Nova plataforma do governo permitirá consultar cashback da reforma tributária

Ferramenta no gov.br permitirá a contribuintes e empresas testar, a partir de 2026, o novo modelo de impostos sobre o consumo, incluindo devolução de tributos para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico

14/01/2026 às 06:35 por Redação Plox

O governo federal lançou nesta terça-feira (13) a plataforma digital da reforma tributária, que permitirá a contribuintes e empresas acompanhar, simular e testar as novas regras do sistema de impostos sobre o consumo. Entre os recursos disponíveis está a possibilidade de consultar e simular o cashback — mecanismo que prevê a devolução de parte dos tributos pagos por famílias de baixa renda.

O sistema, ainda em fase inicial, poderá ser acessado pelo portal gov.br e integra a estratégia de transição para o novo modelo tributário, que começa a valer de forma efetiva em 2027.


Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Comitê gestor vai administrar o novo imposto sobre consumo

O lançamento da plataforma ocorre após a sanção, com vetos, da lei que cria o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O novo tributo substituirá impostos estaduais e municipais, como ICMS e ISS.

Cabirá ao comitê administrar, fiscalizar e coordenar a operacionalização do IBS. Segundo o governo, União, estados e municípios atuarão de forma integrada na gestão do imposto, em um modelo considerado essencial para a unificação e simplificação da tributação sobre o consumo.

Plataforma será ambiente de testes em 2026

A ferramenta foi lançada oficialmente nesta semana e funcionará, ao longo de 2026, como um ambiente de testes e simulações. Nesse período, não haverá cobrança efetiva dos novos tributos.

Por meio da plataforma, será possível:

• simular o pagamento de tributos;
• simular pedidos de ressarcimento;
• acompanhar, em tempo real, valores a pagar e créditos a receber;
• simular o funcionamento do cashback, para quem tiver direito.

A simulação abrange todo o processo, desde a emissão do documento fiscal, com uso de um software da Receita Federal, até o cálculo do imposto.

Quem terá acesso ao sistema

Nesta primeira etapa, a plataforma é voltada principalmente a empresas, contribuintes com CNPJ e profissionais da área contábil que emitem nota fiscal. O acesso será feito pelo gov.br.

Pessoas físicas também poderão se cadastrar para consultar notas fiscais emitidas em seus CPFs, funcionalidade considerada relevante para o acompanhamento do cashback quando o benefício estiver em vigor.

De acordo com a Receita Federal, o sistema já está operacional.

A plataforma está disponível a partir de hoje. Ela está funcional e já está processando os dados dos documentos fiscais recebidos na última semana. Este é um ano de testes, sem efeito tributário

Juliano Neves, subsecretário de Gestão Corporativa da Receita

Dois novos impostos e um tributo seletivo

A reforma tributária cria dois novos impostos, que substituirão cinco tributos atualmente em vigor:

CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — de competência federal;
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) — de competência estadual e municipal.

Além deles, a reforma institui o Imposto Seletivo, que incidirá sobre produtos e serviços prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

Como será o cashback para famílias de baixa renda

O cashback prevê a devolução de parte dos impostos pagos por famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). O benefício está programado para entrar em vigor em janeiro de 2027.

Há dois formatos previstos:

Cashback desconto

Nesse modelo, o benefício é aplicado diretamente em contas de serviços essenciais, como água, gás encanado e energia elétrica. O desconto já virá embutido na fatura, reduzindo o valor final pago pelo consumidor.

Cashback devolução

Nessa modalidade, a família se identifica pelo CPF no momento da compra — por exemplo, em supermercados ou farmácias — e recebe posteriormente a devolução de parte do imposto pago.

Pela lei, a devolução mínima será de 20% do valor da CBS paga, percentual que poderá ser ampliado por decisão do governo. O crédito será depositado em conta na Caixa Econômica Federal.

Transição até 2032 e volume de operações

A reforma tributária passa a operar de forma plena em 2027, mas a transição do sistema atual para o novo modelo se estenderá por cinco anos, até 2032.

Responsável pelo desenvolvimento da plataforma, o Serpro projeta que o sistema monitore cerca de 500 bilhões de eventos fiscais e financeiros já no primeiro ano de operação em larga escala, em 2027.

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