Casas Bahia amplia prejuízo no 1º trimestre e CEO admite vender menos para segurar inadimplência
Com juros elevados e maior pressão financeira, varejista adota postura mais conservadora na concessão de crédito; prejuízo líquido foi a R$ 408 milhões, ante R$ 261 milhões um ano antes
12/03/2026 às 11:44por Redação Plox
12/03/2026 às 11:44
— por Redação Plox
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O Grupo Casas Bahia (BHIA3) encerrou o 1º trimestre de 2025 com novo aumento do prejuízo em um ambiente de juros elevados e maior pressão financeira. Em resposta, a companhia adotou uma postura mais conservadora na concessão de crédito e passou a admitir a possibilidade de vender menos para manter a inadimplência sob controle, preservando a qualidade da carteira.
A companhia entrou em recuperação extrajudicial em abril de 2024, com dívidas de R$ 4,1 bilhões, e saiu três meses depois
Foto: Casas Bahia / Divulgação
Prejuízo aumenta e ritmo de vendas é reduzido
No 1º trimestre de 2025, o Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 408 milhões, acima dos R$ 261 milhões anotados no mesmo período do ano anterior, de acordo com reportagens baseadas no balanço da empresa.
Em entrevista citada pelo Valor Econômico, o CEO Renato Franklin afirmou que a companhia encerrou o trimestre com um nível de estoque maior do que o desejado e associou esse cenário à decisão de desacelerar as vendas em março, em meio ao cenário de juros altos e maior seletividade no crédito.
Crédito mais disciplinado e foco na inadimplência
Em documento oficial de resultados referente ao 4º trimestre de 2024 e ao consolidado de 2024, o Grupo Casas Bahia reforçou o crediário como um dos pilares estratégicos do negócio. A companhia informou melhora na inadimplência acima de 90 dias, que recuou para 8,0% naquele período.
Embora o dado de inadimplência mencionado no material oficial se refira a outro recorte (4T24), ele ajuda a ilustrar a prioridade da empresa: crescer em crédito com controle de risco, especialmente em um ambiente de juros mais altos.
Consequências para consumidores, setor e investidores
Para o consumidor, a estratégia de “vender menos” por meio de maior rigor no crédito tende a se traduzir em aprovação mais difícil, limites menores ou critérios mais seletivos no crediário próprio, justamente para evitar nova alta da inadimplência.
No varejo e na economia, esse movimento sinaliza que parte do setor pode priorizar margem e qualidade da carteira em vez de volume de vendas, reduzindo o ímpeto das operações financiadas em períodos de juros elevados.
Para investidores, o aumento do prejuízo no 1º trimestre de 2025 reforça que a recuperação operacional do Grupo Casas Bahia segue sensível ao custo financeiro e à disciplina na concessão de crédito, ponto recorrente nas análises sobre o desempenho recente da companhia.
O que acompanhar nos próximos trimestres
Nos próximos resultados, o mercado deve observar se o ajuste de estoques e a política de crédito mais restritiva se convertem em melhora de margens e redução de perdas financeiras.
Também seguirá no radar a evolução dos indicadores de inadimplência do crediário da empresa e o comportamento dos juros, que influenciam diretamente o resultado financeiro e a demanda por bens duráveis no varejo.
Permanece em apuração a referência a um cenário em que o prejuízo teria triplicado. As informações disponíveis no momento apontam para um aumento do prejuízo no 1T25 (R$ 408 milhões ante R$ 261 milhões no mesmo trimestre do ano anterior), variação que não configura triplicar. A confirmação dessa expressão depende da identificação do período exato utilizado como base de comparação.