Dólar fecha a R$ 4,99 e cai abaixo de R$ 5 pela 1ª vez em mais de dois anos

Declaração de Trump sobre possível acordo envolvendo Teerã foi interpretada como sinal de trégua futura e ajudou a impulsionar o Ibovespa, que renovou recorde histórico

14/04/2026 às 08:46 por Redação Plox

O dólar fechou abaixo de R$ 5 nesta segunda-feira (13/4) pela primeira vez em mais de dois anos. A moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 4,99, queda de 0,26% em relação à sexta-feira, no menor nível desde 27 de março de 2024, quando atingiu R$ 4,98.

Declaração de Trump influencia mercados e derruba a moeda

Na sessão, a divisa voltou a operar abaixo da barreira psicológica dos R$ 5 ainda no início da tarde, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que Teerã quer fazer um acordo para encerrar o conflito que se estende desde o fim de fevereiro. Mesmo sem confirmação do governo iraniano, investidores interpretaram a declaração como um sinal de trégua futura, reduzindo temores de nova escalada nos ataques.

Dólar fechou a R$ 4,99 nesta segunda (13/4)

Dólar fechou a R$ 4,99 nesta segunda (13/4)

Foto: Pexels


Bolsa sobe e renova recorde histórico

O alívio também atingiu a Bolsa brasileira. O Ibovespa fechou em alta de 0,34%, aos 198.000 pontos, novo recorde histórico. No pico do pregão, o índice chegou a 198.173 pontos, renovando a máxima durante as negociações.

Os Estados Unidos voltaram a falar em um acordo e que as negociações vão continuar, o que já era o esperado. Dificilmente os dos países iriam chegar a um consenso logo na primeira negociação Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos

Segundo ele, além do cenário externo, o desempenho do câmbio também vem sendo favorecido por fatores domésticos.

Mas, falando sobre o Brasil especificamente, o fluxo estrangeiro está muito positivo para nós há algum tempo. O mercado está otimista com o país, seja para investir na Bolsa, seja para investir em outros ativos, e isso ajuda a apreciar ainda mais o câmbio Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos

Oscilações do dia refletiram impasse e sinais de retomada do diálogo

O conjunto de fatores já havia empurrado o dólar para baixo na semana passada. Na sexta-feira, a moeda chegou a testar o patamar de R$ 5 pela primeira vez desde que foi alçada a esse valor, acompanhando o otimismo com uma trégua definitiva no Oriente Médio e o custo-oportunidade de investir no Brasil.

O fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã no fim de semana trouxe cautela aos mercados pela manhã. O dólar bateu a máxima de R$ 5,039, enquanto a Bolsa caiu à mínima de 196.222 pontos. O movimento foi revertido à tarde, quando Trump disse a repórteres na Casa Branca que o Irã procurou o governo republicano visando um cessar-fogo.

Até então, havia poucos sinais de que as tratativas tinham voltado aos trilhos. Investidores passaram a temer uma retomada dos ataques diante do impasse e da escalada de tom entre autoridades dos dois países. O Irã, por sua vez, culpou os Estados Unidos pelo colapso das negociações e não confirmou novas conversas nesta segunda-feira.

Fomos contatados esta manhã pelas pessoas certas, as pessoas apropriadas, e elas querem chegar a um acordo Donald Trump

Bloqueio de Ormuz e petróleo acima de US$ 100 entram no radar

A fala do presidente dos EUA veio após o bloqueio de Ormuz às 11h (horário de Brasília), em medida determinada por Trump no domingo (12), depois que as delegações não chegaram a um acordo.

O bloqueio também foi uma resposta à cobrança de um pedágio para embarcações. Em vez de reabrir a passagem conforme combinado na trégua, Teerã estabeleceu uma rota que, segundo o governo iraniano, evita minas colocadas pela teocracia e passa por suas águas territoriais. Um petroleiro precisaria pagar US$ 1 em criptomoedas por cada barril de óleo transportado.

O bloqueio será realizado de maneira imparcial contra embarcações de todos os países que entrem ou partam de portos e áreas costeiras do Irã militares americanos

Os militares americanos também afirmaram que não impedirão a navegação de barcos “que cruzem o Estreito de Ormuz vindo de ou com destino a portos não-iranianos”.

Mercados globais reagem a manchetes e reduzem volatilidade

Nesse cenário, o petróleo Brent voltou a superar US$ 100 o barril, com alta que chegou a mais de 7%. À tarde, com a sinalização de trégua, os ganhos perderam força e ficaram em 3%, a US$ 98 o barril. Ações europeias e asiáticas fecharam em baixa, enquanto índices acionários nos Estados Unidos avançaram até 1,2%.

Os mercados estão tentando filtrar o turbilhão de manchetes. Até agora, pelo menos, estão lidando relativamente bem com as notícias, pois ainda não vimos um retorno dos preços aos níveis anteriores ao cessar-fogo Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado global da Ebury
Isso sugere que os investidores talvez vejam a ruptura nas negociações mais como um obstáculo no caminho e um sinal de jogo de pressão, em vez de algo que necessariamente possa atrapalhar o caminho para a paz Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado global da Ebury

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