Duplicação da BR-381 começa em março pelo trecho entre Ravena e Caeté
Ministro Renan Filho anuncia início das obras na rodovia em Belo Horizonte; trecho urbano entre a capital e Caeté ainda depende de desapropriações e reassentamento de cerca de 800 famílias
14/01/2026 às 09:50por Redação Plox
14/01/2026 às 09:50
— por Redação Plox
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O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL), afirmou que a duplicação da BR-381 terá início em março deste ano, após sucessivos adiamentos. Em visita a Belo Horizonte na manhã desta quarta-feira (14), ele detalhou que as primeiras intervenções serão realizadas no trecho entre Ravena e Caeté, enquanto o lote mais próximo da capital ainda depende da conclusão de processos jurídicos de desapropriação de famílias que vivem às margens da rodovia.
Nova 381
Foto: Reprodução
A duplicação da BR-381 chegou a ser prometida para começar em 2025, mas o cronograma não foi cumprido e as obras ficaram para 2026. Os cerca de 32 quilômetros entre Belo Horizonte e Caeté são considerados o segmento mais complexo da “Rodovia da Morte”, por concentrarem curvas sinuosas, intenso fluxo de veículos da Região Metropolitana e a presença de milhares de famílias em áreas contíguas à pista.
Trecho mais distante da capital deve ser o primeiro
Renan Filho explicou que o projeto executivo da duplicação está concluído e que o início das obras ocorrerá em um trecho mais afastado da área urbana de Belo Horizonte. Já no segmento dentro dos limites da capital, o avanço depende da remoção das moradias que ocupam a faixa onde a rodovia será alargada.
Segundo o ministro, o processo de desapropriação é feito caso a caso, com três modalidades principais: indenização em dinheiro, compra assistida de outro imóvel e oferta de habitações construídas pelo governo. Ele destacou que as negociações com as famílias são individuais e contam com acompanhamento do Judiciário, com a expectativa de que o lote mais próximo de Belo Horizonte também possa ter obras iniciadas ainda no primeiro semestre, após a retirada dos moradores.
O projeto executivo agora está pronto, nós vamos começar até março o lote mais fora da cidade (BH). O lote dentro da cidade de Belo Horizonte, nós estamos finalizando o processo de desapropriação das residências, porque os o processo de desapropriação, ele ele é específico com cada família. Tem família que vai receber o recurso, o dinheiro da indenização se ela desejar. Tem família que vai ter uma compra assistida, se ela assim desejar. E tem família que vai receber um imóvel construído pelo próprio governo. Então, essas três frentes, ela exige uma negociação individual com cada família. A justiça está acompanhando e a gente espera ainda no primeiro semestre também começar esse outro lote a partir da retirada das famílias
Renan Filho, em entrevista à Itatiaia
Leilões, impasses e privatização da BR-381
A duplicação da BR-381 é tratada como uma novela que se arrasta há décadas. Em fevereiro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou que o governo repetiria, pela terceira vez consecutiva, o leilão de concessão da rodovia entre Belo Horizonte e Governador Valadares, após dois pregões sem interessados.
Para tentar atrair a iniciativa privada, o governo federal decidiu assumir diretamente as obras no trecho mais crítico da estrada. Ainda em 2024, a BR-381 foi privatizada e passou à gestão de uma concessionária posteriormente batizada de Nova 381. Ficou definido que a União ficaria responsável por dois segmentos: o lote 8A (de Caeté até Ravena) e o lote 8B (de Ravena até Belo Horizonte).
Ao longo de 2025, porém, os mesmos entraves que afastaram empresas interessadas nos leilões também dificultaram a atuação do governo federal, e a duplicação não saiu do papel. As dificuldades incluem o custo elevado das intervenções, a complexidade do traçado e o grande volume de desapropriações na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Desapropriações e reassentamento de famílias
Os processos de realocação de moradores seguem em andamento na Grande BH. No caso específico das residências situadas dentro dos limites da capital, 2025 terminou com a definição de um terreno no Bairro Capitão Eduardo para receber parte das famílias que vivem às margens da BR-381.
A escolha da área resultou de uma decisão conciliada entre a prefeitura de Belo Horizonte, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), destravando um impasse que se estendia há mais de dez anos.
De acordo com o ministro, cerca de 800 famílias deverão ser removidas e o montante previsto para desapropriações gira em torno de R$ 300 milhões, valor ainda sujeito a ajustes conforme a modalidade adotada em cada caso. Renan Filho reforçou que há diferentes caminhos para garantir o reassentamento, mas que todos passam pela negociação com os atingidos e pelo respeito às decisões da Justiça Federal.
São aproximadamente 800 famílias e o recurso para desapropriação gira em torno de R$300 milhões. Isso ainda vai ser definido porque tem esses três modelos de desapropriação. Para o Estado o mais fácil é pagar. Não é o mais difícil o recurso, para falar a verdade. O mais difícil é uma compra assistida, que o Estado tem que, além de pagar, negociar um outro imóvel. É mais difícil também construir habitações em outro local, mas isso só pode ser feito a partir da discussão com as famílias, porque foi uma determinação do presidente Lula que a gente fizesse isso conversando com as pessoas e respeitando a decisão da Justiça Federal