Frase atribuída a Lula sobre “caminhar” em vez de Ozempic volta a circular, enquanto uso de Janja é relembrado

Publicação reacende debate sobre semaglutida fora da indicação médica; apuração não encontrou registro primário em acesso aberto que comprove literalmente a fala, e não há nota oficial do Planalto ou da Secom sobre o caso

13/03/2026 às 22:54 por Redação Plox

A circulação de uma frase atribuída ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — orientando a população a “caminhar” em vez de recorrer ao Ozempic para emagrecer — reacendeu nas redes sociais o debate sobre o uso de medicamentos como a semaglutida fora das indicações médicas. No mesmo movimento, voltou a ser compartilhada uma reportagem de 2023 que mencionava o uso de Ozempic pela primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e sua perda de peso.

Até o momento, a apuração não encontrou, em acesso aberto, o registro primário — como vídeo integral, transcrição oficial ou link direto do veículo — que comprove exatamente a frase atribuída a Lula na data citada nas postagens. O caso segue, portanto, em apuração, tanto quanto ao teor literal da declaração quanto ao contexto completo em que ela teria sido feita.

Lula e Janja da Silva

Lula e Janja da Silva

Foto: Ricardo Stuckert / PR


Frase viral e retomada do caso Janja

Publicações em redes sociais passaram a associar ao presidente uma fala crítica ao uso do Ozempic para emagrecimento, defendendo que as pessoas deveriam “caminhar” ou praticar atividade física em vez de utilizar o medicamento. A repercussão foi imediata, em meio ao crescimento da popularidade desses fármacos para perda de peso.

Em paralelo, voltou a circular conteúdo publicado em 2023 sobre Janja e o Ozempic. Naquele ano, um veículo de imprensa noticiou que a primeira-dama teria aderido ao medicamento e emagrecido, informação que foi repercutida por outro jornal no mesmo período. A justaposição entre a orientação atribuída a Lula — priorizar caminhada em vez de Ozempic — e as reportagens sobre o suposto uso do remédio por Janja alimentou novas ondas de comentários e críticas.

O tema ganha força porque o Ozempic, cujo princípio ativo é a semaglutida, tornou-se um símbolo da busca por emagrecimento rápido, com um debate em aberto sobre uso off-label, acesso desigual e riscos associados.

Contexto de falas anteriores sobre “caminhar”

Em outro episódio de desinformação, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) já havia divulgado uma nota desmentindo que Lula teria “mandado idosos andarem a pé por causa do preço dos combustíveis”. Na ocasião, a Secom explicou que o presidente falava sobre a importância da caminhada e da prática esportiva em um contexto de saúde e promoção de atividade física, em fala de 29 de setembro de 2022.

Esse histórico é relevante porque indica como declarações sobre “caminhar” podem ser recortadas, descontextualizadas e reaproveitadas em novas narrativas. Ainda assim, até agora não há nota oficial do Planalto ou da Secom especificamente sobre a frase “caminhar em vez de Ozempic” que está em circulação. A existência dessa fala, seu conteúdo literal e o contexto em que teria sido feita seguem sendo apurados.

Polarização entre saúde e política

No debate público, a associação entre “caminhada” e Ozempic tende a simplificar um tema complexo — obesidade e diabetes — e a transformá-lo em disputa política. A contraposição entre um suposto conselho de Lula para que as pessoas caminhem e as reportagens antigas sobre o uso de Ozempic por Janja passa a ser usada por adversários e apoiadores como munição retórica, mesmo sem confirmação do conteúdo literal da declaração atual.

Para quem usa ou busca o medicamento, o contexto é sensível. O Ozempic é indicado principalmente para o tratamento de diabetes tipo 2 e, em alguns cenários, para manejo de peso sob prescrição e acompanhamento. O embate político em torno da frase atribuída ao presidente e do suposto uso do remédio pela primeira-dama pode estimular automedicação, pressão sobre médicos por prescrição e desinformação sobre riscos e benefícios.

Nesse cenário, especialistas alertam para a necessidade de separar o debate sobre uso com indicação médica e o uso fora de indicação, evitando que a controvérsia sobre a fala de Lula e o histórico de Janja reduza a discussão a uma escolha simplista entre “caminhar” ou “tomar remédio”.

Pontos ainda em apuração

Entre as checagens em andamento, está a busca pelo registro primário da fala atribuída ao presidente: vídeo completo, agenda oficial, transcrição ou link direto para o veículo que teria publicado a declaração. Também está em curso a tentativa de obter um posicionamento do Planalto ou da Secom sobre o conteúdo que viralizou em 13 de março de 2026, data indicada pelo contexto das postagens.

Outro ponto em análise é se houve menção direta ao termo “Ozempic” na fala de Lula e em qual contexto isso teria ocorrido — se em discussão sobre saúde pública, crítica ao uso estético de medicamentos, comentário informal ou outro cenário. Até que esses elementos sejam esclarecidos, a recomendação na cobertura é reforçar a distinção entre prescrição médica e uso sem orientação, evitando conclusões médicas ou políticas que não estejam amparadas em informações verificáveis.

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