STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
Em sessão virtual iniciada em 13/03/2026, colegiado avalia se referenda ou revisa decisão individual do ministro André Mendonça no caso ligado ao Banco Master
A relação entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo foco de tensão nesta sexta-feira (13), após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revogar o visto de Darren Beattie, integrante do Departamento de Estado dos EUA. A decisão foi tomada depois de Beattie tentar visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso em Brasília, e ocorre em meio a despachos do ministro Alexandre de Moraes, do STF, sobre o pedido de visita.
Darren Beattie, assessor de Trump e ex-presidente, Jair Bolsonaro
Foto: Reprodução
Segundo a Associated Press, Lula determinou a revogação do visto de Beattie e classificou a medida como um gesto de “reciprocidade”, relacionando o ato a episódios anteriores de cancelamento de vistos que envolveram autoridades brasileiras. A revogação foi adotada um dia depois de Moraes ter negado o pedido de visita de Beattie a Bolsonaro, de acordo com o relato da agência.
Antes disso, veículos de imprensa no Brasil informaram que o ministro do STF havia autorizado uma visita de Darren Beattie a Bolsonaro para o dia 18 de março, em uma janela específica pela manhã e com previsão de intérprete. A defesa do ex-presidente teria solicitado a alteração da data, pedido que foi negado.
Há, porém, divergência pública entre as versões sobre a visita — especialmente entre a autorização para 18 de março, registrada na imprensa brasileira, e a negativa posterior mencionada pela Associated Press. Até o momento, não foi localizado, nesta apuração, um documento oficial único que consolide a cronologia completa envolvendo STF, Itamaraty e Presidência.
De acordo com a Associated Press, a iniciativa de revogar o visto foi atribuída diretamente a Lula, vinculada a um contexto de reciprocidade diplomática. A mesma reportagem aponta que Alexandre de Moraes negou o pedido de Beattie para visitar Bolsonaro na prisão em Brasília.
Na cobertura nacional, veículos como Poder360 e InfoMoney registraram que o STF chegou a autorizar a visita em 18 de março, estabelecendo regras de horário e acompanhamento, além de negar o pedido da defesa de Bolsonaro para antecipar a data.
No entorno do processo que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro, o episódio adiciona um componente político e internacional. A tentativa de visita de Darren Beattie — descrito como ligado ao governo Trump — e a reação do governo brasileiro tendem a alimentar disputas narrativas sobre “interferência externa” versus “rotina consular e diplomática”.
Para a relação bilateral, a revogação de visto é considerada um gesto duro, com potencial de provocar resposta equivalente por parte de Washington. Na prática, pode impactar agendas oficiais, missões e a interlocução entre as chancelarias.
No plano interno, o caso deve repercutir no Congresso e entre aliados de Bolsonaro, justamente por envolver um assessor associado ao governo Trump, a condição de preso do ex-presidente e uma decisão do STF, ampliando o peso político da medida.
Entre os desdobramentos aguardados, está a checagem de documentos e despachos oficiais que detalhem a linha do tempo de decisões envolvendo a tentativa de visita de Darren Beattie a Bolsonaro — incluindo eventual autorização, revisão ou negativa e os efeitos diretos da revogação do visto.
Também seguem em aberto as reações formais do governo dos Estados Unidos, em especial do Departamento de Estado e da embaixada em Brasília, tanto sobre a revogação do visto quanto sobre as condições da tentativa de visita.
Outro ponto a monitorar é se haverá nova solicitação de visita ou outra agenda diplomática relacionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em meio à divergência de versões sobre a autorização ou negação e ao impacto político do caso.