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O avanço da inteligência artificial no Mercado Livre começa a redesenhar a estrutura de trabalho da companhia na América Latina. Nos últimos dias, a plataforma de comércio eletrônico demitiu 119 funcionários na região, dos quais 38 no Brasil, em sua primeira demissão em massa diretamente associada à expansão da nova tecnologia.
O avanço da inteligência artificial no Mercado Livre tem deixado cortes de pessoal no caminho
Foto: /Mercado Livre Brasil
A maior parte das demissões ocorreu em 8 de janeiro, quando funcionários foram chamados para reuniões de última hora. Os cortes se concentraram nas equipes de experiência do usuário, área em que o uso de ferramentas de IA se intensificou ao longo do último ano, atingindo principalmente profissionais responsáveis pela produção de textos, os chamados UX writers.
Em nota, o Mercado Livre não confirma que as ferramentas de IA substituirão os trabalhadores dispensados. A empresa afirma buscar integrar de forma mais eficaz as áreas de design e conteúdo e usar a tecnologia para aprimorar a experiência dos usuários na plataforma.
De acordo com funcionários ouvidos pela reportagem, o Mercado Livre agora deseja que os profissionais de experiência do usuário tenham um perfil mais generalista. Após as demissões, a companhia informou às equipes que seguiram na casa que, a partir desta semana, terão acesso a novos recursos de IA para produção de textos, com a expectativa de que designers passem a incorporar parte das tarefas antes executadas pelos especialistas em escrita.
Segundo a empresa, a medida é pontual e não altera a estratégia de crescimento. O Mercado Livre afirma ter criado 42 mil postos de trabalho na América Latina em 2025, movimento que, na avaliação da companhia, indica continuidade na expansão mesmo com a reestruturação em áreas específicas.
A inteligência artificial já faz parte da rotina do Mercado Livre há mais de dez anos, em funções como análise de risco, detecção de fraudes e sistemas de recomendação. Em 2025, porém, essas ferramentas avançaram para a área de experiência do usuário, com estímulo explícito da liderança para que fossem adotadas pelos funcionários.
Os times passaram a receber treinamento, e os profissionais foram orientados a documentar e prestar contas do uso de IA em suas atividades diárias, enquanto gestores acompanhavam de perto as métricas de utilização em cada equipe.
No ano passado, Marcos Galperin, cofundador do Mercado Livre, anunciou que deixaria o posto de CEO, passando o comando a Ariel Szarfsztejn. Em um podcast da empresa, Galperin afirmou que pretende se dedicar a projetos de inteligência artificial.
Hoje estamos muito mais focados em ter sucesso em toda essa transição ao mundo dos agentes — Marcos Galperin
Apesar da reestruturação envolvendo IA, o desempenho financeiro da companhia segue em trajetória de crescimento. Segundo os últimos resultados divulgados, o Mercado Livre registrou receita de cerca de R$ 40 bilhões no terceiro trimestre do ano passado, uma alta de 39% em 12 meses.
Esse foi o 27º trimestre consecutivo em que o faturamento da empresa cresceu acima de 30%, consolidando o Mercado Livre como um dos principais grupos de comércio eletrônico e serviços financeiros digitais da América Latina, mesmo em meio às mudanças provocadas pela adoção acelerada da inteligência artificial.