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A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) decidiu manter a redução da pressão da água por 10 horas à noite, das 19h às 5h, na Região Metropolitana de São Paulo. A medida, adotada para preservar os níveis dos reservatórios que abastecem a Grande São Paulo, tem impacto maior em imóveis de áreas mais altas, onde a água muitas vezes não chega com força suficiente no período noturno.
Pressão da água tem sido reduzida por 10 horas durante a noite na Grande São Paulo
Foto: Divulgação/Saneago
Segundo o governo paulista, o chamado regime de Gestão de Demanda Noturna (GDN) foi mantido pela Arsesp em decisão tomada na segunda-feira (9), com validade para toda a Grande São Paulo. A pressão fica reduzida entre 19h e 5h como forma de conter o consumo em horário de menor demanda e resguardar os reservatórios para o período de estiagem.
A decisão foi tomada pela Arsesp com base em avaliação técnica das condições hidrológicas do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) e do Sistema Cantareira. Embora o SIM esteja com armazenamento superior a 50%, o Cantareira, responsável por cerca de metade do abastecimento da Grande São Paulo, apresenta níveis mais baixos de recuperação após o período de chuvas.
Com a pressão reduzida, imóveis em bairros altos, no fim de rede ou sem caixa-d’água tendem a ser os mais afetados, com relatos de torneiras secas ou grande queda de vazão à noite, apesar de o abastecimento voltar a se normalizar ao longo do dia.
A manutenção da GDN foi recomendada pelo comitê que reúne Arsesp e Agência SP Águas e reflete a preocupação com a aproximação do período de estiagem, em um cenário de recuperação abaixo do esperado em parte dos mananciais. Tradicionalmente, o período de cheias em São Paulo vai de outubro ao fim de março, quando as represas deveriam acumular a maior parte da água necessária para o restante do ano.
No Sistema Cantareira, a atual temporada de chuvas é uma das piores da última década. Responsável pelo abastecimento de cerca de 9 milhões de moradores da Grande São Paulo, o Cantareira acumulou, de outubro de 2025 a fevereiro de 2026, cerca de 75 bilhões de litros de água, volume bem inferior à média dos últimos dez anos. O sistema opera hoje com pouco mais de um terço da capacidade.
Já o Sistema Integrado Metropolitano, que reúne sete mananciais, apresenta armazenamento em torno de 50% e atingiu, em março de 2026, o menor patamar para o mês desde 2016, quando a região ainda se recuperava da crise hídrica anterior.
De acordo com o governo, a redução de pressão adotada desde setembro do ano passado já teria resultado na economia de mais de 105 bilhões de litros de água, volume suficiente para abastecer a capital, Guarulhos, São Bernardo e Mauá por cerca de 30 dias.
A medida é tratada como temporária e poderá ser revista caso haja melhora significativa nas condições hidrológicas, especialmente no Cantareira. A avaliação é feita com base no comportamento das chuvas, no ritmo de recuperação dos reservatórios e nas projeções para a estiagem.
A decisão considera o percentual de recuperação dos reservatórios e a aproximação da estiagem, fase em que historicamente se intensifica a pressão sobre os sistemas de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. Nesse contexto, a manutenção das medidas de gestão da demanda busca preservar os níveis dos reservatórios e reforçar a segurança hídrica da região
Arsesp
O Sistema Integrado Metropolitano está atualmente enquadrado na chamada Faixa de Atuação 2, em que a regra técnica prevê redução da pressão por até oito horas noturnas. Como medida preventiva, no entanto, o governo decidiu manter a GDN em 10 horas, ampliando em duas horas o tempo de contenção em relação ao limite previsto para essa faixa.
O modelo de gestão hídrica é dividido em faixas, conforme o nível de armazenamento dos mananciais:
Na prática, a manutenção da GDN atinge de forma mais aguda os moradores de bairros altos, imóveis localizados no fim da rede de distribuição e residências sem reservação adequada, como caixa-d’água dimensionada para o consumo da família.
Entre 19h e 5h, é comum que a queda de vazão seja intensa ou que falte água em pontos mais elevados, mesmo quando o abastecimento se normaliza ao longo do dia. Para reduzir o risco de ficar sem água, recomenda-se evitar consumo elevado no início da noite, período em que a pressão começa a cair, e manter reserva suficiente para atravessar a madrugada.
Casos de falta de água que se estendam para além do período noturno, ou episódios recorrentes e prolongados, devem ser registrados inicialmente junto à concessionária responsável (como a Sabesp, na maior parte da RMSP) e, se não houver solução, levados aos canais de atendimento da Arsesp.
A expectativa do governo é de que a redução de pressão por 10 horas à noite continue em vigor enquanto os indicadores dos reservatórios não mostrarem recuperação consistente, com atenção especial ao Cantareira e ao fechamento do atual período de chuvas.
A Arsesp e a Agência SP Águas acompanham a evolução dos níveis de armazenamento e poderão reavaliar a duração e a intensidade da GDN à medida que avancem os meses de estiagem de 2026. Mudanças na estratégia dependem diretamente de uma melhora efetiva das condições hidrológicas na Grande São Paulo.