Falso policial acusado de dopar e estuprar jovem em Águas Claras acaba preso

André Luiz Alves da Fonseca, de 41 anos, é investigado por dopar uma jovem de 23 anos após encontro marcado como suposta entrevista de emprego em Águas Claras; polícia apura possível padrão e busca outras vítimas

14/03/2026 às 08:36 por Redação Plox

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 21ª Delegacia de Polícia de Taguatinga Sul, prendeu temporariamente um homem investigado por se passar por delegado e dopar mulheres para cometer crimes sexuais. O suspeito foi identificado como André Luiz Alves da Fonseca, de 41 anos. Entre os casos apurados, está o de uma jovem de 23 anos que afirma ter sido dopada após aceitar um encontro sob o pretexto de uma entrevista de emprego, em uma lanchonete de Águas Claras, na noite de terça-feira, 10 de março.


A jovem conheceu o falso policial por meio de uma amiga. Eles marcaram de se encontrar para uma entrevista de emprego em Águas Claras (DF)

A jovem conheceu o falso policial por meio de uma amiga. Eles marcaram de se encontrar para uma entrevista de emprego em Águas Claras (DF)

Foto: Reprodução / @blogdazuleika


Encontro marcado sob promessa de emprego

De acordo com o relato da vítima à polícia, o contato com o investigado começou depois que uma amiga o conheceu em um aplicativo de relacionamento. Ele se apresentava como policial, dizia poder ajudar mulheres a conseguir trabalho e marcava encontros com a justificativa de realizar entrevistas de emprego.

A jovem, que estava no Distrito Federal para cursar direito e buscava uma oportunidade profissional, aceitou se encontrar com o suspeito para a suposta entrevista. O encontro foi marcado em uma lanchonete de Águas Claras.

Segundo o registro policial, o homem se apresentava como delegado de polícia e prometia interceder para que mulheres conseguissem emprego. Na noite marcada, ele chegou com cerca de uma hora de atraso, vestindo camisa camuflada e afirmando que estava em serviço e havia chegado de viatura.

Dopagem em lanchonete de Águas Claras

Durante a conversa, o investigado pediu refrigerante e, em determinado momento, ofereceu o próprio guaraná à jovem. Pouco depois de ingerir a bebida, ela passou a sentir forte sonolência e mal-estar.

A vítima relatou que, ao perceber que algo estava errado, avisou que iria embora e recusou a oferta do suspeito de levá-la para casa, dizendo que chamaria um carro por aplicativo. A partir desse momento, afirma não se lembrar de mais nada.

Conforme o depoimento, a jovem teria permanecido dopada por mais de 24 horas na casa de André Luiz Alves da Fonseca, localizada em Águas Claras. Ela contou que só recuperou parcialmente a consciência na manhã de quarta-feira, 11 de março.

Vítima acorda nua na casa do suspeito

Ao despertar, a jovem percebeu que estava completamente nua na cama do investigado, que vestia apenas cueca. Mesmo desorientada e com dificuldade para se manter em pé, conseguiu se vestir e deixar o imóvel.

Em estado de choque, ela entrou em um carro de aplicativo. O motorista, ao notar a condição física e emocional da passageira, decidiu levá-la diretamente à 17ª Delegacia de Polícia de Taguatinga Norte, onde a ocorrência foi registrada.

Após o atendimento inicial, a vítima passou por exame de corpo de delito, e o caso foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), responsável pela investigação por ter jurisdição sobre a área.

Ação prioritária da Polícia Civil

Em nota citada no material de origem, a Polícia Civil informou que, desde o início do atendimento, adotou medidas prioritárias no caso. Entre as providências relatadas estão acolhimento da vítima, encaminhamento para medicação preventiva, preservação de vestígios e realização de exames periciais considerados necessários.

O inquérito policial foi instaurado e tramita com prioridade, com o objetivo de esclarecer todas as circunstâncias do crime, identificar possíveis outras vítimas e responsabilizar o autor. A atuação da 21ª DP busca verificar se há um padrão de abordagem com uso da falsa identidade de delegado e promessa de emprego para atrair mulheres.

Histórico e linhas de investigação

Consta nos registros do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) que André Luiz Alves da Fonseca já responde a processos por violência doméstica e uso ilegítimo de uniforme ou distintivo. As investigações atuais apuram o uso da imagem de policial para ganhar a confiança de mulheres e marcar encontros sob pretexto profissional.

De acordo com o apurado até agora, o investigado costumava exibir fotos fardado e se apresentar como policial em conversas por aplicativos de relacionamento. Ele prometia ajudar a conseguir emprego, especialmente para mulheres que buscavam recolocação ou a primeira oportunidade de trabalho no DF.

Após o encontro na lanchonete e a ingestão da bebida oferecida, a jovem relatou ter perdido completamente os sentidos, acordando apenas no dia seguinte, já na casa do suspeito. A investigação busca identificar se outras mulheres foram abordadas com a mesma estratégia.

Alerta para golpes com promessa de emprego

O caso acende um alerta para abordagens que combinam promessa de emprego, entrevistas marcadas em locais informais e insistência para que a vítima consuma bebidas oferecidas pelo interlocutor. Especialistas em segurança e órgãos policiais costumam recomendar que encontros marcados pela internet ocorram em locais públicos, com aviso prévio a pessoas de confiança e preferência por não aceitar bebidas cujo preparo ou origem não sejam claramente conhecidos.

Em situações de suspeita de dopagem, a orientação é procurar atendimento médico o mais rápido possível e registrar ocorrência em delegacia, para possibilitar a realização de exames periciais e a preservação de vestígios que possam auxiliar a investigação.

Prisão temporária e próximos passos

A PCDF, por meio da 21ª DP de Taguatinga Sul, cumpriu a prisão temporária de André Luiz Alves da Fonseca no contexto dessa investigação. As apurações seguem em andamento para confirmar e detalhar as acusações, bem como para verificar a possível conexão do caso com outras ocorrências envolvendo uso ilegítimo de uniforme, distintivos e a falsa identidade de delegado para atrair vítimas no Distrito Federal.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a