitar a proliferação do mosquito. Entre as principais medidas estão eliminar recipientes com água parada, usar repelentes, proteger o corpo com roupas adequadas e utilizar mosquiteiros.

No Brasil, o Aedes aegypti é conhecido popularmente como mosquito da dengue e é o principal transmissor dos vírus da dengue, da chikungunya e do zika, o que torna o controle do inseto fundamental para reduzir o impacto dessas doenças.

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