Toffoli diz que valores citados em investigação vieram de sociedade familiar na Maridt
Ministro afirma que repasses foram lícitos, declarados e rastreáveis; PF apura mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
12/02/2026 às 08:38por Redação Plox
12/02/2026 às 08:38
— por Redação Plox
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O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou a interlocutores que recebeu valores da empresa Maridt, que integrou o quadro de proprietários do Tayayá Resort, por ser sócio do negócio ao lado de familiares. A explicação foi dada após a Polícia Federal (PF) passar a investigar repasses financeiros relacionados ao caso.
Segundo ele, a Maridt é uma empresa de caráter familiar da qual participa há anos. O nome de Toffoli não aparece em registros públicos porque a companhia é uma sociedade anônima em um modelo em que a lista de acionistas não é divulgada. Apenas dois irmãos do ministro figuram formalmente como administradores.
Ministro Dias Toffoli, do STF
Foto: Fellipe Sampaio /STF
Participação no Tayayá Resort e venda ao fundo Arleen
A Maridt detinha 33% de participação no Tayayá Resort e vendeu sua fatia, em 2021, ao fundo Arleen, ligado a uma estrutura financeira associada ao Banco Master. De acordo com o ministro, os valores recebidos decorrem dessa operação e foram lícitos, declarados à Receita Federal e com origem e destino rastreáveis.
Toffoli também relatou que, mais tarde, o próprio fundo Arleen teria revendido as ações do resort a terceiros, obtendo lucro na transação. Ele ressaltou ainda que, no exercício de sua função no STF, deferiu pedidos da Polícia Federal em investigações envolvendo o Banco Master, incluindo medidas como buscas e apreensões.
Conteúdo das mensagens e foco da apuração
Mensagens encontradas pela PF no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mencionam supostos pagamentos ao ministro Dias Toffoli. A informação consta em perícia concluída na quarta-feira (11) e foi divulgada pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil.
Segundo apuração da CNN Brasil, autoridades públicas aparecem citadas em conversas extraídas dos aparelhos de Vorcaro. Em alguns trechos, o cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, também investigado, faz referência a transferências de valores que estariam relacionadas ao magistrado.
Investigadores relataram à emissora que o próprio Toffoli também teria feito menções a pagamentos, ainda que de forma cifrada. A linha de apuração da PF busca esclarecer se eventuais repasses teriam origem em uma empresa que foi sócia de um fundo ligado ao Banco Master no Tayayá Resort, empreendimento frequentado pelo ministro e que pertenceu a seus irmãos.
Reação do gabinete de Toffoli e da defesa de Vorcaro
O gabinete de Dias Toffoli se manifestou afirmando que o pedido de suspeição do ministro, formulado no contexto das investigações sobre o Banco Master, se baseia em “ilações” e não possui respaldo jurídico. A nota sustenta que a Polícia Federal não teria legitimidade para requerer a medida por não ser parte no processo, com fundamento no artigo 145 do Código de Processo Civil.
Já a defesa de Daniel Vorcaro divulgou nota na qual expressa preocupação com o que classifica como vazamentos seletivos de informações. Para os advogados, a divulgação de trechos das investigações provoca “constrangimentos indevidos”, favorece “a construção de narrativas equivocadas” e prejudica o direito de defesa.
– A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no regular funcionamento da Justiça, destacando que o esclarecimento completo das questões em análise depende de apuração técnica, equilibrada e conduzida com respeito às garantias fundamentais – advogados de Daniel Vorcaro