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A mãe de Miguel Araújo Machado, 12 anos, e Benício Araújo Machado, 8 anos, mortos em Itumbiara (GO), desabafou sobre a dor e a dificuldade de seguir em frente cerca de um mês após a tragédia que abalou a cidade e ganhou repercussão nacional. Segundo a investigação, o pai das crianças, Thales Machado, que era secretário municipal, atirou contra os filhos e tirou a própria vida em seguida.
Sarah recebeu um buquê de rosas brancas de um grupo de mulheres como gesto de apoio
Foto: Secom/Itumbiara e Instagram de Thales Machado
A mãe contou que ainda não consegue acreditar no que aconteceu e que é muito difícil conviver com a ausência dos filhos no dia a dia. A lembrança de fotos, vídeos e momentos com Miguel e Benício se transformou em um luto profundo, que ela descreve como quase impossível de suportar. A morte dos meninos, dentro da própria casa da família em Itumbiara, continua sendo o eixo de sua vida e de sua rotina, agora marcada pela falta.
Ela também falou sobre a dificuldade de retomar qualquer sensação de normalidade depois do crime e de como o impacto da tragédia reorganizou todas as relações familiares. Nesse período, gestos de apoio e solidariedade se tornaram uma parte importante da tentativa de reconstrução emocional.
Um dos símbolos dessa rede de acolhimento foi o buquê de rosas brancas entregue por um grupo que reúne mais de 300 mulheres de diversas partes do país. As flores foram levadas até a casa do prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, pai da mãe das crianças, pela coordenadora da Casa da Mulher do município, como forma de apoio público e pessoal em meio ao luto.
Quero agradecer a todas elas. Eu sinto muito o carinho de todas por mim, a solidariedade, sinto as orações, sinto que está me sustentando o apoio de todas elas
mãe de Miguel e Benício, em entrevista
De acordo com relatos publicados por veículos goianos e com a apuração policial divulgada na imprensa, os disparos aconteceram na residência da família em Itumbiara, na noite de 11 de fevereiro de 2026. As crianças chegaram a ser socorridas: Miguel morreu no mesmo dia, enquanto Benício faleceu em 13 de fevereiro de 2026, após permanecer internado.
A Polícia Civil concluiu que o crime foi cometido sem participação de terceiros e apontou indícios de premeditação. Reportagem do jornal O Hoje, em edição em PDF, relata que o delegado responsável, Felipe Sala, apresentou em coletiva a reconstrução da linha do tempo e os principais elementos periciais reunidos no inquérito.
Secretário de Governo da Prefeitura de Itumbiara Thales Machado e os dois filhos
Foto: Reprodução/Instagram de Thales Machado
A tragédia causou comoção em Itumbiara e foi acompanhada em todo o país. Autoridades estaduais e municipais se manifestaram publicamente após o caso, destacando o impacto de um episódio de violência dentro do ambiente familiar envolvendo crianças.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, divulgou nota de pesar e comentou a comoção gerada pelo crime. No âmbito municipal, o prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, avô dos meninos, falou à imprensa cerca de um mês depois e descreveu a perda como irreparável, em registro publicado pelo Portal 6.
Em uma das homenagens marcantes, foi realizada a Missa de 7º Dia na cidade, com forte presença de familiares, amigos e colegas de escola dos irmãos. Crianças foram à cerimônia usando camisetas com as fotos de Miguel e Benício, e ao final um grupo de mães caminhou pelas ruas em apoio à mãe dos meninos, reforçando o gesto coletivo de solidariedade.
O caso evidenciou efeitos imediatos para a comunidade e para famílias em situação de vulnerabilidade. De um lado, houve mobilização social para oferecer apoio à mãe e aos familiares; de outro, a repercussão também alimentou julgamentos e ataques online, mencionados em reportagens sobre desinformação e boatos que circularam após o crime.
Nesse contexto, a Defensoria Pública do Estado de Goiás ingressou com uma ação civil pública pedindo indenização e medidas contra emissoras, sob a alegação de revitimização e exposição indevida da mãe das crianças durante a cobertura e a repercussão do caso. A iniciativa reforça o debate sobre limites na divulgação de imagens e detalhes da vida privada em situações de violência intrafamiliar, especialmente quando há crianças envolvidas.
Para famílias que enfrentam ameaças, perseguição ou exposição indevida, a recomendação geral apontada em materiais sobre o tema é registrar ocorrência, preservar provas digitais como prints e links, e buscar apoio jurídico e psicossocial por canais oficiais, como Defensoria Pública, Ministério Público e redes municipais ou estaduais de proteção.
Cerimônia tinha a presença do avô, o prefeito de Itumbiara Dione Araújo e da mãe dos meninos, Sarah Araújo
Foto: Reprodução/TV Anhanguera
Apesar de a investigação policial já ter apontado a dinâmica do crime e indícios de premeditação, alguns pontos seguem em acompanhamento