Ancelotti diz que pressão é maior obstáculo do Brasil em Copas e pede reação mais resiliente

Na sede da CBF, no Rio, técnico defende transformar a cobrança em impulso e criar rotina para lidar com erros sem “drama nacional”.

13/05/2026 às 15:27 por Redação Plox

Acostumado a conviver com títulos, mudanças táticas e diferentes gerações de craques, Carlo Ancelotti avalia que o obstáculo central do Brasil em Copas do Mundo não está na qualidade técnica. Para o treinador, o problema aparece quando o elenco passa a reagir como se cada erro fosse um drama nacional. A menos de um mês do início do Mundial, o italiano defendeu que a seleção precisa aprender a transformar a pressão em impulso na tentativa de encerrar um jejum de 24 anos sem levantar o troféu. 


Carlo Ancelotti, Técnico da Seleção Brasileira de futebol.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF


 Na terça-feira (12) na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro, Ancelotti disse ter percebido um ambiente de cobrança elevado sobre o grupo — e também uma autocobrança que, por vezes, vai além do necessário, diminuindo exatamente aquilo que ele considera parte essencial da identidade brasileira: a alegria, a energia e a criatividade.

Pressão como fator que mina o rendimento

Segundo o técnico, a carga emocional que acompanha a seleção se manifesta até em partidas sem grande peso competitivo. Ele afirmou que já notou, em amistosos, situações em que um equívoco de um companheiro parece ganhar proporções exageradas. Para Ancelotti, esse tipo de reação reforça o peso do cenário e ajuda a explicar críticas recorrentes ao Brasil em Copas recentes, frequentemente associadas tanto à fragilidade emocional quanto a questões táticas.

Como resposta, o treinador defendeu a criação de uma rotina capaz de reduzir esse efeito. Na avaliação dele, administrar a pressão de forma eficiente passa por aumentar a motivação e fortalecer a camaradagem, já que a divisão do peso dentro do grupo tende a torná-lo mais suportável.

Identidade preservada, com base mais sólida

Ancelotti disse não aceitar a ideia de que o Brasil precise escolher entre encantar e vencer. Para ele, o caminho não é abrir mão do estilo, mas oferecer uma base mais firme para que a equipe suporte a intensidade do futebol moderno. Na visão do italiano, a seleção não pode perder aquilo que tem de melhor, mas precisa sustentar essa característica com um conjunto mais bem estruturado.

Carnaval vira referência para o modelo desejado

Ao explicar o que busca para a seleção, Ancelotti recorreu a uma experiência fora do campo. Ele contou que viveu seu primeiro Carnaval no Brasil neste ano e disse ter identificado ali uma combinação que gostaria de ver no time: muita energia e alegria, mas também comprometimento e senso de pertencimento coletivo.

Ao citar o desfile no Rio, o treinador apontou a organização como parte central do que observou, mencionando elementos como tempo e música funcionando de forma precisa. Na leitura dele, esse equilíbrio entre festa e disciplina ajuda a ilustrar atributos que podem ser levados para a equipe: alegria, energia, organização, comprometimento e atitude.

Mística não desaparece, mas adaptação é necessária

O técnico também rejeitou a tese de que o Brasil tenha perdido sua aura no futebol. Na avaliação de Ancelotti, a mística construída ao longo de gerações não se desfaz apenas por decepções recentes. Ele acrescentou que o país segue produzindo grandes talentos, inclusive em volume superior ao de outras nações.

Ainda assim, o italiano avaliou que o Brasil demorou mais do que alguns concorrentes para se ajustar a um jogo cada vez mais pautado por intensidade, estrutura e trabalho coletivo. Para ele, a criatividade precisa ser amparada por organização, comprometimento e atitude. Ancelotti destacou que o talento é decisivo, mas que a organização é o que permite superar adversários talentosos — e observou que é possível ensinar organização, ao contrário do talento.

O que ele entende por “jogo bonito”

Dentro dessa lógica, Ancelotti apresentou a própria definição do “jogo bonito”. Para ele, o conceito não se limita ao brilho individual: pode estar tanto na habilidade quanto no trabalho em equipe, com compromisso coletivo e uma postura forte quando a equipe tem a bola, além de dedicação geral ao longo do jogo.

Sem favoritismo claro e com foco na resiliência

O treinador afirmou ainda se sentir confortável com o Brasil não sendo visto como favorito. Para Ancelotti, esta Copa do Mundo não teria um candidato incontestável ao título, já que, segundo ele, todas as seleções carregam problemas e não existe equipe perfeita. Nesse cenário, em sua avaliação, a seleção mais resiliente tende a ser campeã.

Por fim, ao falar sobre recuperar eventual status perdido no futebol internacional, Ancelotti foi direto: na visão dele, a única forma de restabelecer a hierarquia é conquistar novamente a Copa do Mundo.

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