Ex-padre é condenado a 24 anos anos de prisão de por estupr0 de criança de três anos
Justiça também determinou pagamento de R$ 30 mil por danos morais, em decisão de primeira
Um professor de 46 anos, preso suspeito de exigir fotos íntimas de alunos em troca de notas altas, abordava adolescentes durante os intervalos, nos corredores das escolas e no recreio. De acordo com as investigações, ele também chegou a oferecer dinheiro para que os menores enviassem imagens dos órgãos genitais.
Os casos ocorreram na Serra e em Vila Velha, na Grande Vitória. A Polícia Civil do Espírito Santo já identificou oito vítimas, com idades entre 10 e 16 anos, em sua maioria estudantes com baixo rendimento escolar. Segundo a corporação, o homem se aproveitava da condição de professor para aliciar, assediar e abusar dos alunos.
A identidade do suspeito não foi divulgada. Bairros e escolas em que os crimes teriam acontecido também não foram informados, para preservar os menores de idade, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Professor é preso por abuso sexual de alunos em troca de notas maiores em escolas públicas do Espírito Santo
Foto: Divulgação/ Polícia Civil
Os crimes vieram à tona em novembro de 2024, quando um estudante da Serra foi à casa de uma amiga para fazer um trabalho escolar. Durante a visita, ele comentou que mantinha conversas de cunho sexual com o professor. A mãe da menina ouviu a fala, pediu para ver o conteúdo no aplicativo de mensagens e percebeu que poderia se tratar de crime.
Ao constatar a gravidade da situação, a mulher procurou a escola e relatou o caso. A unidade de ensino, então, informou a responsável pelo adolescente, que registrou denúncia na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
Em depoimento na área psicossocial, um dos adolescentes relatou que o professor pediu para ser seguido no Instagram e ativou o modo de conversa temporária. A partir daí, passaram a ocorrer convites insistentes para sair, ir à praia, ao cinema e até à casa do professor.
Desconfiado das intenções do suspeito, o menor percebeu o comportamento inadequado e a abordagem mudou. O professor passou a mandar fotos de mulheres nuas. Como fazia parte de uma banda, usou o acesso às dançarinas do grupo para tentar atrair os meninos, inclusive aqueles que diziam ser heterossexuais.
Durante as investigações, a Polícia Civil encontrou conversas nas quais o professor dizia ao aluno que ele só precisava escrever o próprio nome nas provas e que “deixasse o resto por conta dele”. O suspeito preenchia as respostas, o estudante recebia nota alta e, em troca, teria de enviar foto do órgão genital.
Busca e apreensão realizada no apartamento do professor resultou na coleta de diversos aparelhos eletrônicos. De acordo com a polícia, o material armazenado indicava um método organizado: pastas com as iniciais das escolas onde lecionava e, dentro delas, subpastas com as iniciais das vítimas, onde eram guardadas as imagens íntimas dos adolescentes.
Também foram encontrados acessos frequentes a sites de exploração sexual infantil, com registros de crianças sendo abusadas e de adolescentes em relações sexuais entre si. No conteúdo, havia ainda fotos de vítimas que já haviam procurado a DPCA para denunciar assédio, importunação e estupro.
Em fevereiro de 2025, um novo caso chegou à polícia, envolvendo um adolescente de 12 anos, morador da Serra. O professor teria apreendido o celular do aluno na escola e o ameaçado para que não fosse denunciado, ordenando que o menor acessasse sites pornográficos sob a justificativa de que poderia verificar se ele havia cumprido a ordem.
O aluno relatou que o suspeito dizia conhecer a família e saber onde moravam, o que aumentava o medo. O professor também teria seguido o adolescente até o banheiro e o tocado na coxa e nas nádegas.
A mãe notou mudanças bruscas no comportamento do filho, que passou a ter medo do escuro e a querer dormir com ela. Ao checar o celular, encontrou o histórico de sites pornográficos, questionou o menino e ouviu o relato das ameaças, decidindo, então, denunciar o caso.
Em Vila Velha, a Polícia Civil identificou, até o momento, seis vítimas, com idades entre 13 e 16 anos, em casos que teriam ocorrido em 2023. Já em 2024, quando o professor não trabalhava mais na rede municipal do município, as abordagens passaram a ocorrer principalmente pelas redes sociais.
Encontramos diversos Pix, feitos para essas vítimas com valores entre R$ 30 e R$ 50. Para outras vítimas, ele também chegou a oferecer objetos de desejo, dentre os quais uma prancha de surfe.
Glalber Queiroz, adjunto da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA)
Diante das provas reunidas, a polícia pediu a prisão preventiva do professor. Desde abril de 2025, ele estava foragido. Em 8 de janeiro, foi localizado e preso na Serra.
Ainda não há informação sobre há quanto tempo o investigado atua como professor. No material apreendido, porém, foram encontradas imagens que sugerem a possibilidade de existência de mais vítimas em escolas onde ele lecionou anteriormente.
A Polícia Civil pede que qualquer possível vítima do professor procure a delegacia, para ampliar o alcance das investigações e fortalecer as provas.
A Prefeitura da Serra informou que o professor trabalhava por designação temporária e não integra mais o quadro de profissionais da rede pública municipal. Já a Prefeitura de Vila Velha afirmou que denúncias de assédio envolvendo alunos são apuradas por meio de processo administrativo e comunicadas imediatamente às autoridades competentes.