Operação Shadowgun investiga comércio de armas e peças impressas em 3D em plataformas online no Brasil

Investigação do MP-RJ e da Polícia Civil identificou anúncios e cerca de 75 transações envolvendo componentes de armamentos, além da comercialização de projetos digitais e suporte técnico para fabricação caseira

13/03/2026 às 08:59 por Redação Plox

A investigação da Operação Shadowgun aponta que armas e peças produzidas em impressoras 3D foram comercializadas em plataformas de e-commerce usadas no Brasil. A informação foi detalhada em coletiva por integrantes do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e da Polícia Civil, que descrevem um esquema voltado tanto à venda de componentes quanto à difusão de projetos digitais para fabricação caseira de armamentos.

Segundo o material encaminhado à redação, os investigadores identificaram anúncios e transações envolvendo partes de armas de fogo em sites de comércio eletrônico, com registros atribuídos a diferentes regiões do país. A apuração indica ainda que parte dos compradores teria ligação com atividades criminosas, como tráfico de drogas, milícias e homicídios.

Armas em 3D e comércio online sob suspeita

De acordo com as informações em análise, a Operação Shadowgun mapeou cerca de 75 transações envolvendo peças de armamentos produzidas em impressoras 3D em uma plataforma de marketplace amplamente utilizada no Brasil. Essas movimentações estariam relacionadas ao comércio de componentes e acessórios que, reunidos, permitiriam a montagem de armas de fogo.

As autoridades veem o uso de plataformas de e-commerce como um fator que amplia o risco de disseminação de armamento, sobretudo pela facilidade de acesso a anúncios e pela possibilidade de envio para diferentes estados. O caso acende um alerta para o monitoramento de conteúdos e ofertas ilegais em ambientes digitais de grande circulação.


Algumas das armas produzidas em impressoras 3D

Algumas das armas produzidas em impressoras 3D

Foto: Reprodução


Venda de projetos digitais e suporte técnico

Além da comercialização de peças físicas, a Shadowgun apura a atuação de um grupo que teria passado a oferecer projetos digitais de armas, com orientação técnica para que compradores pudessem fabricar o armamento em casa, usando impressoras 3D. Nesse modelo, arquivos, tutoriais e acompanhamento remoto substituiriam estruturas tradicionais de produção clandestina, permitindo que qualquer pessoa com acesso à tecnologia possa produzir armamento fora de sistemas de controle.

O esquema descrito inclui desde a idealização de projetos até a venda dos arquivos, em um formato que combina comércio ilegal de armas com difusão de conhecimento técnico para replicação do material em diferentes locais do país.


Peças de armas feitas em impressoras 3D foram vendidas em plataformas de e-commerce.

Peças de armas feitas em impressoras 3D foram vendidas em plataformas de e-commerce.

Foto: Reprodução


Modelo caseiro e custo estimado

Entre os itens sob investigação, um dos exemplos mencionados é a carabina conhecida como Urutau, atribuída a um desenvolvedor identificado apenas por pseudônimo. O modelo teria sido desenhado para ser produzido integralmente em impressoras 3D, com componentes de baixo custo e montagem doméstica.

De acordo com os dados enviados, a fabricação desse tipo de armamento poderia ser realizada com investimento em torno de R$ 800, somando materiais e insumos necessários. A possibilidade de produção caseira por esse valor é vista como um fator adicional de preocupação pelas autoridades.


Impressoras 3D eram usadas para fabricar armas e acessórios

Impressoras 3D eram usadas para fabricar armas e acessórios

Foto: Reprodução


Riscos de radicalização e acesso por jovens

O material aponta que o avanço da tecnologia de impressão 3D aplicada a armas pode fortalecer não apenas o crime organizado, mas também grupos radicais e extremistas. A facilidade de replicar projetos digitais e de adquirir componentes em marketplaces amplia o acesso a armamentos fora de controles formais.

Há, ainda, um alerta específico para o risco de disseminação entre adolescentes e jovens, que utilizam com frequência plataformas de e-commerce e podem ser expostos a conteúdos ou ofertas relacionadas à compra de peças e projetos de armas. Esse cenário reforça a necessidade de atenção de famílias, escolas e autoridades para práticas de consumo online e para a educação digital sobre riscos e ilegalidades.

Operação em múltiplos estados e alvos do esquema

A Operação Shadowgun foi deflagrada para desarticular um esquema interestadual de produção e venda de armamentos fabricados em impressoras 3D. Conforme o conteúdo encaminhado, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em diversos estados, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo, com quatro homens presos em uma das fases mencionadas, entre eles o apontado como líder do grupo.

As investigações identificaram dezenas de compradores em todo o país, parte deles com antecedentes por tráfico de drogas, homicídios e outros crimes. No Rio de Janeiro, teriam sido localizados alvos na capital, na Região dos Lagos e no Norte Fluminense.


Operação em 11 estados mira esquema de venda de armas produzidas em impressoras 3D; 4 são presos

Operação em 11 estados mira esquema de venda de armas produzidas em impressoras 3D; 4 são presos

Foto: Reprodução TV Globo


Alcance da investigação e pontos ainda em apuração

O texto original que descreve o caso destaca que alguns dados permanecem em apuração, como a confirmação do número exato de presos, a quantidade de mandados cumpridos e o detalhamento preciso das transações em plataformas específicas de e-commerce.

Também segue em verificação a existência de posicionamento oficial de plataformas de marketplace, bem como informações completas sobre quais itens eram ofertados — se apenas peças físicas, insumos, acessórios ou também arquivos digitais e consultorias para montagem de armamentos.

Enquanto a apuração avança, a Operação Shadowgun consolida-se como um caso emblemático do uso de impressoras 3D e comércio eletrônico na cadeia ilegal de armas, evidenciando os desafios de fiscalização em um ambiente em que tecnologia, marketplaces e criminalidade se cruzam.



Letícia Emile, coordenadora do Gaeco.

Letícia Emile, coordenadora do Gaeco.

Foto: Reprodução TV Globo


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