Casos de câncer devem crescer 83% na América Latina até 2050, aponta agência da OMS
Projeções da Iarc indicam quase 100% de aumento nas mortes por câncer na América Latina e Caribe até 2050, com forte impacto em países de baixa e média renda e avanço preocupante do câncer de mama.
13/12/2025 às 12:27por Redação Plox
13/12/2025 às 12:27
— por Redação Plox
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O número de casos de câncer e de mortes pela doença deve crescer de forma expressiva nas próximas décadas na América Latina e no Caribe. Segundo projeção da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), vinculada à Organização Mundial da Saúde, a incidência deve aumentar 83% e a mortalidade, 98,5% até 2050.
Câncer pode ser identificado na fase inicial
Foto: Pixabay
Crescimento acelerado em países mais vulneráveis
Os dados foram apresentados pela diretora da Iarc, a pesquisadora brasileira Elizabete Weiderpass, durante o seminário internacional “Controle do Câncer no Século XXI: Desafios Globais e Soluções Locais”. O evento foi promovido pelo Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz em parceria com o INCA, no Dia Nacional de Combate ao Câncer.
No cenário mundial, a tendência também é de avanço rápido da doença. A projeção indica que o número de novos casos deve subir 77%, passando de 20 milhões em 2022 para 35,3 milhões em 2050. Segundo Weiderpass, países de baixa e média renda serão os mais impactados e estão menos preparados para enfrentar o volume crescente de diagnósticos, descrito pela pesquisadora como um verdadeiro “tsunami de casos”.
A mortalidade global por câncer também deve aumentar de forma significativa. A estimativa é de alta de 85% nas mortes, saindo de 10 milhões em 2022 para 18,5 milhões em 2050. Para a diretora da Iarc, garantir acesso equânime ao diagnóstico e ao tratamento tende a ser um dos maiores desafios das próximas décadas.
Câncer de mama e pressão sobre os sistemas de saúde
O câncer de mama foi destacado como um dos exemplos mais preocupantes durante o seminário. Mantido o ritmo atual, a expectativa é de aumento de cerca de 40% nos casos e nas mortes até 2050, com impacto maior em países com baixo Índice de Desenvolvimento Humano.
Weiderpass defendeu a necessidade de ampliar a oferta de tratamento ambulatorial. Muitos sistemas de saúde, especialmente em países mais pobres, não têm estrutura para absorver todos os casos em ambiente hospitalar, o que torna urgente a reorganização da assistência oncológica.
Prevenção como estratégia central
Apesar das projeções alarmantes, a pesquisadora ressaltou o papel decisivo da prevenção no controle do câncer. Entre os fatores de risco citados, está o consumo de álcool, associado a 740 mil novos casos da doença no mundo em 2020.
Para Weiderpass, é fundamental conscientizar profissionais de saúde e a população sobre o impacto do álcool, inclusive em pequenas quantidades, no surgimento de diferentes tipos de câncer. Medidas de informação, regulação e redução de danos são apontadas como parte essencial da resposta global ao avanço da doença.
O seminário foi realizado no Rio de Janeiro, nos dias 27 e 28 de novembro.