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O dólar fechou abaixo de R$ 5 nesta segunda-feira (13/4) pela primeira vez em mais de dois anos. A moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 4,99, queda de 0,26% em relação à sexta-feira, no menor nível desde 27 de março de 2024, quando atingiu R$ 4,98.
Na sessão, a divisa voltou a operar abaixo da barreira psicológica dos R$ 5 ainda no início da tarde, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que Teerã quer fazer um acordo para encerrar o conflito que se estende desde o fim de fevereiro. Mesmo sem confirmação do governo iraniano, investidores interpretaram a declaração como um sinal de trégua futura, reduzindo temores de nova escalada nos ataques.
Dólar fechou a R$ 4,99 nesta segunda (13/4)
Foto: Pexels
O alívio também atingiu a Bolsa brasileira. O Ibovespa fechou em alta de 0,34%, aos 198.000 pontos, novo recorde histórico. No pico do pregão, o índice chegou a 198.173 pontos, renovando a máxima durante as negociações.
Os Estados Unidos voltaram a falar em um acordo e que as negociações vão continuar, o que já era o esperado. Dificilmente os dos países iriam chegar a um consenso logo na primeira negociação Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos
Segundo ele, além do cenário externo, o desempenho do câmbio também vem sendo favorecido por fatores domésticos.
Mas, falando sobre o Brasil especificamente, o fluxo estrangeiro está muito positivo para nós há algum tempo. O mercado está otimista com o país, seja para investir na Bolsa, seja para investir em outros ativos, e isso ajuda a apreciar ainda mais o câmbio Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos
O conjunto de fatores já havia empurrado o dólar para baixo na semana passada. Na sexta-feira, a moeda chegou a testar o patamar de R$ 5 pela primeira vez desde que foi alçada a esse valor, acompanhando o otimismo com uma trégua definitiva no Oriente Médio e o custo-oportunidade de investir no Brasil.
O fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã no fim de semana trouxe cautela aos mercados pela manhã. O dólar bateu a máxima de R$ 5,039, enquanto a Bolsa caiu à mínima de 196.222 pontos. O movimento foi revertido à tarde, quando Trump disse a repórteres na Casa Branca que o Irã procurou o governo republicano visando um cessar-fogo.
Até então, havia poucos sinais de que as tratativas tinham voltado aos trilhos. Investidores passaram a temer uma retomada dos ataques diante do impasse e da escalada de tom entre autoridades dos dois países. O Irã, por sua vez, culpou os Estados Unidos pelo colapso das negociações e não confirmou novas conversas nesta segunda-feira.
Fomos contatados esta manhã pelas pessoas certas, as pessoas apropriadas, e elas querem chegar a um acordo Donald Trump
A fala do presidente dos EUA veio após o bloqueio de Ormuz às 11h (horário de Brasília), em medida determinada por Trump no domingo (12), depois que as delegações não chegaram a um acordo.
O bloqueio também foi uma resposta à cobrança de um pedágio para embarcações. Em vez de reabrir a passagem conforme combinado na trégua, Teerã estabeleceu uma rota que, segundo o governo iraniano, evita minas colocadas pela teocracia e passa por suas águas territoriais. Um petroleiro precisaria pagar US$ 1 em criptomoedas por cada barril de óleo transportado.
O bloqueio será realizado de maneira imparcial contra embarcações de todos os países que entrem ou partam de portos e áreas costeiras do Irã militares americanos
Os militares americanos também afirmaram que não impedirão a navegação de barcos “que cruzem o Estreito de Ormuz vindo de ou com destino a portos não-iranianos”.
Nesse cenário, o petróleo Brent voltou a superar US$ 100 o barril, com alta que chegou a mais de 7%. À tarde, com a sinalização de trégua, os ganhos perderam força e ficaram em 3%, a US$ 98 o barril. Ações europeias e asiáticas fecharam em baixa, enquanto índices acionários nos Estados Unidos avançaram até 1,2%.
Os mercados estão tentando filtrar o turbilhão de manchetes. Até agora, pelo menos, estão lidando relativamente bem com as notícias, pois ainda não vimos um retorno dos preços aos níveis anteriores ao cessar-fogo Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado global da Ebury
Isso sugere que os investidores talvez vejam a ruptura nas negociações mais como um obstáculo no caminho e um sinal de jogo de pressão, em vez de algo que necessariamente possa atrapalhar o caminho para a paz Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado global da Ebury