STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
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Um médico da rede municipal de saúde de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, foi exonerado após a denúncia de uma paciente que afirma ter sido vítima de racismo durante atendimento na Unidade de Saúde da Família Jardim Catarina, na última quinta-feira (8). A mulher, de 57 anos, moradora do bairro, tinha ido ao local acompanhada da filha para solicitar exames de rotina relacionados ao acompanhamento pós-bariátrico.
De acordo com o relato da paciente, a consulta foi marcada por constrangimento, comentários depreciativos e violação de privacidade. A filha contou que, ao ser chamada para o consultório, a mãe tentou fechar a porta — procedimento descrito pela família como comum na unidade —, mas foi repreendida e levou um grito do médico, que exigiu que a passagem permanecesse aberta.
Sede da Prefeitura de São Gonçalo
Foto: Reprodução/TV Globo
Já dentro da sala, o profissional teria perguntado o motivo da consulta. Ao ouvir que a paciente precisava solicitar exames de sangue, ele teria feito um comentário ofensivo, questionando por que ela “não penteava o cabelo”, mesmo estando de férias.
Segundo a mulher, a sensação de humilhação começou logo no início da consulta. A família também relatou que outros pacientes foram atendidos com a porta fechada, ao contrário do que aconteceu com ela.
O médico ainda teria elevado o tom de voz ao afirmar que não era especialista em bariátrica e que não pediria nenhum dos exames solicitados, incluindo os relacionados a doenças sexualmente transmissíveis. Em seguida, de acordo com o relato, passou a questionar a vida sexual da paciente, sempre falando alto, o que aumentou o constrangimento.
“Tudo o que eu perguntava, ele respondia alto, para todo mundo do lado de fora ouvir. Eu saí de cabeça baixa, com vergonha”, contou a vítima.
A paciente afirmou que uma funcionária da unidade percebeu o desconforto e entrou no consultório, orientando o médico a fazer o atendimento com a porta fechada. Nesse momento, segundo a filha, o profissional voltou a fazer um comentário depreciativo sobre o cabelo da paciente, comparando-o ao da própria funcionária, que é negra.
A mulher relatou que saiu da unidade chorando e tão abalada que não conseguiu mais organizar o que precisava solicitar. Ela cancelou o pedido de exames e voltou para casa, onde afirmou ter passado mal.
De acordo com seu relato, ela chegou em casa com pressão alta, coração acelerado e em meio a uma crise de ansiedade, passando duas noites sem dormir, chorando e se sentindo profundamente abalada. A paciente disse ter tido a sensação de ter sua privacidade invadida durante todo o atendimento.
Ela contou ainda que, ao fim da consulta, o médico se limitou a dizer “desculpa as brincadeiras”. Depois do episódio, a paciente e a filha foram até a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), onde registraram ocorrência.
Segundo a família, o profissional foi demitido logo após a denúncia. A filha afirmou que já existiriam outras reclamações anteriores contra o médico, feitas por outros pacientes.
A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil informou, em nota, que não compactua com casos de racismo e confirmou a exoneração do profissional da unidade de saúde, informando que outro médico já está atendendo no local.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que realiza diligências para apurar todas as circunstâncias do possível crime de racismo e avaliar a conduta do profissional durante o atendimento.