Governo de SP mantém pressão da água reduzida por 10 horas à noite na Grande São Paulo

Arsesp decidiu manter a Gestão de Demanda Noturna das 19h às 5h para preservar reservatórios com a aproximação da estiagem; medida afeta mais bairros altos e imóveis sem caixa-d’água

13/03/2026 às 11:10 por Redação Plox

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) decidiu manter a redução da pressão da água por 10 horas à noite, das 19h às 5h, na Região Metropolitana de São Paulo. A medida, adotada para preservar os níveis dos reservatórios que abastecem a Grande São Paulo, tem impacto maior em imóveis de áreas mais altas, onde a água muitas vezes não chega com força suficiente no período noturno.


Pressão da água tem sido reduzida por 10 horas durante a noite na Grande São Paulo

Pressão da água tem sido reduzida por 10 horas durante a noite na Grande São Paulo

Foto: Divulgação/Saneago


Pressão reduzida por 10 horas à noite será mantida

Segundo o governo paulista, o chamado regime de Gestão de Demanda Noturna (GDN) foi mantido pela Arsesp em decisão tomada na segunda-feira (9), com validade para toda a Grande São Paulo. A pressão fica reduzida entre 19h e 5h como forma de conter o consumo em horário de menor demanda e resguardar os reservatórios para o período de estiagem.

A decisão foi tomada pela Arsesp com base em avaliação técnica das condições hidrológicas do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) e do Sistema Cantareira. Embora o SIM esteja com armazenamento superior a 50%, o Cantareira, responsável por cerca de metade do abastecimento da Grande São Paulo, apresenta níveis mais baixos de recuperação após o período de chuvas.

Com a pressão reduzida, imóveis em bairros altos, no fim de rede ou sem caixa-d’água tendem a ser os mais afetados, com relatos de torneiras secas ou grande queda de vazão à noite, apesar de o abastecimento voltar a se normalizar ao longo do dia.

Decisão atrelada à estiagem e à situação dos reservatórios

A manutenção da GDN foi recomendada pelo comitê que reúne Arsesp e Agência SP Águas e reflete a preocupação com a aproximação do período de estiagem, em um cenário de recuperação abaixo do esperado em parte dos mananciais. Tradicionalmente, o período de cheias em São Paulo vai de outubro ao fim de março, quando as represas deveriam acumular a maior parte da água necessária para o restante do ano.

No Sistema Cantareira, a atual temporada de chuvas é uma das piores da última década. Responsável pelo abastecimento de cerca de 9 milhões de moradores da Grande São Paulo, o Cantareira acumulou, de outubro de 2025 a fevereiro de 2026, cerca de 75 bilhões de litros de água, volume bem inferior à média dos últimos dez anos. O sistema opera hoje com pouco mais de um terço da capacidade.

Já o Sistema Integrado Metropolitano, que reúne sete mananciais, apresenta armazenamento em torno de 50% e atingiu, em março de 2026, o menor patamar para o mês desde 2016, quando a região ainda se recuperava da crise hídrica anterior.

Economia de água e possibilidade de revisão

De acordo com o governo, a redução de pressão adotada desde setembro do ano passado já teria resultado na economia de mais de 105 bilhões de litros de água, volume suficiente para abastecer a capital, Guarulhos, São Bernardo e Mauá por cerca de 30 dias.

A medida é tratada como temporária e poderá ser revista caso haja melhora significativa nas condições hidrológicas, especialmente no Cantareira. A avaliação é feita com base no comportamento das chuvas, no ritmo de recuperação dos reservatórios e nas projeções para a estiagem.

A decisão considera o percentual de recuperação dos reservatórios e a aproximação da estiagem, fase em que historicamente se intensifica a pressão sobre os sistemas de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. Nesse contexto, a manutenção das medidas de gestão da demanda busca preservar os níveis dos reservatórios e reforçar a segurança hídrica da região

Arsesp

Gestão de Demanda Noturna acima do previsto

O Sistema Integrado Metropolitano está atualmente enquadrado na chamada Faixa de Atuação 2, em que a regra técnica prevê redução da pressão por até oito horas noturnas. Como medida preventiva, no entanto, o governo decidiu manter a GDN em 10 horas, ampliando em duas horas o tempo de contenção em relação ao limite previsto para essa faixa.

O modelo de gestão hídrica é dividido em faixas, conforme o nível de armazenamento dos mananciais:

  • Faixa de normalidade (100% a 57,23%): operação sem restrições adicionais além das usuais de operação.
  • Faixa 1 (57,22% a 51,23%): início da revisão das transposições de bacia e reforço nas campanhas de uso consciente da água.
  • Faixa 2 (52,22% a 45,23%): redução da pressão na rede por 8 horas noturnas, patamar em que o sistema se encontra hoje, embora a gestão esteja optando por 10 horas.
  • Faixa 3 (45,22% a 39,23%): redução de pressão por 10 horas e meta de economia de 8 mil litros por segundo.
  • Faixa 4 (39,22% a 33,23%): limitação da pressão na tubulação por 12 horas.
  • Faixa 5 (33,22% a 23,23%): restrições mais intensas, com 14 horas de contenção no sistema.
  • Faixa 6 (23,22% a 13,23%): contenção ampliada para 16 horas noturnas, com início da instalação de bombas para captar o volume morto e ligações emergenciais em locais essenciais, como hospitais, clínicas de hemodiálise, presídios e postos de bombeiros.
  • Faixa 7 (abaixo de 13,23%): implantação de rodízio no abastecimento, com alternância diária entre áreas que terão e que não terão água.

Quem sente mais e como se proteger

Na prática, a manutenção da GDN atinge de forma mais aguda os moradores de bairros altos, imóveis localizados no fim da rede de distribuição e residências sem reservação adequada, como caixa-d’água dimensionada para o consumo da família.

Entre 19h e 5h, é comum que a queda de vazão seja intensa ou que falte água em pontos mais elevados, mesmo quando o abastecimento se normaliza ao longo do dia. Para reduzir o risco de ficar sem água, recomenda-se evitar consumo elevado no início da noite, período em que a pressão começa a cair, e manter reserva suficiente para atravessar a madrugada.

Casos de falta de água que se estendam para além do período noturno, ou episódios recorrentes e prolongados, devem ser registrados inicialmente junto à concessionária responsável (como a Sabesp, na maior parte da RMSP) e, se não houver solução, levados aos canais de atendimento da Arsesp.

Perspectivas para a estiagem de 2026

A expectativa do governo é de que a redução de pressão por 10 horas à noite continue em vigor enquanto os indicadores dos reservatórios não mostrarem recuperação consistente, com atenção especial ao Cantareira e ao fechamento do atual período de chuvas.

A Arsesp e a Agência SP Águas acompanham a evolução dos níveis de armazenamento e poderão reavaliar a duração e a intensidade da GDN à medida que avancem os meses de estiagem de 2026. Mudanças na estratégia dependem diretamente de uma melhora efetiva das condições hidrológicas na Grande São Paulo.

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