Minas vendeu mais aço para os EUA no último ano, mas receita caiu: entenda

Levantamento da FIEMG mostra alta de 15% no volume exportado entre 2025 e fevereiro de 2026, enquanto o valor recuou 26%, com mudança para produtos de menor valor por tonelada após endurecimento de tarifas americanas.

12/03/2026 às 17:36 por Redação Plox

Minas Gerais embarcou mais aço para os Estados Unidos no último ano, mas viu o dinheiro entrar em sentido contrário. Um levantamento da FIEMG mostra que, mesmo com alta nas vendas em toneladas, a receita das exportações mineiras de aço para o mercado americano encolheu, puxada por uma mudança no tipo de produto enviado após o endurecimento das tarifas.

Em 2025, cerca de 20% das exportações de aço de Minas Gerais tiveram como destino os Estados Unidos

Em 2025, cerca de 20% das exportações de aço de Minas Gerais tiveram como destino os Estados Unidos

Foto: Usiminas / Divulgação


Volume sobe, faturamento cai

De acordo com estudo divulgado pela FIEMG, por meio do Centro Internacional de Negócios (CIN), entre 2025 e fevereiro de 2026 as exportações de aço de Minas para os EUA aumentaram 15% em volume, mas recuaram 26% em valor.

Na avaliação da entidade, o chamado “tarifaço” americano alterou o padrão de venda: o estado continuou exportando para os Estados Unidos, porém com um perfil de carga que gera menos receita por tonelada.

Mudança no mix: mais semiacabados, menos produtos de maior valor

Segundo a FIEMG, a combinação de mais volume com menos faturamento está diretamente ligada à substituição de produtos acabados por semiacabados na pauta de exportações para o mercado americano.

Em 2024, os semiacabados respondiam por 19% do total de aço que Minas vendia aos EUA. Com o novo cenário de tarifas, esse grupo passou a representar 53% dos embarques, enquanto itens de maior valor agregado — como aços longos, planos, inoxidáveis, tubos e canos — perderam espaço.

A federação destaca que as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o aço pressionam a competitividade da indústria mineira e forçam o redirecionamento de parte das vendas para outros mercados.

Ao mesmo tempo, dados de comércio exterior de Minas indicam que os EUA seguem como destino relevante para o estado, ainda que a participação americana no total exportado tenha diminuído de 2024 para 2025.

Indústria, empregos e caixa das empresas

Na prática, a migração das exportações para produtos semiacabados tende a reduzir a captura de valor dentro de Minas Gerais, já que há menos etapas de processamento e menos produto final sendo produzido no estado.

Para a indústria e o emprego, isso pode significar pressão adicional sobre margens e decisões de produção em segmentos mais intensivos em tecnologia e mão de obra, justamente aqueles ligados aos aços mais elaborados.

Para as empresas exportadoras, o recado é que não basta “vender mais” em toneladas. O que define caixa, lucro e capacidade de investimento é o valor total negociado e o preço médio por tonelada. O ambiente de barreiras comerciais empurra companhias a buscar novos destinos, rever contratos e redesenhar seu portfólio.

Na economia mineira como um todo, os Estados Unidos continuam como mercado-chave, mas o avanço de medidas protecionistas aumenta a volatilidade do comércio. Em 2025, por exemplo, as exportações totais de Minas para o mercado americano recuaram na comparação anual, segundo levantamento do CIN/FIEMG com base em dados da Secex.

O que acompanhar daqui para frente

Um dos pontos de atenção é verificar se o atual perfil de exportação — com maior participação de semiacabados em relação aos produtos acabados — vai se manter ao longo de 2026 ou se haverá recomposição de preços e de valor exportado.

Também entra no radar o monitoramento de novas medidas comerciais e possíveis negociações setoriais, em um ambiente descrito pela FIEMG como de necessidade de vigilância constante diante do protecionismo e do risco de distorções no mercado.

Outro foco é o movimento de importações de aço no Brasil e em Minas, apontado pela federação como sinal de alerta adicional para a competitividade da siderurgia instalada no estado.

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