Refugiada iraniana em SP critica neutralidade do Brasil diante de regime de Teerã

Mahsima Nadim relata repressão da polícia da moralidade no Irã, denuncia regime como terrorista e vê conivência em gestos diplomáticos de Lula e Alckmin com líderes iranianos

14/01/2026 às 16:23 por Redação Plox

Refugiada iraniana radicada no Brasil desde 2012, Mahsima Nadim deixou o Irã em busca de liberdade em São Paulo, após sofrer com a falta de direitos para as mulheres em seu país. Desde então, ela denuncia violações de direitos humanos cometidas pelo regime islâmico dos aiatolás e acompanha com consternação – e lágrimas nos olhos – a morte de milhares de manifestantes iranianos nos últimos dias.

Lula e Ebrahim Raisi

Lula e Ebrahim Raisi

Foto: Ricardo Stuckert / PT


Em entrevista ao Pleno.News, Mahsima contou episódios de repressão que viveu no Irã e relatou ter sido detida diversas vezes pela chamada polícia da moralidade por descumprir as rígidas regras impostas às mulheres.

Relatos de repressão da polícia da moralidade

Ela lembra que as abordagens aconteciam por motivos considerados banais, como fios de cabelo aparentes ou o comprimento de roupas. Nessas intervenções, Mahsima afirma ter sido agredida, xingada e levada à prisão, chegando a ser impedida de voltar para casa em algumas ocasiões.

Segundo a maquiadora, o simples fato de mostrar parte do cabelo, mesmo usando roupas fechadas, era tratado como crime pelas autoridades, que convocavam familiares para levar novas peças de roupa às detidas. Para o regime, mulheres que não seguem as determinações de vestimenta são vistas como criminosas, enquanto elas afirmam apenas estar tentando viver suas vidas.

Críticas ao regime iraniano e cobrança ao Brasil

Mahsima classifica o governo de seu país como “terrorista” e considera que o regime representa uma ameaça tanto para os iranianos quanto para o restante do mundo. Na avaliação dela, poucos países têm condenado de forma firme as ações do Irã.

Na entrevista, a refugiada criticou a postura do Brasil, que, em sua visão, adota uma posição neutra e pouco clara em relação à ditadura iraniana. Para ela, o atual governo brasileiro envia ao mundo a imagem de tolerância com o regime islâmico, o que não condiz com um país que diz defender os direitos humanos.

Mahsima citou gestos diplomáticos recentes que, na sua percepção, reforçam essa leitura. Em agosto de 2023, durante a Cúpula do Brics, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apertou a mão do então presidente do Irã, Ebrahim Raisi. Em julho de 2024, o vice-presidente Geraldo Alckmin participou da cerimônia oficial de posse do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, sentando-se ao lado de diversos líderes religiosos e políticos islâmicos, incluindo Ismail Haniyeh, líder político do Hamas.

Sonho de retorno para milhões de exilados

Ao longo da conversa, Mahsima se emocionou ao falar sobre seu maior desejo: que os cerca de 10 milhões de iranianos em exílio possam um dia voltar ao país de origem em segurança e reencontrar suas famílias.

Ela lembrou que muitos iranianos que vivem no exterior – entre eles jornalistas e ativistas – não conseguem retornar, sob risco de prisão ou até de morte. Para a refugiada, o que o povo iraniano busca é uma vida normal, em paz, com liberdade de ir e vir.

Mahsima também destacou a importância de o mundo conhecer o Irã para além da imagem do regime. Segundo ela, trata-se de um país milenar, com rica cultura e tradição, que historicamente se manteve distante de guerras e ações terroristas. Em sua visão, o povo iraniano é alegre, deseja apenas viver em paz e ter seu país novamente aberto ao mundo.

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