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Uma nota técnica interna do INSS atribui a falhas e instabilidades recorrentes nos sistemas operados pela Dataprev um impacto direto na produtividade das Centrais de Análise de Benefícios (Ceabs), responsáveis por processar pedidos previdenciários e assistenciais em todo o país.
De acordo com o documento, assinado por seis chefes de setores em 17 de março, cerca de 15,72% da capacidade produtiva potencial das centrais foi perdida por indisponibilidades nos sistemas. A estimativa apresentada é de 1,76 milhão de pontos de produtividade abatidos no período analisado.
Nota técnica do órgão aponta instabilidade e falhas nos sistemas da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência.
Foto: Reprodução / Agência Brasil.
Na prática, o INSS aponta que isso equivale a aproximadamente 1,75 milhão de requerimentos que deixaram de ser analisados, com uma média de 116 mil processos impactados por mês, segundo os dados citados na nota.
O órgão também calcula que o volume de tempo de trabalho afetado pelas falhas corresponde a cerca de 2,94 milhões de horas de atividade institucional prejudicadas. Três períodos concentraram os episódios mais críticos: julho de 2025, novembro de 2025 e fevereiro de 2026, quando o impacto sobre a produção mensal chegou a quase 40% em alguns casos.
No recorte financeiro, o INSS estima um impacto potencial de aproximadamente R$ 233,2 milhões em recursos públicos. Segundo o documento, o valor corresponde à remuneração paga a servidores que permaneceram à disposição, mas tiveram o trabalho limitado por falhas tecnológicas.
O órgão afirma que esse cenário representa perda expressiva de eficiência no uso da força de trabalho e do dinheiro público.
O levantamento considera o intervalo entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026 e conclui que os problemas tecnológicos comprometeram de forma relevante a capacidade operacional do instituto.
O documento foi enviado à Presidência do INSS com sugestão de consulta à Procuradoria Federal para avaliar a possibilidade de responsabilização jurídica da Dataprev pelos prejuízos apontados. A nota também recomenda a revisão dos critérios de fiscalização contratual e o reforço de práticas de governança tecnológica para reduzir novos impactos.
A Dataprev ainda é mencionada na investigação da Polícia Federal e da CGU sobre fraudes bilionárias em descontos associativos de aposentados e pensionistas, por ser a empresa que recebia os dados para análise.
No ano passado, o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto também atribuiu responsabilidade à Dataprev ao enviar um documento ao Congresso Nacional. Segundo ele, os dados de autorização dos descontos eram repassados diretamente pelas associações à empresa, responsável pela operação sistêmica e pelo processamento dos descontos.