EUA suspendem emissão de novos vistos para brasileiros e cidadãos de outros 74 países

Memorando do Departamento de Estado, revelado pela Fox News Digital, manda interromper concessão de vistos sob regras atuais enquanto governo Trump reforça agenda anti-imigração, amplia triagem e intensifica deportações

14/01/2026 às 15:03 por Redação Plox

O Departamento de Estado dos Estados Unidos suspendeu nesta quarta-feira o processamento e a emissão de vistos para cidadãos de 75 países, entre eles o Brasil. A informação foi divulgada em primeira mão pela Fox News Digital, que teve acesso a um memorando com orientações a funcionários de representações consulares, indicando que a medida é por tempo indeterminado.

Os EUA revogaram mais de 100 mil vistos desde que Trump reassumiu a Presidência com um discurso anti-imigração.

Os EUA revogaram mais de 100 mil vistos desde que Trump reassumiu a Presidência com um discurso anti-imigração.

Foto: Reprodução / Agência Brasil.


Segundo a rede americana, o documento instrui funcionários consulares a não conceder novos vistos com base na legislação atualmente em vigor. O objetivo seria garantir tempo para que o Departamento de Estado possa reavaliar os procedimentos de triagem e verificação na concessão de vistos — uma ação que se alinha à política anti-imigração do presidente Donald Trump, que recorrentemente critica as regras de entrada no país.

Brasil entre 75 países afetados pela suspensão

A Fox News Digital informou que a lista de países atingidos pela suspensão inclui, além do Brasil, nações como Irã, Iraque, Somália, Rússia, Afeganistão, Egito, Nigéria, Tailândia e Iêmen, entre outras. O memorando não estabelece prazo para o restabelecimento do processamento de vistos.

Mais de 100 mil vistos já foram revogados no governo Trump

Desde que Donald Trump reassumiu a Presidência com um discurso fortemente focado em restringir a imigração, os Estados Unidos revogaram mais de 100 mil vistos. O próprio governo americano classificou o número como um recorde, duas vezes e meia superior ao registrado em 2024, quando Joe Biden, do Partido Democrata, ocupava a Casa Branca.

Em pronunciamento feito na segunda-feira, o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, ressaltou que a proteção da população e o controle das fronteiras são prioridades máximas da atual gestão. Ele citou que milhares de vistos foram revogados com base na prática de crimes por parte de estrangeiros, incluindo agressão e dirigir sob efeito de álcool.

Alvo em estudantes e uso de lei da era McCarthy

Também na segunda-feira, o secretário de Estado Marco Rubio destacou com ênfase a revogação de vistos de estudantes que participaram de protestos contra Israel. Sob sua liderança, o Departamento de Estado recorreu a uma legislação da era McCarthy que autoriza o governo americano a barrar a entrada de estrangeiros considerados contrários à política externa dos Estados Unidos.

Alguns dos afetados, com perfis de maior visibilidade, conseguiram contestar com sucesso as ordens de deportação na Justiça, mas o uso da norma reforça a guinada restritiva do atual governo em relação à presença de estrangeiros no país.

Regras mais duras e checagem de redes sociais

O endurecimento da política migratória também se reflete nas etapas de solicitação de vistos. Entre as medidas adotadas está a análise das publicações em redes sociais dos candidatos, como parte do processo de avaliação. Essas iniciativas integram uma campanha mais ampla do governo para promover deportações em massa, apoiada no aumento do efetivo de agentes federais encarregados da fiscalização migratória.

De acordo com o Departamento de Segurança Interna, o segundo governo Trump deportou mais de 605 mil pessoas e outras 2,5 milhões deixaram o território americano voluntariamente ao longo do período. 

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