PGR negocia delação com defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mas tratativas ainda são iniciais

Conversas são preliminares e sem proposta formal; advogado diz que não há discussão sobre delação e que foco é reverter prisão no STF, que começa a julgar o caso nesta sexta-feira

12/03/2026 às 08:00 por Redação Plox

A Procuradoria-Geral da República (PGR) mantém conversas iniciais com a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre um possível acordo de colaboração premiada. As tratativas são descritas como preliminares e sem proposta formalizada sobre quem seria delatado ou em que extensão. A defesa afirma que, neste momento, a prioridade é tentar reverter a prisão preventiva do banqueiro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Procurado, o advogado Pierpaolo Bottini, que representa Vorcaro, negou a existência de tratativas objetivas para delação e reforçou que o foco está na libertação do cliente.

A posição da defesa é que não há discussão sobre delação neste momento

Pierpaolo Bottini, advogado de Daniel Vorcaro, ao UOL

Enquanto o cenário de eventual colaboração segue em aberto, a Segunda Turma do STF inicia nesta sexta-feira, em plenário virtual, o julgamento que vai decidir se mantém a prisão de Vorcaro, determinada pelo ministro André Mendonça.

Daniel Vorcaro segue preso

Daniel Vorcaro segue preso

Foto: Divulgação


STF analisa manutenção da prisão preventiva

O julgamento no colegiado terá como eixo a decisão de Mendonça que autorizou a prisão preventiva do banqueiro. O ministro fundamentou a medida em “risco concreto de interferência nas investigações”, acolhendo pedido da Polícia Federal (PF).

De acordo com informações já tornadas públicas, esse risco é atribuído a mensagens encontradas no celular de Vorcaro, apreendido na primeira fase da operação no ano passado. Segundo a PF, o aparelho continha documentos sigilosos de investigações em curso no Ministério Público Federal (MPF) envolvendo o próprio banqueiro.

Além do suposto acesso a material sigiloso, as apurações citam pedidos de monitoramento de adversários e menções a possíveis ameaças de ações violentas. Esses elementos integram o conjunto de indícios usados para sustentar a necessidade da custódia preventiva.

Esta é a segunda prisão de Daniel Vorcaro. Ele havia sido detido pela primeira vez em novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava deixar o país.

Cenário da delação: tratativas iniciais e foco na soltura

No campo da estratégia jurídica, a possibilidade de colaboração premiada não é hoje a prioridade declarada da defesa. O esforço imediato concentra-se no julgamento da Segunda Turma do STF, que pode levar à soltura ou à manutenção da prisão.

As conversas entre PGR e defesa são descritas como discussões iniciais, ainda sem um desenho consolidado de quais pessoas ou esquemas poderiam ser alvo de eventual delação. Não há, até aqui, indicação de proposta formal, petição ou termo de acordo apresentado à Justiça.

Mesmo que Vorcaro venha a ser enquadrado como líder de organização criminosa, a legislação permite a celebração de acordo de colaboração. Nessa hipótese, porém, os benefícios são mais limitados: a delação não impediria o oferecimento de denúncia, ainda que possa influenciar em pena ou regime em caso de condenação.

Decisões sobre custódia e comunicação com a defesa

Paralelamente ao debate sobre a prisão, André Mendonça tomou decisões relacionadas às condições de custódia de Vorcaro. O ministro determinou a abertura de um inquérito na PF para apurar o vazamento de dados sigilosos envolvendo o banqueiro, em meio às descobertas de acesso indevido a informações protegidas.

Em outro ponto sensível, Mendonça proibiu a gravação de conversas entre Vorcaro e seus advogados na Penitenciária Federal de Brasília, para onde o banqueiro foi transferido. A medida atendeu a pedido da defesa e resguarda a comunicação reservada entre cliente e defensores.

Na prática, essa decisão se conecta diretamente à estratégia da equipe jurídica, que busca reforçar garantias de ampla defesa ao mesmo tempo em que tenta reverter a prisão.

Próximos movimentos no STF e no inquérito

O julgamento no plenário virtual da Segunda Turma tende a ser o principal evento de curto prazo no caso. Os ministros vão avaliar se permanecem válidos os fundamentos que levaram à prisão preventiva, como o risco de interferência na investigação e a eventual suficiência de medidas alternativas.

Em paralelo, o inquérito sobre vazamento de dados sigilosos e o aprofundamento das apurações sobre acesso a documentos protegidos podem abrir novas frentes de responsabilização.

Quanto à delação, qualquer avanço concreto deverá aparecer por meio de atos formais — como petições, termos de acordo ou pedidos de homologação judicial. Até lá, o tema permanece em estágio de apuração, com versões de bastidor e a negativa expressa da defesa sobre a existência de discussão ativa de colaboração neste momento.

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